Arquivo para a tag: review

Primeiras Impressões | The Muppets (ABC, 2015)

by

the-muppets-abc-topo

Os Muppets são considerados uma instituição da TV norte-americana. São carismáticos, fazem parte da infância de públicos de diferentes gerações, sempre foram garantias de bons índices de audiência… por que não fazer um mockumentário sobre esses personagens, como “pessoas físicas”, nos bastidores de outra produção televisiva? Sim, eu sei… parece viagem de drogado. Mas dessa forma temos a série The Muppets.

É o seguinte: estamos em um universo onde a ABC decidiu fazer um documentário sobre os bastidores do novo talk-show comandado por Miss Piggy. O programa vai receber uma visibilidade ainda maior, não apenas porque estamos falando dos carismáticos Muppets, mas porque recentemente Miss Piggy encerrou o seu relacionamento de longa data com o sapo Kermit (Caco), e o programa é a sua forma de mostrar que ela está seguindo em frente.

Porém, como todo mundo sabe, a vida do sapo Kermit nunca foi fácil. Não basta você ter como ex-namorada uma porquinha muito mais popular que você. A ironia do destino manda que o mesmo sapo Caco seja o produtor-executivo do novo programa de Miss Piggy. O resultado disso é bem óbvio: Kermit é o último a falar, e o primeiro a apanhar. Dela e de todo mundo no programa.

Os demais personagens do The Muppets Show fazem parte da equipe de produtores e roteiristas do programa, que trabalham duro para conseguir atrações para o show, ao mesmo tempo que precisam driblar o ego infladíssimo de Miss Piggy. E só pelo piloto já temos uma clara ideia que essa não será uma missão tão fácil. A temperamental porquinha não aceita qualquer um no seu programa, principalmente aqueles que, de alguma forma (mesmo que essa forma seja bem subliminar e apenas para ela), esteja relacionada direta ou indiretamente com o seu término com Kermit.

Também não ajuda muito o fato de Kermit já ter iniciado outro relacionamento, com outra porquinha que trabalha na equipe de produção.

Soma-se à isso as marcantes personalidades de todos os personagens do universo dos Muppets, e temos um talk-show totalmente imprevisível, e um documentário que pode revelar muito mais sobre eles do que qualquer um de nós poderíamos imaginar.

the-muppets

The Muppets é uma ideia de Bill Prady, co-criador de The Big Bang Theory (aka a comédia mais vista da atualidade), que há dois anos pensou em um mockumentary baseado nos personagens de Jim Henson. Logo, as expectativas eram altas para uma comédia de qualidade. E, de um modo geral, eles conseguiram alcançar o seu objetivo. O piloto funciona, sendo uma comédia com piadas leves e acessíveis para o público de todas as idades. As referências mais “pesadas” (por exemplo, confundir uma reunião de produção com uma reunião dos AA) são bem sutis, e os pais não precisam se preocupar com eventuais constrangimentos.

Mas o que torna The Muppets viável é que ela parece ser bem estruturada para que crianças e adultos possam assistir a série sem se sentirem perfeitos idiotas. Sim, pois estamos falando de marionetes. A série consegue fazer bem essa ponte porque todos os personagens que as pessoas conhecem há décadas mantiveram as suas personalidades, sem alterações bruscas. Isso reforça a ideia de que não são uma versão “hardcore” dos Muppets, mas sim os mesmos personagens que conquistaram as crianças do passado/adultos do presente.

Ao mesmo tempo, o texto e as situações apresentadas trabalham com as ironias da vida adulta, como a vaga no estacionamento com a foto gigante da ex, o cartaz daquela atriz famosa – que é a primeira coisa que você vê depois de terminar com o namorado, e isso marca você profundamente -, ou as dificuldades em conquistar os pais da nova namorada. Essas são situações típicas do universo dos adultos. E, como adulto, ver os Muppets encarando essas situações, acaba sendo tão inusitado, que torna tudo risível.

The Muppets não é aquela comédia que você vai terminar o piloto gargalhando, mas você vai rir por sacar as referências e ver como o mundo adulto, apesar de complicado, é divertido. A série começou com uma forte audiência na ABC, e pode dar certo por causa do carisma dos personagens, pelo horário que a série será exibida (e hoje vemos como eles acertaram em colocar no timeslot das 8 da noite, pensando em um público de todas as idades), e pela simplicidade da ideia de trazer personagens carismáticos para a vida adulta.

É cedo para dizer que é renovação segura. Mas pelo menos as expectativas de The Muppets ser uma das estreias mais esperadas da temporada se cumpriu. Quem sabe é uma das que devem se salvar na ABC em maio de 2016.

Primeiras Impressões | Best Time Ever with Neil Patrick Harris (NBC, 2015)

by

best_time_ever_neil_patrick_harris

Se Barney Stintson tivesse um show de variedades, como ele seria?

Essa pergunta poderia resumir o que é Best Time Ever, novo programa de variedades comandado por Neil Patrick Harris na NBC. Porém, vai um pouco além disso. Confesso que quando veio a proposta de um programa desse porte, eu fiquei me perguntando o que poderia estar por vir, já que vimos o nosso protagonista fazer praticamente de tudo na TV, apresentando todas as principais premiações do entretenimento norte-americano (Tony Awards, Academy Awards, Emmy Awards…). Ou seja, o que mais faltava esse moço inventar?

E depois de ver o piloto desse programa, eu digo: muita coisa.

A ideia de Best Time Ever é oferecer para a audiência em casa ou na plateia do programa “a melhor hora de sua vida”, onde Neil Patrick Harris não vai medir esforços para esse objetivo ser alcançado. Para isso, ele vai se deslocar em diferentes cidades, se disfarçar de tudo quanto é jeito, fazer pegadinhas com celebridades, contar com a ajuda de celebridades no palco e distribuir alguns prêmios, que é o que todo mundo gosta.

O programa de estreia ofereceu um bom aperitivo do que está por vir ao longo da temporada. O anunciante vai se alternar a cada semana, e para o programa de estreia, Neil conseguiu ninguém menos que a atriz Reese Whiterspoon. Os quadros se alternam entre o apresentador participar de forma escondida ou disfarçada de momentos inesquecíveis de um casal ou de alguém (interagindo com a pessoa, sempre que possível), promover um karaokê com três famílias em três cidades diferentes dos EUA, ser desafiado por qualquer pessoa para alguma tarefa maluca, ou um simples jogo de perguntas e respostas valendo prêmios.

Tudo isso sob o comando de um animado Barney Stin… ops, desculpe… Neil Patrick Harris.

best_time_ever_neil_patrick_harris_ar

Para quem viu nove anos de How I Met Your Mother, é inevitável ver a simbiose entre o personagem e a pessoa física. De fato, Best Time Ever seria o show de Barney se ele tivesse um programa na NBC. Ao mesmo tempo, bem sabemos o quão Neil Patrick Harris é um cara ‘awesome’. Logo, também é possível imaginar a pessoa física pensando em tudo o que acontece em seu programa de variedades.

E, de fato, ele é uma das mentes pensantes de tudo aquilo. Neil é um dos produtores executivos do programa que, de forma curiosa, não é uma produção da NBCUniversal, mas sim da ITV, o que pode indicar o certo pé atrás do canal do pavão em não oferecer uma temporada mais longa para o programa.

De qualquer forma, Best Time Ever cumpre com o seu papel. É divertido, consegue entreter e é o tipo de programa que a família inteira pode assistir, e eu acho que era exatamente isso que a NBC queria com esse programa de variedades. Nem preciso dizer que Neil Patrick Harris está excelente como apresentador, e a sua competência faz com que as chances de sucesso do programa aumentem consideravelmente.

