young sheldon

Eu abandonei The Big Bang Theory na quinta temporada, quando vi que a série não parava de correr atrás do próprio rabo. Penny e Leonard em um vai e vem sem fim, e Sheldon sendo o cara de uma piada só #bazinga.

Hoje, sei que a série mudou muito, onde até o Sheldon vai casar. Mesmo assim, senti tremores na espinha ao saber que teríamos uma série contando a história do pequeno Sheldon. O temor que o caça niqueis da CBS se perpetuasse na forma maçante de contar uma história me afastava dessa premissa inicial.

Porém, Young Sheldon foi um grato e inesperado acerto, mudando sensivelmente de estilo e apresentando uma proposta que quer ser diferente da série original.

O trailer da série foi muito bem recebido o que indicava que pelo menos o piloto poderia arrasar na audiência. E foi isso o que aconteceu: quase 100% de retenção em relação à estreia da 11a temporada de The Big Bang Theory, e uma encomenda de temporada completa com apenas um episódio exibido.

 

 

Young Sheldon é narrada por Sheldon Cooper adulto (Jim Parsons), e começa com o primeiro dia de vida escolar de Sheldon enquanto criança (Iain Armitage), aos 9 anos de idade. Naquela época, ele já era muito adiantado nos seus estudos, e a ausência de habilidades sociais combinada com a sua genialidade só complicam as coisas na escola e em sua casa. E o piloto se centra justamente nessa problemática da vida escolar do garoto.

Nada de risadas enlatadas. Nada de sitcom multi-câmera. A mudança adotada por Chuck Lorre e Steven Molaro é muito simbólica, apostando em um tom um pouco mais dramático, mas sem perder o toque de comédia.

Nesse sentido, Young Sheldon é chocante. Mas ser mais dramática não quer dizer que ela não é engraçada. Mas conseguiram deixar o espectador meio desorientado, com algumas situações que não liberam o riso, que fica mais solto na segunda metade do piloto.

Em algumas momentos notamos o esforço dos roteiristas em mostrar o Sheldon de sempre em uma criança de nove anos de idade. Por outro lado, existe também uma clara intenção de posicionar o protagonista em um contexto mais autista, algo que também é tratado em The Big Bang Theory.

 

 

Vale dizer que Iain Armitage é plausível como o pequeno Sheldon. De um modo geral, o elenco é bem escolhido, com destaque para Zoe Perry, que mimetiza de forma impecável a Mary Cooper de TBBT, Laurie Metcalf (curiosamente, as atrizes são mãe e filha na vida real).

De um modo geral, Young Sheldon tem um ar de nostalgia e drama familiar que perneia a série, com uma combinação surpreendente. É agradável ver o inesperado, mas a série tem margem de melhora. Não é ruim, mas precisa mostrar algo a mais para se manter a médio e longo prazo.

O segundo episódio da série só estreia em novembro. Até lá, vamos ter que esperar.