Eu assisti ao piloto de The Cool Kids com um pé atrás. Acho bacana ter uma série que aborda o universo da terceira idade, tentando quebrar um monte de mitos estabelecidos pela sociedade ao longo de décadas, e tentando deixar mensagens positivas junto ao espectador.

Só não sei se o mundo real se identifica com a forma em como a série decide apresentar esse grupo de idosos que tentam redefinir suas existências, buscando uma vida mais dinâmica e divertida.

A série mostra o convívio singular de um grupo de quatro amigos que vivem em uma casa de repouso para idosos. Quando um deles vem a falecer, a vida se encarrega de substituí-lo por uma senhora vivida, cheia de iniciativa e de temperamento forte.

Isso acaba gerando um conflito natural com pelo menos um dos integrantes do grupo de amigos. Aliás, é um grupo de idosos simplesmente raro na sua composição: um negro mandão e de fala firme, um branco com várias experiências de vida (e o cérebro ligeiramente afetado pelo consumo de substâncias das mais diversas), e um gay tímido com problemas cardíacos.

A chegada da mulher em um grupo de homens tão diferentes muda um pouco a ordem das coisas, com reflexos imediatos na vida dos três. Ao mesmo tempo, o quarteto começa a lidar com os diferentes entendimentos de qualidade vida vindos da coordenadora da casa de repouso.

E o desafio dos quatro é mudar tudo. Gradativamente.

 

 

The Cool Kids não é um piloto ruim. Até dei algumas risadas, mas não sei se as pessoas vão realmente gostar. É uma série cheia de piadas estereotipadas sobre o universo da terceira idade, e a partir da minha perspectiva, por mais que eu compreenda que tem muitos idosos que contam com tais personalidades, eu não vejo que a atual terceira idade se comporta exatamente dessa forma.

De fato, a terceira idade atual está bem mais dinâmica e ativa do que a do passado, mas não vejo uma tamanha aceitação ao diferente como é proposto na série. Por outro lado, as mulheres mais velhas estão com mais iniciativa e atitude, e Margaret (Vicki Lawrence) é a que mais se aproxima da realidade.

De qualquer forma, The Cool Kids acerta em algumas coisas. Apresenta um claro discurso de aceitação ao diferente, algo que é necessário para o mundo de hoje, e que todas as gerações podem (e devem) aprender. De novo: é singular um grupo com um homem branco, um negro, um homossexual e uma mulher convivendo em harmonia.

Além disso, é eficiente em mostrar os contrastes de visão de mundo dos personagens (um extremamente conservador, o outro mais liberal), ao mesmo tempo em que mostra a visão distorcida das gerações mais novas sobre aquilo que eles entendem ser o melhor para os mais velhos. Se a série seguir por esse caminho, pode se dar bem.

Enfim, The Cool Kids é um piloto que até passa raspando na média. Me comprometo a assistir tudo de forma casual se a série for renovada para a segunda temporada. E, se você decidir encarar desde já, assista de forma despretensiosa, sem se cobrar muito, e sem cobrar muito da trama como um todo.

De preferência, assista com os seus avós por perto, para que todos possam rir juntos das situações apresentadas.