A NBC recentemente está se dando bem com os seus programas de variedades e/ou programas ao vivo. The Voice, The Sing Off, America’s Got Talent e American Ninja Warrior são provas do que estou falando. Esse prospecto favorece e muito ao Best Time Ever, e fico na torcida para que o programa engrene. Potencial para isso existe. Vamos ver se a audiência norte-americana quer ter uma hora ‘legen – wait for it – dary’ a cada semana.

Primeiras Impressões | The 100 (CW, 2014)

by

Pilot

Finalmente! Chegou o dia! Depois de quase um ano de espera, especulações, promos, trailers e promessas absurdas de Isaiah Washington, The 100 estreou na programação da CW. A série que tem como missão revolucionar a CW como nós conhecemos, também está disposta a responder a enigmática questão: “o que acontece quando jogamos 100 delinquentes juvenis em uma Terra devastada por uma guerra nuclear?”. Mas vai além disso. Por mais inacreditável que pareça.

A premissa de The 100 é a seguinte: o ser humano ferrou com tudo aqui na Terra em uma guerra nuclear, deixando o planeta simplesmente inabitável. Quem pode, fugiu para uma estação espacial internacional, acreditando que todos os seus problemas estavam resolvidos. Ledo engano. O tempo passou, os humanos na estação espacial não pararam de ter filhos, e rapidamente eles se depararam com um “pequeno” problema: a falta de espaço.

A estação espacial é “governada” por conselheiros (que são os pais de alguns dos “delinquentes”) e o Chanceler Jaha (Isaiah Washingon) que é quem comanda toda a comunidade. Esses pais desajustados criaram leis rígidas e absurdas demais para quem vive em uma estação espacial. Por exemplo, se um casal tivesse um segundo filho, não só os pais são considerados criminosos, mas o segundo filho TAMBÉM. Só por ter nascido!

Ou seja, nem todos os adolescentes considerados delinquentes são criminosos de verdade. Muitos ali estão pagando o pato pelos pais. O que não quer dizer que não existam os bandidinhos de verdade. Aliás, tem alguns com cara de perigosos/sinistros, mas ao mesmo tempo (e de forma muito estranha) acabam sendo o ativador de feromônios nas menininhas da série. Sejam elas CDFs ou fúteis/rebeldes sem causa.

De qualquer forma, para começar a resolver o problema de superlotação da estação espacial, 100 desses adolescentes – cujos muitos pais não querem ver nem pintados de ouro – são enviados para um planeta Terra que não tem gente há 97 anos – por conta da guerra nuclear, é sempre bom deixar isso claro -, sem saber se vão sobreviver, sem ter certeza se existem condições de vida lá… enfim, foi todo mundo despachado no modo “te vira, moleque”. Feito o despacho, esses mesmos pais passam a decidir se matam mais gente dentro da estação espacial ou não, em uma mega conspiração sinistra, com alguns fazendo cara de mau o tempo todo.

Enquanto isso, na Terra, esse bando de adolescentes – na grande maioria, burros – começam a “se virar” no planeta. Literalmente, pois tal como a maioria dos adolescentes, eles começam a ignorar completamente as instruções passadas por Jaha. Todas elas. Inclusive aquelas que envolvem a sua própria sobrevivência. Em resumo: procurar comida pra quê?

Apenas cinco (ops, quero dizer, quatro) desses adolescentes começam a procurar modos de sobreviver em um planeta que tem um veado de duas cabeças (digitalizado, é claro), e uma mini Piranhaconda nadando em um lago que sequer constava no mapa. E assim, brincando de garotos perdidos em selvas de Lost feitas em estúdio, eles vão descobrir a fria em que se meteram.

Pilot

Bom, aqui eu já respondo a sua pergunta: não… Isaiah Washington está errado, e The 100 não chega nem perto de ser uma Arrow, que dirá uma Mad Men ou Breaking Bad.

Talvez já pensando na possibilidade de ser cancelada rapidamente, o piloto de The 100 queima alguns estágios importantes. O principal deles? Apresentação dos personagens. A série não te dá chances de você conhecer melhor os personagens antes de todos serem jogados na Terra. Só depois disso, você vê a personalidade deles, e no final das contas, você não se importa com nenhum deles, ou com os problemas que eles enfrentam na Terra. Afinal, eles simplesmente foram jogados lá.

Até porque os adultos não tem sequer certeza se eles vão sobreviver em uma Terra que, repito, foi vítima de uma guerra NUCLEAR. Eu não mandaria o meu filho para lá por nada!

Só aí a gente vê como os adultos da série são burros. Sem falar que, no núcleo adulto, rola uma mega conspiração contra o Chanceler, com pessoas fazendo cara de mega evil, e que no final das contas, apenas querem justificar o mote principal da série: matar pessoas à esmo. Por nada. Os adultos querem oficializar isso, e os adolescentes, ao que tudo indica, vão descobrir isso sozinhos, e rapidamente.

Mesmo porque eles já se juntaram em grupos, de acordo com o interesse deles. Tal como em qualquer colégio de ensino médio.

Do mais, os membros do elenco adolescente do piloto são fracos, alguns com cara de burros (talvez a ideia seja essa), e isso só contribui para que não haja apego com essas pessoas. Aliás, com o plot todo: The 100 é uma forçada de barra no argumento para produzir uma série de TV.

Não dá pra considerar o piloto como bom. Porém, eu tenho uma boa notícia para você. O piloto de The 100 é tão ruim, que “dá a volta”!

Pilot

Sem muito esforço, você começa a observar as trapalhadas que os adolescentes jogados na Terra fazem, e começa a dizer “um adolescente médio faria exatamente isso”. Aliás, The 100 é uma prova cabal de como um conjunto de pessoas (jovens, adultos, não importa) podem ser burras e superficiais em vários níveis. Se a ideia da série era passar essa mensagem, eu dou os parabéns para os seus criadores. Objetivo alcançado.

Sem falar nos pequenos detalhes de produção: selva cujas flores brilham no escuro (até vai… vai saber o que as bombas nucleares fizeram…), um cervo desformado digitalizado, a mini piranhaconda… tudo acaba sendo muito risível. E você dá mais risada ainda quando você lembra que o Isaiah Washington chegou a dizer a pérola…

The 100 vai mudar a CW como conhecemos. Será do mesmo nível que Mad Men e Breaking Bad!

De novo: não, Isaiah… essa é a CW que a gente já conhece, e principalmente: a CW que a gente ama! A CW moleque! A CW pé no chão! A CW roots!

Por favor, Isaiah Washington… pare de comer pedras de crark junto com o seu Sucrilhos no café da manhã! Por favor!

Por fim, eu me diverti com The 100. Me entregou o que prometeu: uma típica série da CW, com conflitos adolescentes, mas em um planeta Terra primitivo. É tipo um Lost pós apocalíptico, mas onde os perdidos são todos adolescentes. Mais uma vez: não dá pra chamar essa porcaria de boa…

…mas não vou te condenar se você assistir e se divertir. Aconteceu comigo.

Primeiras Impressões | Ravenswood (ABC Family, 2013)

by

ravenswood

Se existe um canal que me faz repensar os comentários maldosos que eu faço sobre o canal CW, esse canal é o ABC Family. Porque, sério… eles conseguem entregar resultados simplesmente “inacreditáveis”. E é o caso de Ravenswood, spinoff de Pretty Little Liars, que segue a mesma fórmula: um elenco (quase todo) composto por pessoas bonitas, com ar descolado de modelos, mas que são almas atormentadas por viver o tempo todo em clima de mistério e suspense.

