Sex and the City foi uma pequena revolução para uma HBO que finalmente encontrava o tom de suas séries (especialmente depois de OZ e Família Soprano). Histórias ácidas e ousadas, produções pensadas em um público adulto de um canal premium que poderia destrinchar mais as suas narrativas em enredos mais elaborados.

Hoje, 20 anos depois de sua estreia, vemos como a série de Carrie Bradshaw se tornou referência de cultura pop, mesmo vindo depois de Friends, que abriu as portas para o conceito de “histórias de amigos que vivem juntos em Nova York e trocam as experiências de suas vidas de forma casual”.

Tá, você vai gritar Seinfeld nesse momento. Mas esta era a série sobre o nada.

Sex and the City era para todos, mas não era para todo mundo. Qualquer pessoa podia assistir a série, mas com certeza você não iria querer assistir essa série com a sua avó, por exemplo. E a sua avó não iria querer ver os episódios com você presente na sala.

E essa era JUSTAMENTE A IDEIA dos seus criadores e roteiristas.

O sexo como elemento central da narrativa, os diálogos diretos e sem rodeios e as posturas modernas de suas protagonistas eram o retrato da mulher moderna do final da década de 1990/começo dos anos 2000, e um preview de como seria a mulher dos próximos 20 anos. E nem todo mundo estava preparado para isso.

Porém, Sex and the City ajudou a nos preparar para um novo tempo onde a mulher efetivamente passou a lidar com esse tema tão tabu com maior naturalidade. Não é incomum saber que, hoje, as mulheres conversam sobre sexo entre si dessa forma. E isso se chama evolução. Progresso. Modernidade.

Acredite, todos nós saímos ganhando com Sex and the City de alguma forma.

 

 

O sexo verbalmente explícito da série inspirou produções futuras. O exemplo mais consistente que posso dar nesse momento é Desperate Housewifes. Marc Cherry, criador da série, já confessou o seu fascínio sobre Sex and the City, e deixa essa referência clara no piloto da trama, quando as donas de casa desesperadas passam parte do episódio comentando como ovularam imediatamente ao constatar a chegada no bairro do novo vizinho gostosão de meia idade.

Sem falar que Sex and the City também foi uma das séries pioneiras em como melhor mostrar os homossexuais de uma forma digna e moderna na televisão. OK, você pode dizer agora Will and Grace. Mas… foi diferente.

Assim como o sexo, o homossexualismo sempre foi um tabu na mídia norte-americana, e a série da HBO colocou tudo em um mesmo grupo, tratando esses temas polêmicos de forma tão natural, que esses assuntos eram abordados com a mesma naturalidade que Carrie pedia para Charlotte passar a jarra de suco para ela.

É claro que Sex and the City não é uma série perfeita. Algumas decisões narrativas ao longo de seis temporadas foram bem infelizes, sem falar nas brigas de bastidores. Mesmo assim, estamos falando de uma produção icônica, que hoje faz parte da cultura pop global de forma definitiva.

Quebrou paradigmas. Mudou conceitos. E, o mais importante: apresentou ao mundo como seria a mulher moderna nas próximas décadas. E em como ela está em constante evolução.