A Netflix pegou muita gente de surpresa ao anunciar um filme que será um crossover entre O Mágico de Oz e Alice no País das Maravilhas. A ideia do crossover em si pode parecer surpreendente, mas fato é que Dorothy e Alice já se encontraram em algumas oportunidades no passado, o que torna a solução mais plausível (ou menos absurda) e, de forma surpreendente, menos original do que muitos imaginam.

Se bem que a falta de originalidade não me incomoda. De verdade. Esse é o tipo de crossover que eu encaro numa boa, apesar de clamar de forma quase desesperada por novas histórias no mundo do entretenimento.

De qualquer forma, já vimos esse crossover antes. E não foi tão distante assim. Ou você já se esqueceu da tentativa fracassada de Once Upon a Time pela ABC em Once Upon a Time in Wonderland? Pois é. Foi tão ruim, que você simplesmente esqueceu.

 

 

Parando para pensar de forma racional, tanto a história de Alice como a de Dorothy tem como pontos comuns a jornada de auto-descobrimento e a (quase) viagem de drogado de suas propostas. E são dois mundos que podem perfeitamente se encontrar sem maiores constrangimentos. Por isso, eu defendo a iniciativa, sem achar que a ideia é uma sandice total.

Logo, se bem roteirizado e produzido, as chances desse crossover da Netflix vingar são consideráveis. Até porque estamos falando de duas histórias que, por si, criam uma empatia imediata com o público.

 

 

Por outro lado, não apenas pela repetição da proposta, mas por abordar personagens que são mundialmente conhecidos ao longo de décadas, a falta de originalidade e de perfis novos no mundo do entretenimento resultam em um certo sentimento de pré-antipatia ao projeto. E eu não estou afirmando que será uma bomba antes de ver. Só que desanima um pouco.

Da mesma forma que eu desanimei por completo em sair de casa para ir aos cinemas para ver o remake live-action de Dumbo, pois fiquei com a pergunta na cabeça: “nós realmente precisamos disso?”.

Mas eu vou querer ver esse crossover entre Dorothy e Alice. Pode sair coisa boa sim. Vou dar uma certa dose de crédito para a Netflix, apesar do histórico ainda ser negativo nas produções originais do cinema (nem Roma equilibrou essa balança por enquanto; quem sabe The Irishman).