Tudo começa quando Caleb Rivers (Tyler Blackburn) resolve pegar um ônibus para Ravenswood, com o objetivo de ajudar a sua namorada, Hanna Marin. No ônibus, ela encontra Miranda Collins (Nicole Anderson), que também está indo para Ravenswood, mas por outros motivos. Ela quer encontrar o seu (relativo) último parente vivo, o seu tio Raymond (Steven Cabral), dono de uma funerária, que abandonou Miranda quando ela era criança. Ou seja, um cara sinistro.

Com o objetivo de começar a compreender o seu passado, Miranda convida Caleb (que, de novo, estava em viagem para ajudar a sua namorada Hanna – procure sempre se lembrar disso) para visitar o cemitério local. E lá, ambos encontram uma grande e macabra surpresa: as suas lápides, com suas fotos, e os seus nomes! #mistério #boom #LOST

O que já é bem estranho fica mais confuso quando eles chegam em Ravenswood. Não bastando o fato de Miranda ter um tio com cara de morto (e lidar com mortos), e morar com a única personagem com mais de 60 anos na série, Carla Grunwald (Meg Foster), que já deu as caras em Pretty Little Liars, tanto Miranda quanto Tyler (que, de novo, a essa altura, já nem lembra que tem namorada pra ajudar), se envolvem com dois irmãos, os gêmeos Luke (Brett Dier) e Olivia Matheson (Merritt Patterson). Seus pais morreram sob circunstâncias misteriosas e controversas, vítimas de uma espécie de maldição que paira sobre Ravenswood há décadas, e agora os dois são semi-hostilizados por metade da cidade.

O quarteto vai contar com a ajuda de Remy Beaumont (Britne Oldford), filha do editor-chefe do jornal local, que também desconfia que alguma coisa muito estranha acontece na cidade amaldiçoada. Juntos, o quinteto (em companhia do cachorro falante) vai trabalhar para descobrir os segredos de Ravenswood, e tentar acabar com a tal maldição. Pois tudo indica que as próximas vítimas desse mau agouro são eles mesmos.

Por onde começar…

Bom, é a cara do ABC Family. E isso não é um elogio.

O piloto de Ravenswood é fraco, assim como Pretty Little Liars também é. Me desculpem os fãs, e me desculpem aqueles que já defendem as duas séries, mas é a minha opinião, e vou dizer por que.

A história é bem sem pé nem cabeça nem cérebro nem corpo nem braço nem nada. Tyler vai atrás da namorada (que, aliás, vai aparecer em Ravenswood – afinal de contas, o namorado vai ajudar ela, e ele nem aparece na frente dela?), mas para a primeira desconhecida que tem uma barra de vida, ele vai com ela no cemitério. Detalhe: nem é para fornicação.

Depois, ambos acabam vendo as suas lápides. Ou seja, ou é visão do futuro, ou eles já dançaram nessa vida. Mas como o importante não é teorizar, vamos em frente. A nossa amiga Miranda, ao perceber que o seu tio era meio maluco, no lugar de pular fora e seguir com sua insignificante insistência, insiste de forma chata em descobrir o seu passado, com sérios riscos de se ferrar por conta disso.

Pra completar uma das irmãs dos pais mortos, é teimosa: vai no desfile da cidade, só pra sofrer de bullying!

Definitivamente, não é o meu tipo de série.

Ravenswood é uma série de roteiros fracos, argumentos fracos, personagens pouco carismáticos, e interpretações fraquíssimas. A produção também escorrega feio em alguns cenários. Acho legal as referências para os filmes clássicos de terror, mas algumas são risíveis (principalmente a do final do episódio). E para quem continuar com a série, que se prepare para argumentos tão absurdos quanto “a A é uma equipe, liderada por um dos professores da escola”, ou “tem um porco dentro do porta-malas!”.

Aliás, para quem vai continuar, boa sorte. Pelo visto, a audiência da ABC Family adorou, e honestamente, desconfio do gosto deles. Pode gostar, mas não fala que é bom. Porque não é.

E, honestamente: CW > ABC Family (na fall season 2013).

Primeiras Impressões | Gossip Girl Acapulco (2013)

by

Gossip Girl Acapulco 7

Nem eu acredito que vou comentar esse piloto aqui no SpinOff, mas como temos que diversificar e buscar novas formas de entreter você, amigo leitor, vamos aqui falar sobre o já popular piloto de Gossip Girl Acapulco, que nada mais é do que a adaptação da série produzida nos Estados Unidos por Josh Schwartz, que por sua vez foi uma adaptação dos livros de Cecily von Ziegesar. E não… não é uma série melhor que a original.

Eu sei que essa série estreou em julho, e já estamos em setembro. Mesmo assim, entendo que as pessoas ainda podem ficar sabendo do que estão perdendo. Acho válido. É praticamente um serviço de utilidade pública.

O ponto positivo é que a série é uma co-produção da El Mall com a Warner Bros. Outro ponto positivo é que eles escolheram o lugar mais bonito do México para ambientar a série – Acapulco. Nada contra Nova York, que é o local original da história, mas temos que admitir que tudo fica mais divertido com uma série em um ambiente praiano, com cenários paradisíacos, e maiores chances de aplicação de chroma keys em cenas específicas.

Não vou perder muito tempo contando o enredo da história para vocês. A série começa da mesma forma que a original começou, com Sofia (Serena) voltando para Acapulco, depois de um desaparecimento misterioso, onde ela deixou tudo e todos, principalmente a sua ex-melhor amiga, Bárbara (Blair), menina esnobe e metida a rainha do local, que namora com o almofadinha Nico (Nate), que sempre arrastou uma asa (e algo mais) para Sofia.

Algumas pequenas adaptações foram feitas. Daniel (Dan) – que é a Gossip Girl… ah, desculpa, todo mundo já sabe disso – até porque a série mexicana já mostra desde o piloto o coitado do Dan aparecendo em todos os locais onde os acontecimentos ocorrem – e Jenny (Jenny) vieram da Argentina para ajudar o seu pai a tocar o novo hotel da cidade. A mãe de Sofia segue sendo um relacionamento do passado do pai de Daniel, mas é um pouco mais pedante do que a Lily original.

Por fim, temos Max (Chuck), o garoto pedante e perigoso de Acapulco, que sabe de tudo e de todos, pronto para dar o bote em todo mundo.

Sem novidades até aqui, certo?

gossip-girl-acapulco_0

A questão de Gossip Girl Acapulco é bem simples de ser respondida: é um Gossip Girl… em Acapulco. Nem poderia esperar menos que isso. Aliás, eu devo dizer que agradeço aos céus pela audiência latina existir. Afinal de contas, toda a dramaticidade e interpretações são pensadas neles, e isso torna a TV mais divertida.

Confesso que nesse aspecto “atuação”, a série foi bem mais comedida do que eu imaginava. A adaptação nesse aspecto é mais para o lado americano do que para o dramalhão mexicano. Porém, isso não impede as atuações fracas, alguns argumentos convenientemente cretinos, e situações realmente bregas (como a sequência do final do piloto, que é de uma vergonha alheia que dói na alma).

Aliás, alguns pontos da produção deixam a desejar. A tal sequência final usa de um chroma key lascado, e recursos de edição que beiram o improviso. São lapsos que não podem ser aceitos, ainda mais se levarmos em conta que o pessoal da Warner Bros está envolvido na produção desse negócio.

Além disso, como a série vai ser menor que a original (segundo @edu_sacer, sempre por dentro das coisas do submundo das séries), contando com apenas três temporadas, Gossip Girl Acapulco começa a queimar cartuchos logo de cara. Elementos da série que só acontecem alguns episódios depois do piloto na série original (como o motivo real pelo qual Sofia volta para Acapulco) e personagens que só aparecem na série mais adiante (como a empregada de Blair, Dora, e Cece, mãe de Lily) aparecem logo no começo da primeira temporada, prevista para ter 25 episódios.

