E a grande pergunta que todos estão fazendo é: a Record copiou o MasterChef da Band na cara dura?

Bom, antes de qualquer coisa, eu preciso pedir para essas pessoas para parar com isso. Na verdade, os programas nasceram praticamente juntos e em países diferentes, e se alguém copiou alguém foi a Bravo (nos EUA) que copiou a BBC (no Reino Unido), uma vez que o formato atual de MasterChef estreou em 2005, e Top Chef estreou nos Estados Unidos em 2006.

Dito tudo isso, a Record obviamente decidiu apostar no filão que a Band está sendo bem sucedida, mas é preciso lembrar que o canal aposta nesse segmento a algum tempo, com os realitys do Buddy Valastro. Assim como o SBT, que importou o Hell’s Kitchen e o Bake-Off para o Brasil. Logo, apostar em Top Chef é uma aposta segura, considerando o fato que a TV brasileira abraçou esse tipo de programa a algum tempo.

Existem diferenças substanciais entre Top Chef Brasil e MasterChef Brasil, e tais diferenças podem deixar a dinâmica do programa mais clara, além de criar a empatia com um grupo de espectadores que preferem esse tipo de combinação de elementos.

A diferença mais importante entre os dois programas é que em Top Chef Brasil participam de forma prioritária os cozinheiros profissionais. Já a franquia principal de MasterChef Brasil tem como objetivo encontrar um talento gastronômico entre cozinheiros amadores (existe uma variante do programa com profissionais, que deve ser aposentada no Brasil, mas não é parte da franquia principal). Essa diferença faz com que a barra de dificuldade fique mais alta desde o primeiro dia, sem falar que as personalidades dos competidores naturalmente são mais fortes. Bem acentuadas ao meu ver.

E esse é o segundo elemento que diferencia um programa do outro. Em Top Chef Brasil, as diferentes personalidades podem influenciar ainda mais nas decisões tomadas na cozinha, pois como cada um deles tendem a ser líderes naturais em suas vidas, as situações de conflito podem ter resultados ainda mais imprevisíveis e permanentes na convivência do coletivo, e os conflitos interpessoais, de forma inevitável, vão influenciar na competição.

 

 

Ainda falando sobre o segundo item, os competidores precisam conviver juntos em uma casa, o que naturalmente vai acirrar os ânimos entre os envolvidos. E como a audiência vai poder ver essa parte da convivência entre os competidores, existe a possibilidade do público criar uma maior empatia ou antipatia com os protagonistas dessa disputa.

Do mais, a mecânica entre os dois programas são bem similares. Uma primeira prova que pode garantir a imunidade para o vencedor (ou vencedores) da prova, e uma segunda prova de eliminação, onde o pior vai embora para casa. Não temos um apresentador nesse programa, e os próprios jurados (também especialistas em gastronomia, obviamente) explicam a mecânica do programa e das provas. Aliás, o Brasil é um dos poucos países do mundo onde o MasterChef tem uma apresentadora.

Eu sou suspeito para falar, porque eu já gostava muito do Top Chef norte-americano. Hoje, não assisto tanto porque eu não tenho TV a cabo em casa. Mas é bom ver que o reality chegou ao Brasil. Mas para a grande maioria que nunca ouviu falar do programa, o que eu posso dizer é que: se você gosta de MasterChef Brasil, muito provavelmente vai gostar de TopChef Brasil. O grande problema (na minha opinião) é na forma em como a Record adapta os realitys importados. Só espero que façam direito dessa vez (ou pelo menos que envolva o mesmo esforço do Dancing Brasil, que não deixou muito a desejar do Dancing With the Stars).

 

 

E respondendo a pergunta de R$ 300 mil (o prêmio do vencedor do Top Chef Brasil): não… não é uma cópia de MasterChef Brasil.

O program obviamente parece com o reality da Band, mas tem diferenças substanciais em sua mecânica, o que resulta em uma personalidade própria para o projeto. Se você conseguir criar empatia com os jurados e decidir “amar odiar” alguns candidatos mais pedantes, você tem ótimas chances de ficar e conferir a temporada até o fim.

E eu recomendo que você fique. Pode render coisas muito boas nas noites de quarta-feira.