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Primeiras Impressões | Marvel’s Luke Cage (Netflix, 2016)

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Mais um acerto da Marvel com a Netflix. Para começar.

Luke Cage é mais uma das séries de heróis que prepara para o grande arco de Os Defensores, já anunciado. Atuando como uma “sequência” de Jessica Jones, mostra sua identidade própria logo de cara, com uma narrativa concisa e objetiva, e com um protagonista efetivamente presente.

Mais do que você imagina.

 

A cultura negra em estado puro

 

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Uma das coisas mais legais de Luke Cage é que esta é uma série basicamente “all black”. A imensa maioria dos personagens são negros, o que é bem óbvio, já que o reduto principal da história está nesse grupo social.

Não só isso: a cultura negra é enaltecida na série. As referências culturais em profusão, a ambientação e todas as referências musicais são claramente focadas na cultura negra, o que é ótimo, já que não existem séries regulares com proposta tão positiva.

E não… não vou pensar em Black-ish nesse momento…

De qualquer forma, Luke Cage mostra o perfil psicológico e aspirações de Carl Lucas, consciente de seus poderes e de suas capacidades, mas assim como Jessica Jones, enfrentando os seus próprios problemas do mundo real e seus conflitos morais.

E seu maior problema é enfrentar o seu passado. Algo comum inclusive para quem não tem poderes.

Carl é mais um que passou por uma experimento que não dá certo por conta de uma sabotagem, e adquire super poderes. Por conta disso, ele se tornou um fugitivo, e tenta reconstruir sua vida.

Porém, o passado e algo que te persegue de tempos em tempos, e Carl vai ter que lidar com isso.

 

Mais um belo trabalho da Marvel e Netflix

 

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Há tempos falamos em como a Netflix e a Marvel estão trabalhando bem juntas. E isso acontece não apenas pelo cuidado que o serviço de streaming tem com as produções que são próprias, mas também pela liberdade criativa que o serviço pago oferece em comparação aos projetos da TV aberta.

Basta fazer uma comparação simples e direta com Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. (ABC), que é bem feita e bem produzida, mas que não consegue desenvolver uma história tão bem desenvolvida e fechada como as produções da Netflix apresentadas até agora.

É claro que também influi o fato da série do Agente Coulson ter mais que o dobro de episódios. Mesmo assim, os resultados são muito díspares.

Luke Cage é atraente na estética e na narrativa. O protagonista, por si, é interessante. Mesmo que Carl não tivesse poderes, muita gente gostaria de acompanhar a história daquele cara.

Mas o fato de ele ser um dos Defensores (no futuro) automaticamente o coloca em um patamar muito maior.

 

Recomendamos?

Com toda certeza.

Marvel’s Luke Cage é uma das melhores estreias da temporada, sem sombra de dúvidas.

Uma produção bem feita, um roteiro bem estruturado, um arco de temporada que rende, cenas de ação, tiro, porrada e bomba… Enfim, tudo o que se espera de uma série de herói, mas com qualidade. Nada é jogado à esmo. Tudo é pensado para que a história não caia no ridículo, tal e como acontece em outras produções.

E isso é ótimo. Seria quase um “a Marvel aprendendo com a DC como se faz”! ;) (calma, estou zoando…)

Primeiras Impressões | Kevin Can Wait (CBS, 2016)

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Podia ser o sequel de The King of Queens sem maiores problemas.

Kevin James sendo Kevin James. E todo mundo gosta disso. Dito isso, Kevin Can Wait estreou na CBS nove anos depois de The King of Queens, também exibida no canal, trazendo de volta a boa vibe do pai de família bonachão que precisa segurar as barras da família inteira.

Uma sitcom clássica, com formato simples e direto, bem do jeito que a CBS sabe fazer.

 

O arroz com feijão bem feito

 

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Kevin Can Wait não tem nada de muito espetacular. É a sitcom “arroz com feijão” bem feito, algo que a CBS se tornou especialista.

Kevin James faz o policial gordo e recém aposentado, que imaginava que iria aproveitar a vida de forma tranquila e descolada. Mal sabia ele que agora sua vida ia dar uma volta turca.