De qualquer forma, Gossip Girl Acapulco “dá a volta”, mas não é a série que pretendo acompanhar. Aqueles que contam com espírito livre e mente aberta vão dar risada da série (principalmente se você já viu a original), com os dramalhões adaptados, com as interpretações ruins, e com pessoas voando dos barcos.

Ah, uma última coisa: Gossip Girl em Acapulco não é exatamente uma blogueira. Ela prefere as redes sociais, especialmente o Twitter.

Primeiras Impressões | Ironside (NBC, 2013)

by

ironside-01

Eu levei uma semana para assistir ao piloto de Ironside. E depois de terminar o piloto, eu entendi porque eu levei uma semana para assistir ao piloto de Ironside. A série é um remake de uma série já feita na década de 1960, e talvez o principal problema da produção seja justamente esse: não estamos mais na década de 1960. Estamos, no mínimo, 50 anos na frente.

A série só estreia nos Estados Unidos no dia 2 de outubro, mas tal como aconteceu com outras produções de outros canais, acabou “vazando” na internet, de forma quase miraculosa. Porém, antecipar o que? É até difícil falar sobre o piloto de Ironside, uma vez que tudo (absolutamente TUDO) se centra no personagem de Robert Ironside (Blair Underwood).

Ironside mostra a história de Robert (Ironside), um detetive da polícia de Nova York durão, capaz de ver as pistas que os outros policiais não são capazes de ver (mesmo quando elas estão na cara de todo mundo, como por exemplo dois controles de videogame, dois copos de bebida… em uma sala onde só tem o morto), com força física exemplar, mas que é uma alma atormentada. Ele é capaz de fazer o que os outros não fazem, mas é limitado por estar paraplégico.

Sua paralisia aconteceu durante uma de suas investigações. Na tentativa de capturar um dos suspeitos, o seu parceiro acaba acidentalmente atirando em Robert, que fica gravemente ferido e, posteriormente, paraplégico. O seu parceiro não se perdoa por conta disso, ficando largado por aí, e o próprio Ironside não consegue viver muito bem com a sua atual situação.

Mas nada disso importa, porque Ironside é o fodão, pegando bandidos que saem correndo apenas abrindo a porta da van, sendo intimidador, e até treinando o time de hóquei da polícia de Nova York. Resumindo: por não conseguir se adaptar nas funções burocráticas, Robert voltou a ser detetive de campo. Porque quis assim. Seus superiores disseram “tudo bem”, e temos uma nova série policial “para nossa alegria”.

ironside-02

Vamos no esquema de Jack daqui pra frente (ou seja, por partes).

A NBC não tinha uma série desse gênero. Agora tem. Não podemos culpá-los por tentar. Até porque eles entendem que é esse o segmento que mais dá audiência para o canal que é líder hoje na TV aberta dos EUA (CBS). E porque muitos ficam na esperança do “se até The Mentalist dá audiência…”. Porém, não sei se essa série é o suficiente.

Pode ser que dê certo, por captar o telespectador com a situação do policial cadeirante. Vendo por esse lado, pode ser até uma boa a NBC abordar esse tema, e tentar mostrar que alguém com lesão tão grave pode fazer qualquer coisa (no caso do piloto, literalmente). Por outro lado, a série já recebeu críticas justamente por não utilizar um paraplégico como protagonista. Aqui, o canal pode se defender com dois argumentos válidos: 1) Blair Underwood é um dos produtores executivos da série, e 2) eles precisavam de um ator com certa aptidão física, para reforçar a condição de policial do personagem.

Mas o grande problema de Ironside é a série como um todo. A série não apresenta nada de novo, é um drama procedural como outro qualquer, que deve mesmo agradar os fãs do gênero. Para mim, não vai rolar. Não consigo comprar a ideia do policial bad-ass-mother-fucker em uma cadeira de rodas, enquanto que todo o restante do departamento de polícia de Nova York é composto por almofadinhas burros. Não é possível que um cara de cadeira de rodas seja mais eficiente que todos os demais! Nada contra o cara de cadeira de rodas. Ele é foda. O problema é resto da polícia de Nova York, que é muito burra perto dele.

ironside-03

Eu não cravo que Ironside é cancelamento. Só digo que vamos ter que esperar para ver como a audiência da NBC vai reagir. Ano passado, muitos apostavam que Chicago Fire iria dançar, e no final das contas, até spin-off ganhou. Não é uma das piores coisas que a NBC lançou nos últimos anos, mas é uma aposta de risco. Terá que vender muito bem essa ideia do policial fodão limitado por uma cadeira de rodas para sobreviver ao facão do cancelamento.

Vamos dar tempo ao tempo nesse caso.

Primeiras Impressões | Masters of Sex (Showtime, 2013)

by

MASTERS OF SEX (SEASON 1)

A fall season 2013 começo, e um dos “vazamentos” da semana é justamente de uma das séries mais promissoras da temporada, segundo os críticos norte-americanos. E, no final das contas, Masters of Sex surpreende. Não por entregar uma proposta promissora (pois isso era algo que já esperávamos), mas por tratar o universo do sexo com naturalidade, e não indo para a bagaceira explícita, como os tarados de plantão esperavam.

A série é uma adaptação do livro “Masters of Sex: The Life and Times of William Masters and Virginia Johnson”, de Michelle Ashford, que faz um relato do trabalho de William Masters (Michael Sheen) e Virginia Johnson (Lizzy Caplan), dois cientistas que resolvem desenvolver uma pesquisa sobre o comportamento sexual do ser humano. Ok… mas isso, na década de 1950, quando o tema era considerado tabu para a maioria das pessoas.

Masters é um cientista com uma vida complicada. Sua esposa, Libby (Caitlin Fitzgerald), não consegue engravidar, e é infeliz ao seu lado por causa disso. O chefe do hospital onde ele trabalha, Barton (Beau Bridges), não quer que ele realize os seus estudos no hospital, por motivos óbvios (todos vão acreditar que o que ele está fazendo é qualquer coisa muito pervertida, e não um estudo sério). E não é só isso.

A sua secretária, Miss Horchow (Margo Martindale) é velha demais para participar do estudo (que envolve uma abertura total de relatos sexuais, desde as preferências até a sensação do orgasmo) – e é por conta disso que Virginia é contratada, e para completar, o médico que deveria ser o seu parceiro nos experimentos, Ethan Haas (Nicholas D’Agosto), mas atrapalha do que ajuda, querendo pegar Virgínia, que só quer uma “amizade colorida” com Ethan.

No final das contas, a principal motivação de Masters é compreender como uma mulher se vê em relação ao sexo. Em um tempo onde o prazer feminino era totalmente ignorado, com os homens pensando em si, ele sequer se dava conta que as mulheres fingiam o orgasmo para que os seus parceiros alcancem o orgasmo mais rapidamente. A partir daí, ele começa a aprofundar os seus estudos, com o objetivo de compreender as diferentes facetas do sexo no ser humano.

masters-of-sex-21

Eu achei o piloto de Masters of Sex simplesmente muito bom. Sim, esperava muito da série, mas como disse no começo do post, ela me surpreendeu. Tem o sexo, tem a pegação, tem os peitinhos… mas de forma quase que inacreditável, as cenas de sexo aparecem porque o tema da série é falar de sexo, e não aparecem à esmo, de forma gratuita. Elas servem para ilustrar a situação emocional, comportamental e até mesmo os elementos de pesquisa de Masters e Virginia. Resumindo: a série não se vende pelo sexo na tela.

