A relação entre indústria e a crítica sempre foi complicada. Alguns querem vender conceitos e outros procuram “educar” a audiência. E o choque é inevitável. E embora a figura do especialista pareça necessária, a sua opinião é usada apenas quando ele está interessado.

Mas a máquina publicitária faz o seu trabalho, as pessoas vão ao cinema para se divertir e, no final, o que os críticos dizem acaba importando muito pouco.

Pelo menos nas bilheterias. Foi o que aconteceu com Venom. A adaptação dos quadrinhos da Marvel se tornou um dos grandes blockbusters de 2018: já arrecadou US$ 854 milhões, superando filmes como Liga da Justiça (US$ 657 milhões ou Deadpool (US$ 783 milhões), para citar alguns exemplos que deixam clara a magnitude de seu sucesso.

Já os críticos (eu, inclusive) detestaram o filme: 29% de aprovação no RottenTomatoes e 35/100 no Metacritic.

O que aconteceu?

O criador de Venom tem uma teoria sobre isso.

Em uma recente entrevista, o artista de quadrinhos Todd McFarlane, creditado como o criador de personagens como Venom e Spawn, deu a sua opinião sobre os comentários negativos que recebeu o filme protagonizado por Tom Hardy:

“Venom foi como andar em uma montanha russa. Visualmente, tudo vinha em em sua direção. Eu acho que às vezes os críticos estão errados, porque eles esquecem que tem 42 anos de idade e chegam com a sua atitude e um discurso como se tivessem 15 ou 16 anos de idade. (…) e basicamente eu só queria ver representado o Venom que eu criei 30 anos atrás.”

 

Todd McFarlane tem 57 anos de idade, e falha ao apontar que um crítico com 42 anos de idade está com a visão equivocada do filme. Pessoas com idades muito diferentes detestaram Venom, mas eu acho que é justo salientar que muitos críticos simplesmente se esquecem para quem o filme foi feito. E, para Todd, Venom é um filme para adolescentes.

Talvez esse seja o problema.

Logo, fica a dica se você não gostou do filme, é porque você não entrou em sintonia com a faixa etária para o qual ele foi feito. E não porque o filme é ruim.

E sinta a ironia nas minhas palavras no parágrafo anterior.

 

Via Yahoo