A oitava temporada de The Walking Dead pode ter sido uma decepção para muita gente. Já eu acho que a série corre atrás do próprio rabo desde a quinta temporada, pelo menos. Se repete demais e não desenvolve suas tramas de forma eficiente.

Porém, não há indícios de que The Walking Dead vai terminar tão cedo. Está renovada para a sétima temporada, e os quadrinhos de Robert Kirkman (que servem como material base para a trama) estão bem longe de terminar.

Ou seja, goste você ou não, The Walking Dead não dá sinais de esgotamento. Pelo contrário: dá muito dinheiro aos seus realizadores.

Que a paciência de muita gente com a série de TV se esgotou é um fato. Nem o sádico e violento Negan, muito esperado pelos fãs de quadrinhos, resolveu os problemas de ritmo e desenvolvimento de personagens.

As críticas são evidentes. Repito: desde a quinta temporada está bem claro que os zumbis ficaram em segundo plano, e o que importa agora é como ficou a sociedade de sobreviventes. E nem pra explorar direito esse aspecto a série se presta. Se limitou a mostrar um Rick Grimes tomando decisões estapafúrdias e sofrendo.

 

 

O comic teve altos e baixos, mas parece ir melhor nas críticas. E, mesmo assim, há quem acuse Kirkman de não oferecer nada novo.

Quando se subentendeu em 2017 que Kirkman pretendia encerrar o comic mais cedo do que o esperado (algo que o próprio Kirkman desmentiu), não faltou quem se perguntou se não era a hora da história chegar ao fim.

Porém, a verdade é que não existem razões empresariais para o fim de The Walking Dead. É um dos dez comics mais vendidos dos EUA, e o único que não recebe as marcas Marvel e DC. Em 2012, sete das dez graphic novels mais vendidas pertenciam à The Walking Dead, liderando o ranking pelo terceiro ano consecutivo.

O boom de vendas do comic coincide com o início da série na AMC, que depois de superar a marca de 10 milhões de espectadores em média desde a terceira temporada, teve na oitava temporada uma espetacular queda. Dos 14 milhões toais que a quinta temporada teve de média (a mais assistida da série até agora), a oitava encerrou com menos de 8 milhões, com os seis últimos episódios com números similares aos da segunda temporada.

Mesmo assim, The Walking Dead é um sucesso na AMC, com audiências comparáveis aos dos canais abertos norte-americanos (e demos até melhores em alguns casos). Exemplo: a oitava temporada tem números similares aos de The Good Doctor e melhores que Grey’s Anatomy e Empire.

 

 

Comparando com outras séries dos canais básicos da TV paga dos EUA, bate de longe American Horror Story: Cult (FX, 2.5 milhões), Vikings (TNT, 2 milhões), e Rick and Morty (Adult Swim, 3 milhões).

Mesmo perdendo 28% de sua audiência total, a série foi a mais vista da TV a cabo dos EUA na semana de 16 de abril (na métrica ao vivo + mesmo dia), superando os playoffs da NBA e os programas do WWE Raw.

Em resumo: The Walking Dead continua a ser a galinha dos ovos de ouro para a AMC e para a Image, editoria dos seus comics. As reclamações de muitos fãs não estão afetando (por enquanto) a rentabilidade da marca.

Mas vamos acompanhar a queda de audiência da série na próxima temporada. Ainda mais agora que Rick Grimes vai deixar a trama.