O mais legal de Masters of Sex é a proposta de tratar de um tema considerado tabu na década de 1950, mas com o olhar compenetrado para a ciência. Tudo bem, parte das motivações de Masters é por perceber que sua esposa não é sexualmente satisfeita ao seu lado. Porém, tem as ambições de fazer história, procurando compreender algo que, na época, nem se pensava em ser imaginado pelas próprias mulheres: o prazer feminino.

Por que as mulheres fingem o orgasmo? Como as mulheres enxergam o orgasmo? Como elas o descrevem? Por que as mulheres não se masturbam? Algumas dessas questões são tabus até hoje, e é no mínimo intrigante ver esse tema sendo abordado em um período da história onde tudo era mais velado. Até mesmo as experiências de Masters são interessantes: afinal de contas, combina o melhor de dois mundos (para os geeks) – sexo e tecnologia.

master-of-sex-02

É cedo para dizer, mas Masters of Sex entrega o que os promos prometem, o que os críticos falaram, e deixa a sensação de que será uma série, no mínimo, promissora. Não me arrisco a dizer que pode ser uma das melhores séries novas da temporada, uma vez que a fall season 2013 começou hoje. Mas se você tem um olhar mais maduro sobre o mundo do sexo, acho que vale a pena ver o piloto. A Showtime parece ter acertado na proposta.

Fico na torcida para que a temporada toda seja linear, como o piloto foi.

Primeiras Impressões | Back in the Game (ABC, 2013)

by

back-in-the-game-05

A ABC segue com suas comédias em processo de “vazamento” (ou seria “pré-lançamento”?). A próxima da lista é Back in the Game, que mostra o esporte mais tradicional entre as famílias norte-americanas como um mecanismo de distração de divorciadas com filhos, babacas que nunca jogaram baseball na vida, e um grupo de criancinhas perdedoras que mal conseguem ficar em pé, mas querem jogar baseball. Mas… será que isso tudo em conjunto é realmente engraçado?

A série conta a história de Terry (Maggie Lawson), uma divorciada com um filho que resolve voltar a morar na casa do pai, o “The Cannon” (James Caan), depois da separação. No passado, Terry foi uma ex-campeã de softball (uma versão simplificada do baseball, para crianças e mulheres jogarem sem os mesmos riscos físicos do jogo original), mas foi emocionalmente destruída pelo pai, que é um treinador que pode ser chamado de “sincero e intenso”. Até demais.

back-in-the-game-04

O filho de Terry, Danny (Griffin Gluck) é um nerd que, na verdade, quer jogar no time infantil de baseball para impressionar a garota que ele está a fim no colégio. Porém, Danny não herdou as mesmas aptidões atléticas da mãe, e acaba sendo recusado no time. Inconformada, Terry vai atrás daquilo que ela entende ser os seus “direitos”, e contesta a decisão do treinador Dick (Ben Koldyke), que sequer jogou baseball na sua época colegial.

Depois de vencer uma aposta com Dick, Terry tem o direito de criar um time com os jogadores que foram renegados por Dick. Todos aqueles excluídos por serem diferentes do chamado “padrão” e que são vítimas de bullying (moral e esportivo) por serem gordos, asiáticos, gays, esquisitos e, por tabela, o seu filho Danny (que beija um cara para que ele parasse de ameaçá-lo), são agora “atletas” de Terry, que tem a missão de montar um time do material humano que sobrou. Para provar um ponto para seu filho, para seu pai, e para ela mesma.

back-in-the-game-02

Particularmente, não gostei de Back in the Game. A série não é terrível, mas também não tem nenhum argumento realmente interessante que me faça assistir ao próximo episódio. Algumas soluções da série até são sacadas e pode render alguma coisa (como por exemplo a inteligência do filho de Terry, ou o jeito descolado do filho gay da ricaça latina que financia o time, Lulu). Mas o conceito geral apresentado não me agradou.

O piloto em si é bem água com açúcar, apresentando os personagens e as suas motivações para culminar nos acontecimentos que teremos a partir de agora. Porém, não mostram muita carisma ou empatia para se importar com o fato da mãe, que não queria ver baseball nem pintado de ouro, trabalhar justamente com baseball por causa do filho. Ok, entendo que uma mãe faz tudo para ver um filho feliz. Mas, mesmo assim, não prende. Não dá liga.

Mesmo James Caan, com um personagem com um ótimo potencial (como o ácido pai de Terry), não consegue fazer a série engrenar. Tudo se apresentou da forma mais simples e fria possível. Não é a comédia de se gargalhar, e o piloto apresenta duas ou três piadas que você dá uma risada, e ainda assim, razoavelmente forçada. A melhor piada do piloto é a da foto um pouco acima nesse post, quando Danny, do nada, beija na boca o moleque que fazia bullying com ele. Detalhe: na frente da garota que ele gosta.

back-in-the-game-012

No fim, Back in the Game é até agora a mais fraca comédia da ABC. Pode ser que algumas pessoas gostem da série nos EUA pela identificação com o baseball, e por ser mais uma comédia familiar. Pode ser que a série melhore com o passar dos episódios. Porém, para convencer mesmo e sobreviver, precisa apresentar muito mais. Bem mais do que um velho bêbado destruindo um carro, uma mãe divorciada treinando um time de fracassados, um treinador babaca, e uma criança cantando Born This Way.

Primeiras Impressões | A Toca (Netflix, 2013)

by

a-toca-netflix

Demorou, mas finalmente consegui assistir o piloto de A Toca, a primeira produção original da Netflix Brasil. Poderia resumir como a adaptação do canal de vídeos do YouTube Parafernália para o formato de episódios de 26 minutos de duração, mas seria basicamente adaptar o formato de esquetes para a internet… para um serviço de streaming. E isso é pouco. Então, o que é A Toca?

A Toca é uma série em formato de mockumentary, que combina cenas do dia-a-dia ficcional da produtora de Felipe Neto, a Parafernalha, com algumas esquetes produzidas pelo grupo. As ações se combinam ao longo do episódio piloto, onde parte dele serve para apresentar os personagens (ou a equipe de trabalho da produtora) e a outra parte, que são as esquetes humorísticas.

Mantendo o o formato consagrado do canal de humor, não há muitas modificações nas esquetes. Talvez um pouco menos de palavrões, para que ele se encaixe na classificação indicativa de audiência, mas se você já é um assinante do canal, não vai sentir muita diferença do conteúdo que já está na internet para aquele que é apresentado pelo piloto disponível no Netflix. Até mesmo na produção final das esquetes e do programa como um todo. Eles conseguiram se manter relativamente fiéis ao original deles mesmos, sem se descaracterizar por estar em uma nova plataforma ou um outro formato.

Mas a pergunta que fica é: vale a pena?

Bom, depende. Se você já gosta do Parafernalha, vai gostar de A Toca. Até porque, como eu já disse, é o mesmo conteúdo, um pouco mais suavizado. Agora, se você já tem algum tipo de indisposição com o Felipe Neto em si, já vai ser mais difícil de engolir. Mas aí não será pela qualidade ou não do programa, mas sim por ser o Felipe Neto mesmo.

Como não é o meu caso (até porque não acompanho tanto o trabalho do Felipe Neto – assisti um ou dois vídeos dele do Não Faz Sentido, no máximo), eu até que consegui assistir o piloto de A Toca sem a irresistível vontade de dar o STOP antes do piloto acabar. Acho que, por gostar do humor da internet (na maioria dos casos), fica mais fácil de assistir o piloto como ele é: um conjunto de esquetes humorísticas.

