Thor: Ragnarok

Que a Força esteja sempre com você!

Não, eu não estou falando de Star Wars. Estou falando de Thor: Ragnarok. O filme mostra uma reinvenção da forma de apresentar o personagem, ao mesmo tempo que mantém características típicas dos filmes da Marvel Cinematic Universe. É uma reinvenção, mas sem perder a sua essência.

Para começar, muito se leu sobre este filme ser uma comédia de ação. E, de fato, é uma comédia de ação. É o filme mais divertido de Thor até agora, o que tem até um certo sentido de ser. Afinal de contas, o cara do martelo passou do arrogante/prepotente do primeiro filme para o cara popular do segundo filme e, de tanto tempo que passou com os humanos, assumiu o modo “zoeira never ends” no terceiro filme.

Thor se humanizou. Não que necessariamente todos os humanos sejam stand-up comedies em potencial, mas mas o maior bom humor e sarcasmo que ele assume nesse filme era algo que ele não tinha. Aliás, não só ele, como os principais envolvidos em Thor: Ragnarok. O filme é cheio de piadinhas localizadas, onde algumas delas soam até como cutucadas/piadas internas (como as feitas com Natalie Portman e Idris Elba).

Isso pode incomodar um pouco os mais “puristas”. Quem leva o personagem muito a sério e esperava um Ragnarok mais sério (pensando em tudo o que esse evento representa para Thor e Asgard) pode se incomodar com o filme. Por outro lado, temos sempre que lembrar que a Marvel já sabe como fazer seus filmes, tem mais acertos do que erros no cinema, e a proposta clara desse longa foi definitivamente desconstruir tudo o que Thor vinha apresentando, para apresentar algo novo, para um público novo. Uma nova geração de fãs que chegam a este universo.

 

 

O roteiro de Thor: Ragnarok oferece algumas soluções para questões que ficaram abertas em Thor: O Mundo Sombrio. E não falo apenas de explicar que fim levou Jane Foster, mas também em dar um desfecho para a jornada de Odin… enquanto o seu ator ainda estava aí para fazer o filme. Em uma série de filmes, isso é muito válido.

E… falando na trama…

Uma coisa que fica clara na Fase 3 da Marvel Cinematic Universe é: “família importa”. Mais uma vez vemos o filme de heróis da Marvel abordar temas familiares, uma vilã com sede de vingança por causa de um pai que não olhou para o seu lado dominadora do mundo, voltamos a ver Thor e Loki se tratando como irmãos competitivos, e mais uma vez testemunhamos um time de “amigos” (por linhas tortas ou não, mas isso não importa) trabalhando juntos para salvar o mundo.

Bom, quero dizer…

Pode ser que a Marvel esteja se repetindo um pouco. Afinal de contas, não há a necessidade de todos os filmes da MCU adotarem o formato de time para resolver tudo. Homem-Aranha: De Volta Ao Lar foi interessante porque era o amigo do bairro tendo que resolver tudo sozinho (nem Tony Stark ajudou o moleque). Doutor Estranho também funcionou por conta da jornada solitária que o protagonista fez.

Já temos Os Guardiões da Galáxia e o próprio Vingadores para saciar o trabalho colaborativo. Não precisam todos os filmes da MCU adotarem a mesma fórmula.

Se bem que em Pantera Negra a coisa muda de novo, mas isso é outra história.

 

 

De qualquer forma, Thor: Ragnarok é um ótimo filme. Mesmo não sendo o melhor dos três desse herói, ele entrega o que promete: diversão. É preciso ver esse filme com olhos de bom humor, porque ele é, acima de tudo, divertido. Bem divertido. Engraçadalho em alguns momentos, mas com piadas que funcionam. Aliás, o roteiro aposta muito sabiamente no carisma dos personagens principais: Thor, Loki e Hulk já são amados pelo público. Mas o Grande Mestre (Jeff Goldblum) consegue roubar a cena.

Talvez eu esperasse mais de Hella (Cate Blanchett), que passa a maior parte do filme lidando com o fato dela ser uma zé ninguém em Asgard, e para se fazer respeitada, toma medidas que mais intimidam do que demonstram força. Se bem que ela recebeu uma cena de luta muito bem coreografada (mas esse é argumento pra defender Michael Bay, e não quero usar isso para elogiar o filme).

Outro ponto que pode incomodar muita gente é a forma como o time de heróis resolvem o conflito com Hela. Tudo bem, é uma história de fantasia, mas precisa ter uma logística para resolver problemas.

 

 

Mas o ponto mais interessante de Thor: Ragnarok é como ele se reinventou, mas buscando as referências do passado da franquia. Um claro exemplo disso é a similaridade entre Thor e Tony Stark no que se refere à essência dos seus poderes. No mesmo terceiro filme, Tony descobre que o Homem de Ferro é ele, e não um eletro imã. Já Thor vai entender o que é efetivamente ser o Deus do Trovão, entendendo que a divindade estava dentro dele o tempo todo, e usar isso a seu favor. E essa é uma das lições mais significativas do filme.

Aliás, Thor finalmente se torna o herói lendário e ainda mais poderoso nesse filme. É agora um herói completo, sob vários aspectos.

Do mais, mais uma vez voltamos a olhar para a corrida pelas joias do infinito, assim como a sede de vingança contra alguém e alguma coisa. Já sabemos como parte do time dos Vingadores se encontram em terra. Só resta saber como Pantera Negra fará o link para os eventos de Guerra Infinita. Mas vamos ter que esperar até fevereiro de 2018 para descobrir.

 

 

Por fim, Thor: Ragnarok vale a pena, e muito. Não é perfeito, não é o melhor dos três filmes do herói, mas é um filme que se paga. São 2h10 que passam rápido, em um roteiro que tem ritmo na medida certa (acelera quando precisa, diminui quando precisa), e que fatalmente vai garantir mais alguns milhões de dólares nos cofres da Marvel.

Que venha Pantera Negra em fevereiro de 2018.

Mas antes… que venha Liga da Justiça em novembro, Star Wars em dezembro…

Que final de 2017, amigos!