os últimos jedi

“Vamos vencer essa guerra… não matando quem nós odiamos… mas sim salvando quem nós amamos.”

Star Wars: Os Últimos Jedi é um dos melhores filmes de 2017, se não for o melhor. Para mim, é difícil qualificar isso, e até entendo ser desnecessário. Aqui, temos o típico caso do “o que realmente importa é a experiência”. E a experiência oferecida por esse filme é tão plena, que sair feliz do cinema depois de 150 minutos de uma história cheia de alternativas é o que realmente importa.

Dar continuidade aos eventos ocorridos em O Despertar da Força era a missão desse filme, que consegue ir além nessa proposta de diversas formas. Inclusive pensando em um futuro para a franquia Star Wars de forma estruturada, abrindo espaço para o novo de uma vez por todas. O destino final da história aponta mesmo para o fim da história da família Skywalker, onde o novo será o fator decisivo para o embate final. Bom, pelo menos é isso o que o final do filme deixa bem claro.

Uma das boas coisas que Os Últimos Jedi de Rian Johnson oferece é a estratégia de linhas narrativas que trabalham de forma paralela, para se encontrarem no ato final do filme. Mas o que denota a qualidade dessa proposta é construir essas linhas narrativas com consistência. Sem exageros, mas cada um dos arcos principais poderiam ser filmes isolados e, ainda assim, seriam bons filmes. Mas as linhas narrativas se complementam, se fortalecem, transformando esse filme em uma experiência completa.

Essa dinâmica narrativa é complementada pelo fato de, basicamente, ser um filme com o estilo Star Wars. A estética combina o clássico e o novo, mas sem causar choques visuais. Os recursos gráficos e computadorizados são oferecidos sob medida, sem exageros. As referências clássicas estão lá, todas elas facilmente identificáveis para quem acompanha essa história desde 1977. O respeito à essas referências é algo muito claro, o que reforça essa experiência imersiva para os fãs mais veteranos e apaixonados.

Para completar, temos uma trilha sonora soberba, onde em alguns momentos, de forma quase proposital, ela se torna mais evidente (graças ao ótimo trabalho de mixagem de som), para aumentar a imersão de quem está assistindo na ação que acontece na tela do cinema. Ah, sim… o 3D é dispensável: o filme é ótimo mesmo em 2D.

Falando da história em si, Os Últimos Jedi responde algumas perguntas que algumas pessoas fizeram ao longo dos últimos meses, em função do material promocional liberado em fotos e vídeos.

Um delas? Que Jedi é uma religião que está mesmo chegando ao fim, já que agora sabemos quem são os últimos Jedi (e que são eles que vão resolver esse conflito de uma vez por todas). Outra questão respondida é sobre a função de Rey e Kylo Ren no meio de tudo isso. A conexão dos dois vai para outro nível e, mesmo sem ter todas as perguntas respondidas, os dois finalmente compreendem que o poder de mudar tudo está neles mesmos. E que assim será no episódio final dessa trilogia.

Os Últimos Jedi é mais um filme que reforça a ideia da Força como um estado de espírito que vai além de manejar armas e levantar pedras, mas principalmente em se obter o equilíbrio. Mental, emocional e físico. Ser emocionalmente forte. Dominar esse poder que está dentro de cada um deles. Fazer o impossível se tornar possível. Proteger aqueles que não possuem poder nenhum.

Por outro lado, os membros da Resistência mais uma vez mostram que não ter poderes não significa que nada pode ser feito. Ser um agente de mudança cabe a cada um de nós, independente de ter ou não poderes. Sem falar que ser um herói não significa ter poderes, mas sim colocar a sua vida em risco para defender aqueles que não possuem qualquer poder.

São conceitos que já vimos antes em Star Wars, mas que é sempre bom de serem revisados.

Não só isso.

Os Últimos Jedi oferece uma dose de bom humor na medida certa, em tiradas sutis mas bem ajustadas. Nada escrachado ou explícito, no estilo Marvel, e sem descaracterizar a forma como a história é contada. É um filme que é espirituoso nas várias pontas em que se propõe.

Sobre as decisões tomadas para o avanço da história, a impressão que dá é que não foram feitas muitas alterações em relação ao plano original para Star Wars: Os Últimos Jedi. Mark Hamill já havia cantado a letra sobre os planos originais para os dois filmes finais, e pelo fato desse filme ser focado em Luke Skywalker, chegamos em uma situação de impasse: o que fazer com Leia Organa?

E por falar em Luke Skywalker… que volta, meus amigos!

O mestre Jedi mostra o seu conflito de dualidade por se envolver com o lado claro e escuro, buscando o seu próprio equilíbrio. Um personagem com alma quebrada, machucada e descrente. Mas mostra a sua redenção no ato final, de forma irônica e pontual, mostrando todo o seu poder e em como a Força pode se fazer efetiva.

No meio de alguns plot twists, chegamos em uma situação considerada limite, tanto para a Resistência como para a Primeira Ordem. As peças do enorme tabuleiro que xadrez que envolve essa grande guerra. Como disse antes, as peças foram espalhadas, e agora apenas Rey e Kylo Ren podem resolver esse conflito de uma vez por todas.

Star Wars: Os Últimos Jedi é sim um dos melhores filmes de 2017. É um filme mais do que competente. É envolvente, divertido e emocional. Te mantém no filme o tempo todo, mesmo sendo um filme de 150 minutos de duração. Não é cansativo, e você sai do cinema com vontade de ver de novo.

Vá ao cinema sem medo. E que a Força esteja com você.