Fora isso, não dá para ter um parecer sobre algo que não conseguiu sair da caixa segura de algo que já era conhecido do público da internet. Não houve um grande trabalho para realmente criar um formato novo, mas sim, reproduzir o mesmo formato que já estava na internet, em outro serviço da internet. Até mesmo o mockumentary não é algo que possa ser chamado de tão diferente assim. Aliás, é algo que eu imaginava que fosse acontecer: contar a história deles mesmos, e como eles chegaram no ponto de uma produtora de vídeos na internet, que agora tem uma série produzida pela Netflix.

No final das contas, A Toca nada mais é do que ser a expansão do canal de vídeos do Parafernalha. Se você gosta do canal do YouTube, você vai gostar de A Toca. Se é a primeira vez que viu alguma coisa deles na vida, tem sérias chances de não aceitar muito a proposta. Se viu vídeos de outros grupos similares (principalmente a Porta dos Fundos), as comparações serão inevitáveis.

Se você odeia o Felipe Neto (porque ele falou mal de Crepúsculo), me surpreende você ter chegado até aqui: o final do post.

Primeiras Impressões | Hollywood Game Night (NBC, 2013)

by

nbc-hollywood-game-night

Demorou algumas semanas, mas finalmente temos aqui as primeiras impressões do novo game show da NBC. Hollywood Game Night oferece uma proposta de programa que pode acontecer na sala de estar de qualquer norte-americano, e aí pode estar a grande graça do programa. Isso, e as celebridades tentando mostrar o seu conhecimento sobre cultura inútil.

Para começar, um esclarecimento: diferente do que acontece no Brasil, nos Estados Unidos não existe um “artista exclusivo” de um canal. Como a maioria deles fazem parte do Sindicato dos Atores de Hollywood (SAG), pelas suas regras, existe uma liberdade para que um determinado artista que está em uma produção em um canal apareça em outro canal. Como é o caso específico de Jane Lynch, que tem contrato com a 20th Century Fox por conta de Glee, mas pode apresentar um programa na NBC.

Sem falar que o programa abraça astros que estão com produções em outros canais (e se não fizerem isso, eles não vão conseguir audiência – fato).

Dito isso, temos Jane Lynch (e não Sue Sylvester, fiquem tranquilos) apresentando esse game show, que é inspirado nas noitadas que Sean Hayes (produtor executivo do programa) promovia em sua casa, onde colocava os seus amigos para participar de jogos de perguntas e respostas, adivinhações e mímicas. Na verdade, muita gente faz isso nos EUA e aqui no Brasil. Logo, por que não colocar essa ideia na televisão?

No caso de Hollywood Game Night, duas equipes com três celebridades cada são capitaneadas por um anônimo para participarem dos jogos. Tarefas do tipo “Mega Senha” (as dicas são passadas, e você precisa acertar a palavra-chave), colocar imagens em ordem cronológica, e jogos de mímica são disputados. A equipe que marcar mais pontos vence o jogo, e o anônimo capitão dessa equipe vai disputar a rodada bônus, que dá o direito a US$ 25 mil para o anônimo, e US$ 10 mil para uma celebridade dos dois times (que serão doados para uma instituição de caridade escolhida pela celebridade).

hollywood_game_night

Hollywood Game Night cumpre o com o seu papel de entreter quem está assistindo. É difícil de imaginar que tanta coisa aconteça no programa em apenas 60 minutos. Ainda mais quando temos no piloto um Martin Short bêbado e descontrolado. Fora isso, Jane Lynch arrebenta como host do show, conduzindo muito bem os convidados e interagindo de forma bem espontânea com os participantes.

A mecânica do programa também ajuda. Quando assistimos um game show, nós sabemos que ele funciona quando começamos a jogar junto com o programa. E é isso o que acontece com Hollywood Game Night. Naturalmente, você começa a responder as perguntas, junto com aqueles que estão jogando no estúdio. Tudo bem, algumas provas são mais voltadas mesmo para a audiência dos Estados Unidos (como por exemplo adivinhar qual é o alimento que está na tigela, apenas pela indicação da foto). Mesmo assim, para a geração conectada (ou para aqueles que conhecem um pouco de cultura pop), o programa é bem acessível.

Hollywood Game Night já é um sucesso da Summer Season na NBC. Venceu na audiência na sua estreia, e o segundo episódio registrou aumento de audiência. Não sei o que o futuro do programa nos reserva, muito menos se ele será exportado para a grade da Fall Season (muito provavelmente não, justamente por causa da agenda de Jane Lynch). Mas já podemos dizer que é um acerto do canal do Pavão. Faltava um programa desse gênero na TV, e ver astros do mundo da TV e do cinema em situações mais despojadas é uma boa sacada.

Olha só… estamos vendo mudanças na NBC? É cedo para dizer. Vamos esperar a Fall Season 2013-2014 começar…

Primeiras Impressões | A Vida de Rafinha Bastos (FX, 2013)

by

fx-a-vida-de-rafinha-bastos-promo-photos-10julho2013-02

O projeto foi anunciado no meio do ano passado, mas só agora tem a sua estreia oficial concretizada. E como não escrevi a respeito da pré-estreia da produção quando exibida em 2012, é hora de falar da estreia pra valer. A Vida de Rafinha Bastos promete mostrar o lado do humorista, com sua imagem “peculiar” sobre o mundo e, principalmente, sobre as polêmicas que rodeiam a sua vida. Porém, a pergunta que fica é: será que vamos rir de tudo isso?

A série já mostra em seu começo um Rafinha Bastos preso pelas suas palavras e atitudes. Preso mesmo, tal como você vê na foto acima. O comediante começa então a compartilhar as histórias que conduziram ele ao xilindró, mostrando a sua versão dos fatos, e principalmente, mostrando por que a sua imagem se tornou tão mal vista pelo público e crítica.

Situações do seu cotidiano, que resultaram em piadas de gosto duvidoso, que vão desde o fato do jornalista distorcer alguns contextos de suas piadas (e posteriormente esse mesmo jornalista morar no mesmo prédio de Rafinha, se tornando presidente do conselho de moradores, e tornando a vida do comediante um inferno) até o suposto bullying que o comediante sofre daqueles que não se simpatizam com o seu tipo de humor.

Tudo isso vai tentar mostrar a “vida de Rafinha Bastos”, de forma inspirada (ou não) na sua vida real, e nas suas mais recentes controvérsias.

Sim, eu não tinha muito para falar da premissa da série.

fx-a-vida-de-rafinha-bastos-promo-photos-10julho2013-03

Talvez o grande problema do piloto de A Vida de Rafinha Bastos é que ele é engessado. Nem estou falando tanto da carisma (ou falta dela) do protagonista, uma vez que ele é uma das celebridades mais detestadas pela audiência brasileira hoje. Alguns coadjuvantes da prisão (como o gay que está na mesma cela que ele) até funcionam, mas o todo não dá liga, sendo assim 22 minutos de um episódio que tenta colocar o comediante como vítima de uma sociedade que ele considera AINDA MAIS BABACA que ele.

Bom, talvez o único grande mérito da série é que partimos do princípio que Rafinha Bastos se assume o babaca que muita gente o vê hoje. Não estou dizendo com isso que ele tem consciência que fez merda. Estou dizendo que ele sabe que tem muita gente encarando algumas de suas piadas como algo escroto, e que nessa série ele está explorando isso. E que não concorda com as pessoas que enxergam isso como algo escroto. Para ele, é só humor, e a maldade está nos olhos e ouvidos de quem vê e ouve.

