Qual é a única coisa que o adolescente médio tem na cabeça? Sexo, é claro.

E essa é uma fase da vida bem complicada, e eles precisam de uma orientação mínima para não fazerem besteira. Na impossibilidade da mãe do amigo sexóloga orientá-los de forma adequada (porque isso poderia se configurar em assédio), é o amigo novato e com os seus próprios problemas que será a solução desses jovens perdidos e doidos para transar.

Sex Education, nova dramédia da Netflix, só podia ser britânica com a premissa que tem e a classificação etária apresentada (16 anos). A série mostra como um jovem hétero, branco, comum, nerd e problemático, tenta superar a juventude e a puberdade ao lado do seu melhor amigo, negro, gay e vítima de homofobia. Entre tantos nichos que se apresentam na escola, dois seres peculiares se aproxima dessa dupla.

Primeiro, o valentão e bem dotado filho do diretor, que não consegue concluir o ato sexual como deveria, por causa da pressão social que sente (e com o excesso de maconha que ele fuma). Depois a ninfomaníaca diferentona, que enxerga no jovem protagonista um verdadeiro prodígio, pois ele aprendeu direitinho ao viver uma vida inteira com uma mãe terapeuta sexual, que é muito empenhada no tema. Na teoria e, principalmente, na prática constante.

Sex Education é uma série ousada. De novo, só poderia vir do Reino Unido. Jamais os norte-americanos usariam um discurso tão aberto e até escrachado sobre o comportamento sexual do adolescente médio. E só por isso eu entendo que vale a pena você ao menos conferir o piloto da série.

 

 

É um plot que pode não ser algo tão original para algumas pessoas, mas que facilmente identificamos os traços de modernidade através dos seus personagens. Todos os envolvidos são carismáticos, e você com certeza se deparou com algumas pessoas com aquelas personalidades que são apresentadas.

A narrativa da série é bem interessante e descomplicada. Apresentar bem os personagens é o grande mérito desse piloto, principalmente quando mostra as aspirações claras de cada um deles. Também é possível ver em como os jovens são estigmatizados pela aparência e comportamento, algo frequente no universo atual dos adolescentes.

Mas a série é divertida e inteligente para fazer um discurso crítico e, ao mesmo tempo, irônico sobre todas essas narrativas. Ao mesmo tempo, vai abordar temas mais sérios com a franqueza que todo adolescente pede nessa fase da vida.

Sex Education tem um bom piloto, e é altamente recomendado para audiências de todas as idades. Seria muito legal se pais e filhos assistissem juntos ao primeiro episódio, e procurassem discutir juntos tudo o que aparece na tela. No meio de uma piada sobre o uso de Viagra e um rapaz bem dotado, é possível extrair confissões interessantes, em um discurso que poderia ser feito por qualquer adolescente nesse momento.

Olha, posso dizer que dá para encarar o piloto da série sem muitos medos. Mas recomendo também que veja essa série sem tabus ou travas dentro de si. Vá de mente aberta e coração aberto. Afinal de contas, sexo faz parte da vida e todo mundo gosta. Certo?