Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha mostra a peculiar amizade/amor platônico entre a octogenária rainha Victoria (Judi Dench) e o jovem indiano Abdul (Ali Fazal). Os contrastes das gerações mostram o quão enriquecedor esse encontro pode ser, mas também revela toda a infeliz superficialidade que existia na monarquia britânica da época.

De forma resumida, vemos como Abdul, um humilde rapaz indiano, vai parar na monarquia britânica. E tudo por causa de uma moeda. Na época, a Índia era controlada pelo Reino Unido, e a rainha Victoria iria receber uma homenagem do governo indiano, através da tal moeda.

Apesar de receber instruções claras de que jamais tentasse um contato visual com a rainha, Abdul se atreve a contrariar tal regra. E Victoria acaba se encantando por esse olhar. Até porque ninguém olhava para ela por qualquer motivo. Aqui, se revela a necessidade que a rainha sentia em ser olhada como um ser humano, e não mais como uma monarca.

Victoria se sentia só, mesmo cercada de várias pessoas. Se sentia usada pelos seus bajuladores. E sentia que o rapaz ao menos lhe dava atenção e apresentava algo de diferente ao seu dia a dia, com doses de cultura e tradições da Índia. Sem falar nos cuidados e na fidelidade que Abdul demonstrava ter por aquela senhora.

Victoria se sentia viva e feliz por esse relacionamento. Era o que lhe faltava no final de vida. E isso despertou os ciúmes de seus assessores mais próximos, a inveja dos seus funcionários, e a revolta do seu filho/herdeiro do trono.

E várias idas e vindas mostram o desenvolvimento dessa interessante trama.

 

 

Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha é um ótimo filme. Uma produção grandiosa e impecável. Um filme de ótimo gosto em vários aspectos, até mesmo quando decide abordar os pontos inusitados da intimidade da rainha. Ao mesmo tempo, tem uma narrativa que não cansa, e que consegue mostrar os traços mais bonitos da humanidade da protagonista.

Não é difícil apostar que Judi Dench será indicada ao Oscar 2018 por mais uma rainha que fará no cinema (além da mesma rainha Victoria feita por ela em 1997, que lhe rendeu a primeira indicação ao Oscar, temos a rainha Isabel I, que resultou no Oscar em 1999, por Shakespeare Apaixonado). Sua atuação é impressionante, apostando muito no olhar e nas expressões faciais. Sua capacidade de interpretação nem precisa ser mirabolante para tornar uma rainha que era tida por muitos como temperamental e irritadiça em uma senhora doce, que mostrava sua candura através de um último amor na vida.

A trama tem momentos surpreendentes, que tornam a narrativa dinâmica. O conjunto do elenco é igualmente muito bom, o que ajuda a construir a consistência e credibilidade da história contada. É fácil se envolver com as causas de todos, e criar empatia imediata com o inusitado casal formado pela rainha e o seu professor.

 

 

Victoria e Abdul: O Confidente da Rainha deixa algumas lições bem pontuais. O amor na terceira idade, a amizade entre uma mulher idosa e um jovem rapaz (mesmo com interesses, pois o filme deixa claro que haviam interesses dos dois lados), os preconceitos dos aristocratas, as diferenças culturas, a solidão que os idosos sentem, a dor de quem se decepciona, a luta pelo poder, entre tantas outras.

Mas o mais importante de tudo é que o filme faz isso de forma leve, rindo de si mesmo, rindo das obviedades dessas diferenças, e mostrando como o lado humano dos envolvidos prevalece em vários momentos.

É um filme que pode ser assistido por toda a família, mas acredito que as vovós vão aprender mais com a rainha Victoria do que nós, adultos. Vale a pena levar uma senhorinha pela mão para assistir esse filme em uma tarde de domingo.