Não concordo com a teoria de Rafinha Bastos, mas isso é o que menos importa nesse post. Fato é que achei o piloto da série fraco. Você pouco ri com a situação do próprio comediante ser perseguido por um jornalista que distorce as coisas (todo mundo passa por isso), pouco se surpreende quando descobre a condição do jornalista (e as motivações para sua perseguição ao comediante), e se importa menos ainda com a solução dada para o episódio.

No final das contas, o piloto vale pela homenagem ao Marcelo Rubens Paiva. Bom, espero que Paiva consiga se sentir homenageado com tudo aquilo que o piloto apresentou.

Dificilmente eu vou continuar com A Vida de Rafinha Bastos. É o tipo de humor que não me agrada há tempos. Acho desnecessário calcar uma série em um monte de palavrões à esmo e situações que não fazem o menor sentido em um contexto geral.

Alguns afirmam que Rafinha Bastos está tentando ser o “Louis C.K. brasileiro”. Muitos estão revoltados com isso. Apesar de achar Louis C.K. um “babaca com grife” (e gosto não se discute, logo, não venham discutir o meu), eu entendo que os fãs do comediante norte-americano fiquem bravos com tais comparações. Até porque Louis C.K. tem especial na HBO, enquanto que Rafinha Bastos nem pode mais falar de bebê por aí.

Primeiras Impressões | Vai Que Cola (Multishow, 2013)

by

vai-que-cola-msw

Estreou ontem (08) no Multishow a sitcom nacional Vai Que Cola, que tem alguns objetivos bem específicos. O primeiro (é claro) é cumprir com a cota de programação nacional da ANCINE (apesar do canal já cumprir essa cota com sobras). O segundo é apostar em uma iniciativa que já reverte em audiência para o Canal Viva, que é o teleteatro. As reprises de Sai de Baixo no Viva estão entre as maiores audiências do canal. Logo, por que não tentar a mesma coisa no Multishow, não é mesmo?

Porém, a pergunta mais importante desse post é: “colou”? Vamos tentar descobrir isso a partir de agora.

Vai Que Cola conta a história de uma casa comum no Méier, bairro da zona norte do Rio de Janeiro. Na verdade, não é uma casa apenas. É uma “casa de pensão”, gerenciada pela Dona Jô (Catarina Abdala), mulher honesta, trabalhadora e de bom coração As principais situações da produção giram em torno dela, uma vez que ela é a única ainda centrada na realidade que a rodeia.

Dona Jô é cercada por todo o tipo de habitante que você pode encontrar no Méier, como por exemplo a filha periguete Jéssica (Samantha Schmutz), que acorda todos os dias com o objetivo de ser famosa (a primeira iniciativa é fazendo um viral para a internet), o “namorado” da filha, Máicol (Emiliano D’Avila), que não é nada na vida, mas dá os seus pulos, Terezinha (Cacau Protásio), viúva de um ex-bicheiro, que é “espaçosa”, fala alto e ninfomaníaca, Velna (Fiorella Mattheis), loira/tcheca/gostosa, amiga de Terezinha e golpista profissional, e Ferdinando (Marcus Majella), zelador da pensão, mas que tem o sonho de ser um cantor de cabaré e passa as suas horas vagas fazendo performances de Lady Gaga no banheiro.

Não posso me esquecer de Wilson (Fernando Caruso), amigo de Dona Jô (doido para pegar a coroa), que é mais inteligente que todos eles somados, mas que misteriosamente passa o seu tempo anotando todas as situações que acontecem naquela pensão.

Todos eles eram felizes, até o dia em que o protagonista de toda essa história, Valdomiro (Paulo Gustavo), fugindo da polícia por se envolver em um golpe que deixou um grupo de idosos sem abrigo, acaba caindo na pensão da Dona Jô, tentando ganhar tempo para provar a sua inocência (ou o seu envolvimento de apenas 2% no golpe). Dona Jô vai com a cara dele, e no final das contas, ele passa a ser mais um membro daquela grande e excêntrica família feliz.

vai-que-cola-msw-02

É difícil se posicionar de forma neutra ao piloto de Vai Que Cola. A série criada por Leandro Soares tem como principal virtude não ser um Pé Na Cova com platéia. Só aí temos uma vitória. Além disso, o elenco é recheado de nomes de fácil identificação do público, tanto para quem já assistia os programas Estranha Mente e 220 Volts, quanto para aqueles que começaram a assistir as séries do Multishow na semana passada. Sem falar que o elenco ajuda a fazer com que as situações e piadas se desenvolvam de forma mais ágil e convincente.

O piloto em si é regular. Não posso dizer que é a coisa mais engraçada que você viu na sua vida, mas se você é uma pessoa que tem algum bom humor no coração (e não é o @fabiano_sjc, que é praticamente morto por dentro quando falamos de séries de comédia), você vai aguentar ver o piloto sem sentir o irresistível desejo de mudar de canal. Não excluo a possibilidade de você não gostar da série, uma vez que ela tem os dois pés bem calcados na rotina do subúrbio carioca.

Porém, a principal diferença de Vai Que Cola para Pé Na Cova (imagino que a comparação será inevitável) está justamente na ausência de personagens 100% bizarros, ou com grandes caricaturas de pessoas que, na prática, não existem. Os roteiristas tiveram a inteligência de segurar nos maneirismos linguísticos e nas gírias regionais, mas mantendo as características cariocas nos personagens.

Além disso, o Multishow criou uma estrutura física bem prática, com um palco giratório, permitindo assim que o público acompanhe as diferentes situações que acontecem na pensão, em diferentes cômodos. Isso tira um pouco o aspecto Sai de Baixo de teleteatro, aproximando ainda mais da clássica sitcom que já conhecemos.

Não sei se vou acompanhar o Vai Que Cola depois do piloto. Vou pelo menos me esforçar para ver os próximos episódios (a série será exibida de segunda a sexta, às 22h30, no Multishow), mas mesmo com um piloto que passa na primeira prova, precisa apresentar algo mais para me convencer a continuar a ver a produção. Talvez a série se valha no começo pelo carisma de alguns personalidades, e pela popularidade de seus intérpretes junto ao público.

E principalmente: porque o Multishow colocou Ronalda Cristina de novo na TV! Quem viveu a década de 1980 sabe do que estou falando. E eles ganharam muitos pontos comigo apenas nessa escolha.

Primeiras Impressões | The White Queen (BBC One/Starz, 2013)

by

3213068-high_res-the-white-queen.jpg

Lá vem ela, cheia de premonições, e pronta para ser a rainha da Inglaterra. BBC One e Starz uniram suas forças para entregar ao mundo a minissérie de dez episódios The White Queen, que vai contar parte das intrigas, traições, trairagens e infidelidades da monarquia britânica durante a Guerra das Rosas. Em 1464, a casa de York e a casa de Lancaster viviam em guerra aberta pelo reinado. E no meio do caminho, tinha essa moça aí. Vamos conhecer a história dela?

Apenas explicando: a série é baseada no best seller The Cousins’ War, escrita por Phillipa Gregory. Logo, nem tudo o que é apresentado na série é baseado em fatos reais. Dito isso, a série conta a história de Elizabeth Woodville (Rebecca Ferguson), uma pobre viúva plebeia, que perdeu tudo o que tinha quando o ganancioso/coxinha rei Edward IV (Max Irons) assumiu o reino da Inglaterra, derrotando o rei da casa vermelha, Henry VI (David Shelly). Elizabeth poderia passar desapercebida no planeta Terra, se não fosse por um único detalhe, que ao mesmo tempo é um trunfo valioso: ela tem sonhos premonitórios.

