Porque hoje não é um domingo qualquer. Hoje é o domingo do Super Bowl.

Hoje é o domingo do Super Bowl LIII, a final da liga de futebol americano da NFL. Por isso, eu queria escrever sobre um dos melhores filmes sobre o esporte já produzidos por Hollywood e, com certeza, o filme mais popular ou bem sucedido nos aspectos comerciais. Um Domingo Qualquer, escrito e dirigido por Oliver Stone, tem importância histórica para solidificar a popularidade da NFL ao redor do mundo (mesmo que o filme não carregue a marca da liga), como também ajudou a derrubar vários mitos previamente estabelecidos, além de jogar várias verdades na cara de todo mundo.

O filme mostra as dificuldades de um time de futebol americano qualquer que, em um domingo qualquer, perde dois quarterbacks (ou armadores, que é a posição mais importante do time) no mesmo jogo. O segundo reserva, um jovem promissor, porém, indisciplinado e nada agregador, assume a titularidade e inicia uma pequena revolução no time, que é perneada pelo confronto direto entre o velho e o novo, onde o passado e o presente lutam para trabalhar juntos para vencer.

Oliver Stone entrega uma experiência imersiva e intensa em Um Domingo Qualquer. O filme pode ser considerado como “datável” na sua estética, uma vez que algumas de suas escolhas para a produção e edição do filme são típicas do final da década de 1990, onde o olhar mais urbano e espetaculoso se faz presente. Aliás, há um certo tom de crítica ao resultado final de Stone, por considerarem o filme extremamente comercial, buscando o espetaculoso, procurando impressionar a audiência o tempo todo.

Por outro lado, é inegável observar o olhar mais visceral de Stone para tudo o que é apresentado. O diretor basicamente coloca o espectador em campo, nos vestiários e nos bastidores, e não apenas como testemunha ocular dos eventos, mas inclusive como um dos jogadores. Eu sei que isso não é possível, mas a ideia que é passada é que, se fosse possível, o espectador sentiria na pele todos os eventos apresentados.

Algumas situações podem ser consideradas um exagero para deixar a narrativa ainda mais dramática. Mesmo assim, não dá para negar que toda a intensidade impressa em tela acaba sendo algo envolvente para quem assiste. Os primeiros 20 minutos de Um Domingo Qualquer envolve a ação esportiva, e os últimos 30 minutos também. Porém, alguns dos eventos que ocorrem fora de campo, apresentando os conflitos e o desenvolvimento dos personagens, são tão interessantes quanto a ação esportiva apresentada em tela.

A produção do filme é enorme e muito bem feita. A reprodução dos jogos de futebol americano é muito próxima da realidade, e mesmo sem poder utilizar a marca NFL e suas franquias, fica mais ou menos claro do que estamos falando (isso é, para quem conhece o esporte; para os leigos, é tudo tão convincente, que dá a entender que tudo aquilo realmente é real).

Um Domingo Qualquer tem um elenco excelente. Al Pacino, Cameron Diaz e Jamie Foxx, todos muito competentes, colocando personalidade aos seus personagens. Os diálogos fortes e as situações viscerais (algumas delas extremas, inclusive, indo de nudez frontal em cena – sem pudores aqui, minha gente – até consumo de drogas, algo que ninguém tinha coragem de associar de forma explícita ao futebol americano) ajudam e muito no desenvolvimento da narrativa e dos personagens envolvidos. Todos são facilmente identificáveis em suas personalidades e aspirações, o que ajuda e muito no desenvolvimento da história.

 

 

E o que podemos aprender com Um Domingo Qualquer?

 

 

Como eu disse no parágrafo anterior, esse filme teve a coragem de tocar em feridas consideradas inexistentes para o grande público e para a lisura da NFL. E, mesmo sem vincular diretamente à liga de futebol americano, o filme acabou influenciando na visibilidade da instituição NFL, para o bem ou para o mal.

O filme ajudou a aumentar a popularidade da NFL no mundo todo, ao mesmo tempo em que puxou o freio de muitos que queriam uma liga mais física. Também levantou discussões sobre problemas que existiam no futebol americano profissional na época, como o consumo de drogas por parte dos jogadores profissionais, a vida desregrada dos jogadores, que viravam super astros dentro e fora de campo, as graves contusões que eram omitidas dos torcedores, imprensa e dos próprios treinadores, os esquemas irregulares de mudança de sede de franquia, e outras problemáticas típicas do esporte.

Toda essa abordagem fez com que a NFL revisasse vários de seus conceitos, o que ajudou a tornar a liga ainda maior. Aliás, vou além: hoje, essa é a liga esportiva mais popular dos Estados Unidos, e uma das mais lucrativas do mundo, e esse cabedal cultural que o filme oferece foi fundamental.

Porém, Um Domingo Qualquer também deixa lições para a nossa vida prática. Por exemplo, a importância do trabalho em equipe dentro de um time de futebol americano, e como o seu time pode se voltar contra você se a sua postura for inadequada. Além disso, o velho precisa aceitar o novo, e o novo precisa aprender com o velho. O equilíbrio entre as duas forças precisa acontecer para os resultados serem alcançados.

Enfim, Um Domingo Qualquer é um excelente filme de apresentação do futebol americano para os leigos, mas que tende a agradar os fãs do esporte por ser cru nas suas convicções. É uma excelente maneira de entrar no clima do Super Bowl. E não apenas para o jogo desse ano, mas para os próximos que virão.

De novo: hoje não é um domingo qualquer. Hoje é um domingo de Super Bowl. E é por isso que hoje é o dia perfeito para você assistir a esse filme.