Não bastando o fato que ele terá que resolver as pequenas coisas de sua casa (algo que todo marido deve encarar), tem que cuidar dos filhos que ainda estão crescendo, e da barra de vida da filha mais velha que decide largar a faculdade para ficar noiva do nerd que sonha em ficar rico com um aplicativo de smartphone.

Agora, Kevin vai ter que adiar parte dos seus planos para voltar a trabalhar para alimentar duas bocas a mais em casa. Por prazer ou por necessidade, o fará. Porque ser pai é isso (e inventar o kart-paintball).

História engraçadinha

 

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Kevin Can Wait diverte de forma simples e direta. Sua narrativa é de fácil identificação, e o tema dos filhos voltarem para casa após deixar a faculdade é atual e recorrente na sociedade norte-americana.

Além disso, vale a pena repetir que as pessoas gostam do Kevin James. Na TV e no cinema. Lembro sempre que The King of Queens durou quase o mesmo número de temporadas da sua série de origem, Everybody Loves Raymond.

E Kevin James funciona muito bem nesse tipo de papel. Ele organicamente consegue fazer o pai que muita gente gostaria de ter.

No caso em especial de Kevin Can Wait, tudo funciona como deve ser. O elenco é bom, o texto funciona de forma simples, com piadas atuais e que tiram o riso com certa facilidade.

Obviamente, não dá  para esperar algo revolucionário aqui. E nem falo pelo formato de sitcom clássica (até porque o revival de Will & Grace mostra que até nesse tipo de comédia é possível escrever textos vanguardistas).

Mas pela própria natureza da proposta, a série não ousa tanto. Parte mais para o humor mais simples e da situação em si do que pelo inusitado da mesma.

 

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Enfim, Kevin Can Wait não deve ter muitas dificuldades em ser renovada na CBS. Só se o canal for muito exigente com a comédia. Além do que as demais comédias do canal.

Para quem gosta do gênero, pode ser terreno seguro para a nova temporada.

Primeiras Impressões | Son of Zorn (Fox, 2016)

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Bela tentativa de ser criativo, mas…

Son of Zorn combina animação e live action de forma semi-tosca, com o objetivo de fazer uma comédia de situação pura e simples. E não posso reclamar pela tentativa. Afinal de contas, na temporada de reboots, remakes e adaptações, essa é uma das poucas histórias e formatos minimamente originais da temporada.

Porém, é um dos argumentos pelos quais os canais estão investindo em reboots, remakes e adaptações.

 

Volta, Will & Grace! (só usei esse cabeçalho para isso, ele não está relacionado ao texto)

 

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Son of Zorn conta a história da relação entre Alan, o adolescente vegano nerd/almofadinha e seu pai, Zorn (voz de Jason Sudeikis), herói de um desenho animado.

A surrealidade não se limita à combinação de dois mundos. Também está no fato que Zorn decide deixar as batalhas na ilha de Zephyria que ele defende para voltar para Orange County para se reconectar com o filho e com a ex-esposa Edie (Cheryl Hines).

Na volta, descobre que Edie decidiu seguir em frente com a vida. Está noiva de Craig (Tim Meadows), algo que obviamente não agrada Zorn.

Mas na sua tentativa de recuperar sua vida e obter o respeito do filho, o nosso herói decide arrumar um emprego, usar roupa de gente normal e mostrar que pode ser um pai mais presente para seu filho.

Mal sabe ele que sua conexão com o moleque vai se tornar algo muito mais próximo… em vários aspectos.

 

A metáfora do “pai herói” em Son of Zorn

 

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Tá bom. Eu saquei qual é a de Son of Zorn. Sei que a série quer fazer uma brincadeira com a metáfora do “meu pai é meu herói, ele é o máximo, ele tem super poderes”, e em algum momento alguém disse “ok, vamos ver como seria se ele fosse literalmente um herói”.

O problema é que mesmo sendo um herói, Zorn se comporta como um típico cidadão divorciado. Meio largado, inconsequente e beirando à burrice mesmo.

E talvez por isso a série me causou um pouco de irritação. As piadas são meio óbvias em boa parte o tempo, e quando você começa a dar risada do fato de um desenho animado tentar matar um pássaro gigante também feito de desenho animado na base da porrada, é sinal que a coisa fica bem complicada.