Tal peculiaridade é muito bem explorada pela sua mãe, Jacquetta (Janet McTeer), que além de orientar sobre o futuro da filha (a.k.a. manipular bem de leve o destino da moça), se auto denomina como feiticeira, o que pode lhe garantir algumas vantagens no futuro. De quebra, sabe dos podres da nova sogra da filha, Cecily Neville, Duquesa de York (Caroline Godall), o que também será útil no começo da trama.

Elizabeth entende que a melhor forma de recuperar aquilo que perdeu é “se apaixonando” por Edward IV. Como o Rei de York vê em Elizabeth uma mulher limpinha e de bom coração, vê nela a oportunidade dela ser “mais um troféu”. Por outro lado, Elizabeth sabe que o Rei Edward IV VAI MORRER e, se casando com ele, é ELA quem se torna a legítima Rainha de York (por consorte).

Já Edward IV tenta se livrar do crivo da mãe e, principalmente, de Lord Warwick (James Frain), que ajudou Edward a derrotar Henry VI, mas com um objetivo claro no ponto futuro: ficar o mais próximo possível do reinado inglês. Ele é primo de Edward (sobrinho de Cecily).

Logo, temos aqui uma trama cheia de intrigas conspiratórias, conveniências de todos os lados, traições a dar com pau, e todo aquele clima medieval, com sérias restrições orçamentárias.

The White Queen 2013

The White Queen vai claramente na onda das séries medievais que invadiram a TV nos últimos anos (mais especificamente, desde que Game of Thrones virou um megahit). Apesar de ter a chancela da BBC no projeto, não apresenta nada de extraordinário. Você não se importa com as motivações daqueles personagens em passar a perna um no outro (afinal, eles estão em guerra… logo, é o mínimo que se espera do comportamento humano), e como toda a trama é vista pela perspectiva feminina (que raramente vai ao combate), não espere por cenas de duelos sangrentos. É muito mais no esquema “olha, ele está te enganando” do que “eu vou enfiar essa espada na sua cara”.

Outro ponto negativo do piloto está nas “baixas restrições orçamentárias” da produção. Ok, eu não poderia esperar algo maior do que o que foi exibido (até porque estamos falando da BBC, e não da HBO… e se fosse uma série apenas do Starz, seria muito pior: o chroma key ia rolar solto), mas convenhamos: era gente muito limpa para estar em guerra, ainda mais no período medieval, onde as pessoas nem sabiam direito o que era banho.

E o mais importante: que trama é essa?

Tá, de novo, foi inspirado em um livro que virou best seller. Acredito que o livro é melhor do que isso, mas tudo o que vemos no piloto de The White Queen é uma trama de mentiras e trapaças, mas que não cria a empatia o suficiente para você se importar com o que acontece, ou até mesmo torcer para um dos lados. Afinal de contas, Elizabeth tem uma motivação futura, Edward IV uma motivação presente… e nada mais. Você olha para aquelas pessoas, e fala para você mesmo: “e daí?”.

De qualquer forma, são apenas dez episódios. É uma minissérie, logo, passa rápido. Mas se você cria expectativas que cabeças vão rolar, sangue vai jorrar, e algo minimamente inspirado em “Winter is Coming”, esquece. The White Queen tem uma pegada bem mais leve, quase feminina. Aliás, fica claro que os personagens principais da série são as mulheres. Logo, se for assistir, tente ver pela curiosidade. Não é o tipo de série que empolga. Eu mesmo achei uma tortura passar pelos 58 longos minutos do episódio piloto.

Primeiras Impressões | Mistresses (ABC, 2013)

by

mistresses-abc

Ah, as mulheres… o centro das atenções do mundo das séries. Principalmente na ABC. Veja bem: eles já mostraram a história das “donas de casa desesperadas”, estão mostrando no Lifetime a história das “empregadas diabólicas”, seguem a todo vapor com a história da menina que quer se vingar dos ricaços dos Hamptons, a história da filha da Branca de Neve… o que mais faltava contar? A história das amantes! Bom, quero dizer, faltava. Não falta mais. Conheça Mistresses!

Mistresses é baseada em uma série britânica de 2010, e mais uma vez usa elementos básicos que fazem sucesso na ABC: um grupo de quatro amigas, com diferentes temperamentos, que se unem em um ponto comum, envolvidas em um cenário de mistério, conflitos pessoais e traições. Nesse caso em particular, a trama adaptada por K. J. Steinberg está focada nas amantes. Veja bem: não estou falando de prostitutas, e sim, amantes. É uma categoria bem diferente. E em vários aspectos.

Falando um pouco das personagens centrais, temos quatro mulheres que ou são amantes, ou tem as suas vidas modificadas radicalmente por causa das amantes de seus maridos. Savannah “Savi” Davis (Alyssa Milano) é a advogada que não consegue engravidar, pois o seu marido sofre com o problema de espermatozoides incompetentes e defeituosos (sério: o médico explica no piloto a diferença entre um espermatozoide normal e um retardado). Logo, trai o marido com o seu colega de escritório de advocacia, Dominic Taylor (Jason George).

Karen Kim (Yunjin Kim) é terapeuta, e violando os protocolos de sua profissão, teve um caso com um de seus pacientes. Esse paciente morre, e como é muito natural, o filho dele, Sam Grey (Erik Stocklim), começa a pegar no pé de Karen, para saber o motivo pelo qual o pai foi infiel. Mais: descobrir quem é a fulana que fez com que a vida dele fosse um desastre.

Já Josslyn Carver (Jes Macallan) trai o marido por esporte mesmo. Incentiva as outras amigas a irem pelo mesmo caminho com piadinhas sexuais no smartphone. Aliás, um dos objetivos de Josslyn e fazer com que a única amiga que não é amante, April Malloy (Rochelle Aytes), consiga um homem para chamar de seu, depois da morte do marido. Porém, por ironia do destino, em um belo dia, a amante do seu marido bate à sua porta, com uma criança de uns 3/4 anos de idade não mão.

E vida que segue.

mistresses-02

O fato é que Mistresses é mais um novelão que a ABC tenta engatar. Tem todos os elementos básicos já vistos em outras séries do canal, mas que fizeram e fazem sucesso até hoje. O problema é que, diferente de produções como Desperate Housewives e Revenge, que conquistaram uma parcela do público de forma imediata, em Mistresses, você precisa fazer muita força para se importar com tudo aquilo que está acontecendo com as personagens centrais.

Não me entendam mal, mas os dramas pessoais dessas personagens não são enfáticos o suficiente para que você se comova com essas amantes. Aliás, nem mesmo os argumentos para se tornarem amantes são lá muito válidos. Em alguns momentos, a série beira ao machismo digno das feministas irem para a Paulista reivindicarem pelo direito de não ver a Alyssa Milano fazer séries de TV (ainda mais com a cena vergonhosa que ela protagoniza com Jason George).

A série não apresenta muitos erros de roteiro (felizmente), mas seus argumentos no final do episódio não são relevantes o suficiente para que você diga para você mesmo “eu preciso ver o segundo episódio agora”. Tudo é muito óbvio e previsível, e talvez até seja esse o objetivo da série. Mas, repito: as histórias de vida das protagonistas poderiam ser mais interessantes. Por tudo o que foi apresentado, alguns até vão pensar que são mulheres fúteis, com motivos torpes para se tornarem amantes. E essas pessoas terão a sua dose de razão.

Alguns vão gostar de Mistresses com uma certa facilidade, pois mais uma vez, ela vai no vácuo de outras séries de gênero. Eu não achei a série ruim. Eu simplesmente não me importei. É mais uma produção da ABC que posso viver muito bem sem. Se vingar na Summer Season, eu digo “parabéns”. Se for cancelada nesse período, não muda a cotação do dólar.