Transformers: O Lado Oculto da Lua

Todos foram enganados. O tempo todo.

Transformers: O Lado Oculto da Lua é o primeiro da franquia que se leva a sério, mas que entrega um plot que resulta em uma sequência de absurdos, que por sua vez culmina em uma batalha épica e sem sentido. Bom, eu deveria ter entendido melhor que são robôs alienígenas gigantes brigado entre si, e só por isso eu já devia mandar a coerência para o espaço.

Mas eles decidem trazer o planeta deles para o nosso, e…

Mais uma vez, temos os humanos se achando os espertões, mas que ferram com tudo. Para começar, nunca engane o Optimus Prime. Nunca. Ele até pode não se voltar contra você, mas provavelmente ele não vai voltar a confiar em você com a mesma facilidade.

Os humanos sabiam da existência dos robôs alienígenas desde a década de 1960, quando chegaram à Lua. Lá, Neil Armstrong e Buzz Aldrin encontraram um grande Prime, o Sentinela, que ficou adormecido esse tempo todo. Sem falar que trouxeram uma peça essencial para mais uma vez colocar o universo em colapso. Mais do que isso: trazer Cybertron para engolir a Terra. Literalmente.

No lugar de deixar Sentinela dormindo na Lua, Optimus Prime acredita que ele é o único que pode impedir o pior para a Terra, caso os Decepticons descubram que esse dispositivo está dando bobeira por aqui. E vai buscar o robô.

 

 

Nesse meio tempo, nosso amigo Sam é enganado também, já que ele é usado de boi de piranha pelos Decepticons, pelo chefe de sua nova namorada (saudades, Megan Fox…) e até pelos AutoBots (mas esses últimos são bonzinhos). Se envolve no conflito para ser garoto de leva e trás. Além de matar o McDreamy no filme, o que é até válido.

Mas, voltando ao corno da vez: Optimus Prime é mais uma vez enganado, pois logo depois de despertar Sentinela, ele descobre que o cara fez um acordo com os Decepticons para garantir a sobrevivência de Cybertron (que não existe do jeito que ele conhecia), e se volta contra os AutoBots. Mais adiante, Sentinela trapaceia de novo, decidindo mandar na coisa toda, e deixando Megatron como um inútil.

Sentinela decide trazer o planeta dele para o nosso, e isso desencadeou no maior combate corpo a corpo entre AutoBots, Decepticons e Humanos até agora, dentro dos filmes da franquia.

Durante mais de uma hora (a segunda metade do filme inteira, basicamente).

 

 

Transformers: O Lado Oculto da Lua é  primeiro filme da franquia onde a galhofa aparece e se espalha da forma mais explícita. Cenas envolvendo o Agente Simmons e a nova Secretária de Defesa são vergonhosas. O envolvimento dos russos na trama não serve para nada. Aliás, o próprio filme brinca um pouco com os exageros de alguns personagens em falas pontuais. Mas tudo é over demais, e o fato do filme se levar a sério demais com argumentos totalmente evitáveis faz com que o crivo de realidade seja totalmente destroçado.

Sim… se os AutoBots não mais estivessem na Terra, os Decepticons não estariam mais por aqui. Sim… se os humanos não tivessem mentido para Optimus Prime, ele jamais teria buscado o Sentinela hibernando na Lua, e o problema todo não teria acontecido. Sim… é muita coincidência o novo chefe da nova namorada de Sam ser o vilão humano megaevil do filme…

Aliás, é evidente que os humanos não são confiáveis. O único confiável é o Sam, e olhe lá, porque até ele tenta enganar Optimus Prime (de novo, o corno gigante do filme). Logo, por que diabos o Optimus ainda fica por aqui? Para nos proteger de nós mesmos?

Outra coisa: todo o conflito poderia ser resolvido em cinco minutos.

 

 

Em condições  normais de temperatura e pressão, Sentinela não levaria mais que cinco minutos para virar uma chave para acionar o portal que traria Cybertron para engolir a Terra. Levando em conta que ele tinha robôs espalhados em todo o planeta, era o que deveria ter feito, e bem rápido. Não tinha ninguém para impedí-lo: Optimus Prime desaparece para ficar mais fortinho, os demais AutoBots estão lutando contra outros robôs voadores… ou seja, tudo a favor.

Mas… não!

Ele espera!

Espera porque precisa ter vários embates desnecessários entre robôs gigantes, e algo até então não visto: os humanos tendo que se virar sozinhos para derrubar os Decepticons. Isso fez com que o duelo final se alongasse para praticamente meio filme, para no final das contas termos o duelo final entre Optimus Prime, Sentinela e Megatron, com este último caindo na porrada porque teve crise de recalque.

O grande problema de Transformers: O Lado Oculto da Lua é que ele se leva a sério demais. Faz um cenário de crise ser algo tão impossível de ser resolvido, que a gente simplesmente não se importa mais. Me fez questionar a importância dos Vinagadores, já que basta soldados fortemente armados e sem poder nenhum para derrubar grandes ameaças alienígenas. Nem precisa ser herói pra isso.

Enfim, Transformers: O Lado Oculto da Lua é o pior dos três na sua história. Nos aspectos técnicos, apresenta os melhores efeitos os robôs mais perfeitos e tudo aquilo que os fãs gostam de ver em filmes desse tipo. Mas é um filme cuja história perdeu o pé, a cabeça e o sentido rapidamente. Marca o fim de Shia LaBeuf na trama, uma vez que ele como Sam não evolui nunca, sendo sempre o moleque perdedor medroso. Mas, fora isso, foi um baia caça níquel que nada agrega.

Vamos ver se o quarto filme acrescenta algo de novo, mas sem muitas esperanças disso acontecer.