Sim, amigos… eu precisava de alguma coisa da Marvel para matar o tempo até Homem-Aranha: Longe de Casa. E mesmo com chances enormes de me arrepender, eu decidi que vou assistir ao filme X-Men: Fênix Negra, que estreia no Brasil em 6 de junho. E para fazer isso direito, eu resolvi fazer a maratona dos filmes anteriores, enquanto eu ainda tenho tempo.

É preciso deixar bem claro que, nessa lista, só entram os seis filmes do time de heróis. Deixei de lado os filmes de origem com o Wolverine (por falta de tempo, e também para não estender um eventual sofrimento), e Logan também ficou de fora, por ser um episódio à parte na própria franquia, e uma obra prima tão bem feita, que não merece ser colocado no mesmo grupo desses seis filmes, mesmo entendendo que ele dá desfecho ao personagem.

De qualquer forma, vou escrever sobre os filmes anteriores que eu não vi, para poder ser justo com aquele que é o desfecho de uma franquia. Eu sei, eu nem queria assistir a Fênix Negra. Mas apesar de seus adiamentos, ele se tornou emblemático: é o último da saga na 20th Century Fox, é o que encerra a história dessa geração de heróis, e o trailer me empolgou a ponto de acreditar em algum momento que esse pode ser um filme digno para a magnitude desses personagens.

Mas… vamos começar do começo.

 

 

Uma história de origem em 2000

 

Eu me lembrava de X-Men: O Filme como algo mais cansativo, mas revendo o trabalho dirigido por Bryan Singer, ele se mostra melhor do que eu imaginava, 19 anos depois. Eu não vou cair no erro de adotar o mesmo nível de exigência dos filmes atuais, muito menos compará-lo com alguma obra recente da Marvel Studios. Eu tentei ver esse filme como se fosse um blockbuster de 2000, e ele funcionou. Mesmo com os seus problemas.

É um bom filme de história de origem de um grupo de personagens, apesar de entender claramente que Wolverine e Magneto roubam a cena de assalto o tempo todo. São os personagens mais interessantes dessa trama, pois apresentam elevados níveis de profundidade moral e psicológica. Você não fica indiferente aos dois, e consegue compreender o comportamento e as aspirações de ambos.

X-Men: O Filme tem bons acertos. Um deles é esse: apresentar um anti-herói com camadas de personalidade (e um Hugh Jackman carismático desde o primeiro segundo com Wolverine) e um vilão que vai além do objetivo raso de acabar com todo mundo. Na verdade, Magneto quer ser aceito e respeitado, mas para isso impõe a subjugação da raça humana aos seus propósitos.

O filme levanta bem a questão do pré-conceito ou aceitação ao diferente, especialmente quando decide colocar o principal político que estava perseguindo os mutantes na situação onde ele acaba se transformando em um deles. É o tal do “se colocar na pele do outro”, e dessa forma aquele que discrimina aquilo que não entende acaba absorvendo uma nova perspectiva, e eventualmente pode até motivar uma mudança de opinião em relação ao próximo.

Ou seja, X-Men: O Filme vai além de apresentar uma história de mutantes lutando entre eles por causa de propósitos e visões de mundo diferentes. E eu não me lembrava do filme ser assim. O que, repito, é um ponto muito positivo para essa história.

O que talvez me incomode um pouco é que, em teoria, no grupo de heróis estão alguns dos mutantes mais poderosos do planeta, e todos eles são feitos de otários por Magneto e sua turma, que nem tem seres tão poderosos assim. É incrível como Tempestade e Ciclope são bem passivos nessa trama. Isso abre um espaço enorme para que o verdadeiro protagonista brilhe: Wolverine.

Não sei se essa foi uma decisão de Bryan Singer com o claro propósito em promover o anti-herói no longa (mesmo porque esse é o personagem mais interessante do filme), mas tal decisão afeta diretamente em alguns momentos dessa história. Fica bem claro que Wolverine é o principal nome da trama, e sem maiores dificuldades ele rouba a cena a seu favor. mostrando a tal empatia que esperamos encontrar no personagem.

Mas isso não compromete o roteiro de X-Men: O Filme, nem mesmo a experiência com a história como um todo. O filme deixa os recados que planejou, propõe reflexões sobre o que realmente fazer de certo e errado, sobre a necessidade (ou não) de escolher um dos lados do conflito e, é claro, falar sobre a discriminação do diferente ou do desconhecido. A história dos X-Men é, por si, mais um acerto da Marvel nos comics em se alinhar às necessidades e discursos praticados pela sua audiência, e o filme não seria diferente.

Deixo de lado as coreografias de lutas e alguns efeitos especiais datados para afirmar que X-Men: O Filme é uma boa forma de começar essa franquia cinematográfica. Se alguns dos demais filmes não são bons, eu não posso fazer nada. Mas pelo menos apresentou a história dos X-Men de forma que os mais leigos queiram assistir mais de perto os filmes dessa saga.