South Park encerrou o seu mais recente episódio, ‘The problem with a poo’ acusando The Simpsons por ser um lugar cheio de racistas, pessoas ruins, intolerantes e cheias de ódio. Mais: a acusação veio com uma tela preta e a hashtag #CancellTheSimpsons.

Tudo é parte de uma mensagem dos criadores de South Park, Trey Parker e Matt Stone, que mostra como um uma cidade inteira decide exilar um personagem querido (o Mr. Hankey, o pedaço de cocô que representa o espírito do Natal) por publicar uma série de tweets ofensivos depois de tomar um medicamento para dormir.

Um grupo de PC Babies (bebês politicamente corretos) se sentem ofendidos com os comentários, e isso faz com que o cidadão vá para Springfield, onde é recebido por vários personagens, incluindo Apu, Barney, Homer e Bart.

O episódio faz uma paródia sobre as recentes demissões no mundo do entretenimento, que foi o objetivo de certos grupos de ‘justiceiros sociais’, que exumam comentários de mais de uma década para ‘fazer justiça’.

A hashtag #CancellTheSimpsons é a última pancada em cima da intolerância das pessoas que explodiu ao longo de 2018, levantando a pergunta: até onde chegam os limites das pessoas nesse novo ambiente social?

Será que não está na hora de analisar a atitude de todas as pessoas que não conseguem ver determinadas manifestações como uma simples comédia, paródia ou sátira do cotidiano, atacando as pessoas de forma irracional?

Enquanto isso, os verdadeiros culpados e intolerantes ficam livres, muitas vezes escondidos por trás desses movimentos.

É claro que o protesto de South Park é compreensível. O alvo natural é The Simpsons, e não apenas pela concorrência direta, mas porque os ditos patrulheiros digitais já acusaram a série de trazer valores racistas, misóginos e machistas.

Porém, os mesmos patrulheiros digitais se esquecem que, desde o primeiro segundo e ao longo de suas 30 temporadas, The Simpsons sempre se apresentou como uma aberta crítica ao ‘american way of life’, satirizando o norte-americano médio.

Ou seja, o problema, mais uma vez, vai além do politicamente correto. Beira ao irracional já.