Eu confesso que, depois de rever Detona Ralph e constatar que o filme era muito melhor na minha cabeça, as minhas expectativas para WiFi Ralph foram lá para o pé. Eu me vi desanimado, prevendo uma narrativa tão infantil quanto aquela apresentada no primeiro filme. Na verdade, eu encontrei no novo filme da Disney uma narrativa igualmente infantil. Mas baixar as expectativas foi a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo antes de assistir ao filme.

Estamos diante de mais uma aventura de Ralph e Vanellope, onde tudo começa a partir do momento onde o jogo da nossa princesa quebra, e ela se vê sem casa. Na iminência do jogo desaparecer do fliperama, Ralph encontra a solução para o problema da amiga na internet, comprando a peça que estava faltando para consertar a máquina. O problema é que a internet em si é um mundo completamente novo para os dois, e esse mundo novo abre novas possibilidades e perspectivas para eles. E isso nem sempre significa olhar para o mesmo lado.

WiFi Ralph segue a receita do filme anterior para agradar em cheio o seu público alvo, ou seja, o infantil e infanto-juvenil. Definitivamente, não é um filme feito para os teenagers, apesar de toda a ação e as referências culturais que, no caso da internet, tem aos montes, tal e como era de se esperar. Na prática, o filme atualiza o seu conceito para se comunicar melhor com a atual geração (afinal de contas, seis anos de diferença entre o primeiro e o segundo filme), e dentro do que foi apresentado, a Disney foi bem sucedida na iniciativa.

 

 

Em termos técnicos, as evoluções são visíveis. Toda a parte de animação está impecável, com diferentes técnicas de animação adotadas e gráficos mais bonitos, que deixam os personagens principais mais expressivos. Em algumas cenas, foi possível perceber o esmero do time técnico em entregar um trabalho que saltasse aos olhos de quem está assistindo. Levando em conta que este é um desenho pensado nas crianças, tudo é muito colorido e chamativo, do jeito que elas gostam.

O roteiro de WiFi Ralph é bem estruturado. Reserva pequenas surpresas dentro das soluções apresentadas. Apesar de não apresentar grandes surpresas ou plot twists, ao menos temos uma narrativa que tem uma linha de coerência, sem apelar para os absurdos. Ao mesmo tempo, aborda de forma superficial vários aspectos da internet, incluindo alguns temas mais complexos dentro de suas tramas, como por exemplo a popularidade das redes sociais, a deep web, a exposição no YouTube por atitudes imbecis apenas por causa de likes e outros temas que considero relevantes em tempos de internet.

E… sim… um dos pontos altos do filme foi a piada com as princesas da Disney. E tudo é feito de forma bem descolada, saindo do tradicional e modernizando todas as personagens. De fato, uma decisão corajosa dos roteiristas, pois eles estavam mexendo em personagens que são praticamente sagradas para o universo da Disney. Felizmente, tudo funcionou muito bem, e todos ficarão satisfeitos com o resultado final.

Mas a parte mais legal de WiFi Ralph é a mesma que todos os filmes da Disney conseguem passar: as lições.

 

 

Não só deixa claro para todo mundo a importância de uma amizade, que Ralph efetivamente se torna o herói de Vanellope (e de várias formas), que a verdadeira amizade deixa a outra pessoa livre e apoia os seus sonhos, que correr atrás de um sonho é fundamental para uma vida plena, que buscar formas diferentes de viver e sair do lugar comum é o que mantém o nosso espírito jovem… são tantas coisas boas, que a experiência de ver o filme fica mais completa e prazerosa para qualquer público.

WiFi Ralph pode não ser um filme da Disney no mesmo nível que aqueles feitos em parceria com a Pixar (que, de novo, são filmes pensados em todos os públicos), mas partindo do princípio que as minhas expectativas estavam baixas depois de rever o primeiro filme (e entender que ele era melhor na minha cabeça), o segundo filme até que me surpreendeu positivamente.

Sendo bem objetivo: o seu filho vai gostar, e se você tiver uma boa dose de participar da aventura com ele, vai gostar também.