A combinação da animação com o live action não é algo orgânico. É meio tosco mesmo, e talvez a ideia fosse essa. Mas o que quero dizer e que, na prática, as atuações ficam engessadas, e a série perde ritmo com isso.

Com tudo isso, não achei Son of Zorn algo detestável. Só achei fraca. Uma tentativa infeliz de fazer algo mais original em uma temporada marcada pelo mais do mesmo.

E digo até que “infelizmente” é uma série fraca. Pois precisamos de comédias de boa qualidade.

Primeiras Impressões | Lethal Weapon (Fox, 2016)

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Podia ser pior. De verdade.

Antes de ver o piloto de Lethal Weapon, li muitas críticas sobre o episódio, dizendo que o mesmo caiu no óbvio. Mas era o óbvio que eu esperava do remake de Máquina Mortífera.

Até porque não tinha muito para onde correr. A série é o que o filme era.

E insisto: poderia ser pior.

 

Nada de novo

 

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O piloto de Lethal Weapon basicamente faz uma repaginação do filme que deu origem à franquia, condensando tudo em 46 minutos.

Está tudo lá. Um Martin Riggs emocionalmente destruído, com potencial suicida lá em cima, mas ao mesmo tempo canastra e bem humorado. Um Robert Murtaugh que é bom pai, bom marido, bom policial, nem tão certinho e todo cuidadoso com a saúde, pois não pode passar por estresse.

A combinação de personalidades tão diferentes vai ser explosiva sob vários aspectos. Um vai completar o outro nos seus estilos de vida, e isso vai contribuir para que os dois solucionem os casos mais inusitados e perigosos.

É claro que a consequência direta para os dois é a vida em risco, ou situações limite como constante. Mas… é exatamente isso que esperamos de uma série chamada Máquina Mortífera, não é mesmo?

 

Não esperava algo além disso

 

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Lethal Weapon não decepciona. Você pode achar o piloto fraco, e eu concordo. Mas é um plot limitado, que não tem muito para onde correr ou se desenvolver.

A boa notícia é que a produção é boa, pelo menos. Diferente de Rush Hour (CBS), que tinha cara de filme dos anos 80, o remake de Máquina Mortífera só parece um filme dos anos 2000, o que choca bem menos.

Nesse aspecto, o piloto é bem feito e tem boas cenas de ação, apesar de algumas coisas tecnicamente bem forçadas (carro capotando por causa de um impacto com uma barreira de latões de plástico cheios de água). Mas não dá para ser algo crível o tempo todo.

O grande problema da série nesse primeiro momento é o seu elenco, ao meu ver.

A dupla de protagonistas, apesar de ter química juntos, tem uma química às avessas, onde os dois ficam meio forçados nos seus respectivos papéis.

Quem me convence que Michael Kyle é um marido sério, um policial responsável e pai de família exemplar?

Talvez por isso eu não siga em frente com Lethal Weapon. Vamos esperar para ver como a audiência norte-americana vê esse remake. Começou com forte audiência (algo que era esperado), mas tem um futuro incerto se não se atentar para os detalhes.

Não precisa muito. Se conseguir divertir a audiência da Fox já será o suficiente.

O duro e detectar o que a audiência da Fox realmente quer. Eles são tão complicados de entender…

Primeiras Impressões | Designated Survivor (ABC, 2016)

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Não… não é o Jack Bauer na presidência dos Estados Unidos. E esta é uma ótima notícia, acredite!

O piloto de Designated Survivor era um dos mais esperados para essa fall season, e posso dizer que ele não decepciona. Um roteiro que torna tudo muito crível, um bom elenco, e um episódio com ritmo que deixa o desejo de ver o que vai acontecer na sequência.

E, é claro, Maggie Q fazendo mais uma agente do governo norte-americano. Mas isso é outra história.

 

Se você esperava ver Jack Bauer, pode esquecer…

 

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A melhor notícia que eu poderia receber de Designated Survivor é que não teríamos um Jack Bauer na presidência dos Estados Unidos.

Kiefer Sutherland finalmente entendeu que ele precisava interpretar outra pessoa dessa vez (se esqueceu disso em Touch), e dá ao seu personagem o tom crível que queremos: um Secretário da Habitação, um cara comum, com esposa e dois filhos, discreto e, obviamente, despreparado para assumir o posto de homem mais poderoso do planeta.

