Will & Grace

Quando o revival de Will & Grace foi anunciado, eu rapidamente pensei: “não tem como dar errado”. E não tinha mesmo. Todas as peças estavam devidamente encaixadas nos lugares certos. Tudo muito perfeito. Do jeito que sempre foi (ou deveria ser).

Um pequeno revival durante as eleições presidenciais dos Estados Unidos foi o pontapé inicial de tudo. A NBC viu ali a oportunidade de reviver a era Must See TV, tão bem sucedida na década de 1990. E provar ao mundo, de uma vez por todas, que o problema não era a suposta morte das sitcoms clássicas, com claque. O problema era não ter boas séries.

Afinal de contas, The Big Bang Theory está aí. A comédia mais assistida da televisão, e tem mais de 10 temporadas nas costas. Mesmo eu achando a comédia “só tem uma piada”, ao menos tem todos os elementos que agradam o norte-americano médio.

E, do seu jeito, Will & Grace sempre teve a mesma coisa.

 

 

David Kohan, Max Mutchnick e James Burrows são gênios trabalhando juntos. E todo o elenco da série (Eric McCormack, Debra Messing, Megan Mullally e Sean Hayes), devidamente premiado com Emmys por seus respectivos personagens, contam com aquela ótima química que esperamos de uma boa série. Sem falar no timing de comédia, que é simplesmente genial.

Will & Grace é o melhor revival de 2017, por esses e por outros motivos.

Talvez o principal motivo para esse revival ser o melhor foi a forma como os roteiristas encontraram para sair dos problemas criados por eles mesmos. O novo episódio piloto mostraria o que aconteceu com esses personagens após o fim da série, mas com a ideia de que tudo o que foi visto no final original foi ignorado por todos.

Era uma decisão arriscada, já que tudo o que é contado na TV não tem como ser recontado. Bom, na verdade, tem. Veja os vários reboots que confirmam isso. Acontece que, no caso da nossa amada sitcom, era um revival. O mesmo elenco, fazendo os mesmos personagens, no mesmo universo televisivo.

E, ainda assim, eles resolveram o problema de forma bem simples. Nos três primeiros minutos, eles revisam o que a turma fez nos últimos anos, com soluções práticas. Um típico “a vida continua”, com direito a “e tudo foi um sonho da Karen” e uma bela quebra de quarta parede de Jack.

 

 

Mais que isso. Seguiram (em partes) com a história iniciada no pequeno revival com pegada política, dando um sinal claro que a série não só vai abordar as referências de cultura pop, como sempre fez, mas também terá uma certa pegada política e de comportamento, algo que é muito bem vindo. Afinal de contas, o mundo mudou bastante em quase dez anos, e algumas coisas precisam ser ditas e relembradas.

Will & Grace voltou com tudo. A maior audiência de uma comédia da NBC em anos. É um ótimo motivo para você voltar a ver sitcoms na TV. É um investimento na sua própria auto-estima. E tudo isso com um humor simples e direto.

Me deu até vontade de ter meus amigos em casa, simplesmente para jogar conversa fora. Ou trocar ofensas em momentos de acalorada discussão…

…para tudo ficar bem no final. Como acontece em toda boa amizade.