A HBO optou pela quantidade.

Recentemente, eu publiquei aqui no blog sobre o dilema que a HBO estava enfrentando, buscando formas de combater o avanço da Netflix. Richard Plepler, CEO da rede do It’s Not TV, se pronunciou no passado de forma clara: “Mais não é melhor, só melhor é melhor”.

A prova que Plepler era voto vencido dentro da HBO foi a sua renúncia em 28 de fevereiro, depois de quase 28 anos na mesma empresa. Ele era o máximo defensor da filosofia que o canal tinha que ser uma alternativa diferenciada na grade de programação, sempre rechaçando a estratégia da quantidade.

Pois bem, a partir de agora, tudo muda. A AT&T, dona da HBO, anunciou que vai aumentar o seu conteúdo original em 50% em 2019, além de uma reestruturação na sua organização interna, com o objetivo de acelerar a produção desses conteúdos.

A principal mudança interna é que a Time Warner, que era dona da HBO e foi adquirida pela AT&T por US$ 85 bilhões, deixa de existir para dar lugar para dar lugar para a WarnerMedia, que vai agregar todos os formatos de negócios de mídia da empresa, abrigando quatro sub-divisões: WarnerMedia Entertainment, WarnerMedia News & Sports, Warner Bros.’ film, television, and games e WarnerMedia Affiliates and Advertising Sales Groups.

 

 

O início de uma nova era para a HBO

A partir de agora, nasce uma nova HBO, que passa a fazer parte de um conglomerado muito maior e com maior poder. A reestruturação contempla a demissão de funcionários para reduzir custos para obter orçamento para aumentar a programação original nos tais 50% propostos. A empresa não confirma as demissões, mas informou que buscam encerrar as funções administrativas duplicadas.

Na era Plepler no comando da HBO, o canal entregou séries como The Sopranos, The Wire, Sex and the City, Veep, Six Feet Under, Westworld e Game of Thrones. Porém, para competir com a Netflix, o canal precisava mudar. Ou entendeu que precisava de mais horas de conteúdo para gerar receitas maiores. Assim, a HBO vai produzir até 150 horas de produção original, o dobro do alcançado em 2018.

A grande dúvida aqui é se a HBO será capaz de manter a qualidade nas suas produções. Quem vai responder essa pergunta é Robert Greenblatt, que será o responsável maior pela nova era do canal, onde a qualidade segue importante, mas não é a única coisa que manda, já que os tempos são outros. A TV reina, mas compete hoje com videogames, computadores, smartphones, tablets e plataformas de streaming.

Lembrando que Bob Greenblatt fez da NBC um canal líder de audiência qualificada nos últimos anos, apostando nas séries de Dick Wolf, reforçando a programação esportiva e em dramas mais elaborados e com temáticas diferenciadas.

Quem sabe ele pode ser o nome certo nessa nova HBO que começou a nascer.

 

Via BusinessWire