O ploto da série ajuda: pense no pior cenário possível, que é quando o presidente dos Estados Unidos, o vice-presidente e todo mundo do congresso morre em um ataque ao Capitólio. Quem assume? O Designado Sobrevivente.

A partir daí, vemos como esse sobrevivente se ferra de azul e vermelho, tendo que enfrentar a resistência dos militares (que, mais uma vez, se acham os donos da bola), a pressão da imprensa, a falta de confiança do time de funcionários do primeiro escalão e, para completar, a possibilidade dos ataques terroristas continuarem.

Sem falar que esta pode ser uma ameaça interna. Alguém disposto a derrubar o governo por não concordar com sua forma de fazer política.

Para muitos, seria o mundo perfeito

 

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Há várias coisas muito interessantes no piloto de Designated Survivor.

Uma delas são duas referências à 24 Horas bem sacanas: o personagem de Kiefer, com menos de 10 minutos de piloto, já acorda ao lado da esposa, e já consegue dar uns pegas nela. Desculpe o termo usado, mas as duas coisas Jack Bauer pouco fez na série, e uma delas, quando fez, a mulher morreu logo em seguida.

Deixando as piadinhas de lado, o piloto e bem feito, bem produzido e de fácil compreensão por qualquer pessoa. É um drama político envolvente, tanto na sua estrutura narrativa como no seu ritmo.

Os personagens e suas aspirações são facilmente identificáveis, e a empatia ou antipatia com alguns deles é algo imediato. E isso ajuda a acompanhar a trama de forma mais imersiva.

Você rapidamente entende que o novo presidente é um bom homem, e que está perdido com tanta gente psicologicamente mais forte. E é esse contraste que vai tornar a série mais interessante diante de todos.

No final das contas, entendo que o piloto de Designated Survivor não decepciona. A aposta da ABC pelo visto se pagou, e se não cometer grandes barrigadas de roteiro, deve garantir uma renovação segura.

É claro que eu fico me perguntando como Nikita consegue sair e entrar de tantos empregos dentro do governo norte-americano… não seria melhor manter a personagem ad eternum?

Enfim, quem sou eu pra questionar isso, não é mesmo?

Ah, e antes que eu me esqueça… muita gente por aí concorda com a forma de pensar ilustrada pelo Secretário de Defesa do piloto.

Porém, lá foi por nomeação, e aqui, o vice era da mesma chapa da presidente.

E, nos dois casos, só seguiram as regras do jogo. Entenderam? ;)

Primeiras Impressões | Better Things (FX, 2016)

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Meus problemas com Louis C.K. continuam. E, ao que tudo indica, não devem terminar tão cedo.

Lá fui eu assistir o piloto de Better Things, comédia criada pelo já citado no parágrafo anterior com a protagonista Pamela Adlon. E terminei o piloto com a clara sensação que eu sou burro e não entendo a piada.

Digo isso porque é mais uma das séries que os ditos “especialistas” adoraram (e eu acho que eles devem ter sua dose de razão, já que Better Things já está renovada para a segunda temporada) e eu achei um grande porre.

 

É tipo um Louie, sabe…

Better Things faz o já conhecido estilo de humor negro, onde temos que compreender e rir das ironias da vida, mesmo que estas ironias sejam coisas que não te façam gargalhar de rir.

De fato, a ideia não e essa. Esse tipo de comédia ilustra as situações que normalmente nos constrangem, mas que aos olhos dos outros pode ser algo engraçado. É a ironia da vida ilustrada, para que a gente possa rir de nós mesmos.

Louie é uma comédia que claramente aposta nessa estrutura narrativa, e Better Things segue o mesmo caminho. Vemos a vida de uma mãe (Adlon) que tenta viver com dignidade a sua vida de atriz/dubladora, além de sustentar suas duas filhas com idades e perspectivas de vida diferentes.

Uma delas é uma adolescente mala que está na fase de bebedeira e drogas. A outra, criança quase entrando na pré-adolescência, se comporta como uma birrenta, como qualquer outra.

Logo, a série mostra a vida dessas pessoas. Uma vida comum, de pessoas comuns. Que poderia ser a sua vida, só que nem você se deu conta disso.

 

Eu juro que tentei, mas…

Better Things não desceu.

Achei tudo muito chato, sem graça e desinteressante. A história de Sam Fox não me prendeu em nada, achei a maioria das piadas bem sem graça… sim, eu sei… eu sou burro.

E me chamo de burro porque provavelmente vão vir aqui dizer que a série é incrível.

Disseram o mesmo de Louie, que está no ar há anos, e eu continuo achando bem sem graça.

Na verdade, esse é o tipo de série que tem que ser do gosto da pessoa. E por isso em nenhum momento estou dizendo que Better Things é ruim (um exemplo de comédia ruim: We Are Men), mas sim que achei ela bem sem graça.

E aqui é muito mais uma questão de percepção e não de qualidade. Simples assim.

Mas recomendo que você veja o piloto pelo menos. Confesso que gostei mais de Altanta, mas vai que essa comédia do menino Louie melhora ao longo da temporada.

Vamos dar tempo ao tempo.

P.S.: só uma correção… We Are Men não é uma comédia ruim… é uma comédia horrorosa, um verdadeiro lixo televisivo. 

Primeiras Impressões | Atlanta (FX, 2016)

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O Troy de Community não existe mais.

Donald Glover tomou a sábia decisão de abandonar a comédia zumbi da NBC/Yahoo Screen para investir seu talento na sua própria série. Em Atlanta (a série), ele assume o completo controle de protagonismo, roteiro e produção, usando Atlanta (a cidade) e a música como pano de fundo.

É uma comédia de humor negro (pelo amor de Deus, isso não é um trocadilho), que lida com temas pesados, que se assemelham à realidade dos astros emergentes do rap e do hip-hom. Aliás, já repararam como a black music está em evidência no mundo das séries.

 

Sexo, drogas e rimas

Atlanta mostra a vida de um fracassado empresário do mundo do hip-hop (Glover), que está totalmente ferrado e prestes a ser expulso da própria casa pela mulher. Ele luta para se manter na família e cuidar da filha pequena. Até com a maconha ele deu um tempo, o que mostra que ele está tentando muito fazer a sua vida funcionar.

Nessas tentativas, ele decide deixar o seu emprego chato para empresariar a carreira do seu primo, que não é um grande rapper mas, convenhamos, precisa ser bom para fazer sucesso no mundo da música?

Acontece que eles precisam ter o mínimo de parcimônia na vida para não fazerem bobagens. Maneirar no consumo de drogas é um bom começo.

Fazer com que o astro se controle emocionalmente é outra medida interessante.

Tentar não agredir as pessoas então… nem se fala.

Logo, Atlanta vai mostrar as aventuras e desaventuras em série dos três personagens centrais, e a música será o elo de conexão (ou a força motriz) de todas a iniciativas que veremos ao longo dos episódios.

 

Um plot no limite

 

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Como disse, Atlanta é uma comédia adulta, onde você obrigatoriamente precisa ter um olho mais apurado para perceber as ironias da vida.

Em alguns aspectos, a série tem tons de drama, tratando de temas sérios, como a própria questão do “cuidar da família”.

Pode não ser a comédia que vai fazer você se escangalhar de rir, e nem é esse o objetivo. Mas das duas que o FX estreou nesse mês de setembro, é a que mais me agradou.

Como já está renovada para a segunda temporada, vou pelo menos monitorar os comentários de leitores e de outros veículos para decidir se assisto a temporada completa ou não.

Mas creio que vale a pena você assistir pelo menos os dois primeiros episódios.

Primeiras Impressões | The Get Down (Netflix, 2016)

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A cara do Baz Luhrmann.

Eu demorei para fazer esse post de primeiras impressões de The Get Down porque estava viajando de férias (muito proveitosas por sinal). Mas tirei um tempo para ver o piloto da nova série musical da Netflix.

E concluo que, quando um profissional deixa a sua assinatura em sua obra, isso pode ser uma faca de dois gumes. Ou a Ruth e a Raquel de todo um processo criativo.

 

A origem e ascensão do hip-hop…

 

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The Get Down basicamente conta a história dos primórdios do hip-hop, que tem como cenário principal a Nova York da década de 1970, mais precisamente no bairro do Bronx.

Lá, o movimento musical era algo emergente e intenso. O hip-hop assumiria o papel da disco music na relevância cultural da época, e as vidas dos moradores do bairro seriam profundamente afetadas por conta dessa mudança.

A série mostra o processo de desenvolvimento do estilo musical, ao mesmo tempo que ilustra e relação daquelas pessoas com a arte, a música, a dança e os conflitos sociais.

Sobre esse último, The Get Down ilustra muito bem o cenário comportamental dos moradores do Bronx diante da marginalização dos jovens negros, da ação da polícia e como tudo isso se reflete na manifestação musical e cultural daquela comunidade.

 

…e romance!

 

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Sem romance e conflitos pessoais? Não seria Baz Luhrmann!

The Get Down romantiza toda essa história que é tipicamente urbana (e, de certo modo, não deixa de ser urbana), combinando temas fortes com declarações de amor de um jovem artista que estava a fim de uma bela moça do bairro.

Não acho esse aspecto de todo ruim. É uma proposta para contar uma história, de suavizar algo que teria tudo para ser muito mais pesado pelo ambiente ilustrado pela série.

Mesmo porque todo mundo viu o que aconteceu com Vinyl (HBO).

 

De qualquer forma…

 

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The Get Down é uma ótima dica para quem gosta de música e história da música. Talvez um piloto de 1h30 seja muito para minha cabeça, mas isso não tira o fato da série apresentar elementos bons o suficiente para que as pessoas prossigam na série sem muitas dificuldades.

A riqueza de detalhes apresentados, somado com as várias referências de cultura pop, resultam em uma série muito bem feita, bem formatada e interessante para se acompanhar.

O que pode faltar é um pouco de tempo para ver tanta série. Se bem que este é tipo de série que merece ser devorada em um final de semana.

E Aí… Comeu? – A Série (Multishow, 2016) | Série em Review (Primeiras Impressões)

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E Aí... comeu?

Eu podia perfeitamente ter esperado mais tempo para escrever sobre E Aí… Comeu?. Mas precisava cumprir com meu compromisso cívico com vocês.

A tentativa de fazer comédia com a visão masculina e bem humorada da crise de meia idade na perspectiva de três homens com vidas diferentes não diz a que veio.

Assim como o filme, que na época achei bem mais ou menos.

 

Eu não como!

E Aí… Comeu? é baseada no texto da peça de Marcelo Rubens Paiva, e mostra as histórias de vidas amorosas de três homens de meia idade, que vivem fases diferentes de suas vidas.

Temos aqui o solteiro (Bruno Mazzeo), o casado (Marcos Palmeira) e o recém divorciado (Emilio Orciollo Netto). São amigos, cada um personalidades e experiências de vida diferentes, mas que acabam se entendendo sempre.

Compartilham suas vivências com as mulheres e, de tempos em tempos, suas conversas sempre caem na mesma pergunta…

E Aí… Comeu?

Pode parecer meio besta (de fato, é um pouco). Mas é o elo de ligação dos três.

A ponto de um deles (o recém divorciado) sugerir aos outros dois a inauguração de um hostel… para pegar mulher!

Não é tão do nada quanto parece, mas é desse jeito que eu estou te contando.

 

E continuo não comendo!

 

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E Aí… Comeu? segue a estrutura básica já vista no filme. Tem os mesmos personagens centrais, logo, é mais do que esperado que essa narrativa se mantivesse.

Tudo gira em torno dos três, o que acaba sendo um pouco cansativo ao longo da série. As situações propostas são inusitadas, mas não são necessariamente engraçadas.

Tal e como acontece no filme.

A tendência é que você identifique as ironias propostas pelo roteiro final de Bruno Mazzeo, mas não é algo que você efetivamente se apega logo de cara.

A série tem um tom mais adulto do que as demais comédias do Multishow, e algumas pessoas poderão achar que o texto tem um tom machista.

Mas acho isso um exagero que não tem muita razão de ser.

Podemos simplesmente resumir que E Aí… Comeu? é fraca, e tem que melhorar um bocado para vingar. E nada mais.