No final do século XX, as séries e filmes protagonizadas por mulheres eram uma minoria. Produções como Sex and the City, Xena – A Princesa Guerreira ou Buffy – A Caça-Vampiros quebravam uma barreira em prol da visibilidade da mulher. Mas só faziam isso sob o olhar crítico masculino.

Essas séries foram criadas por homens que moldaram o seu olhar ao psicológico e comportamento de suas tramas, caindo nos estigmas perpetuados durante o século passado. As mulheres da ficção só existiam para cuidar da família, ser o peão de uma história de amor, ou para ser a pimenta de um filme que precisava de um pouco de sexo para quebrar o suspense.

Personagens como Lynette Scavo em Desperate Housewives ou Claire Dumphy em Modern Family são apenas dois exemplos do que eu estou falando. E são exemplos ‘modernos’, pois no passado, o estereótipo foi apresentado de forma muito mais flagrante e, consequentemente, pior.

Se a realidade audiovisual é criada por homens, é sinal que o mundo está perdendo o discurso da outra metade da população mundial. Estamos consumindo uma ficção pensada por e para homens. Porém, o número de conteúdos criados e protagonizados pelas mulheres é cada vez maior.

Séries como Orange Is the New Black, Jessica Jones, Better Things ou Broad City são disruptivas, não pelo seu discurso (também por isso), mas pelas vozes que contam essas histórias.

Nesse post, indicamos séries imprescindíveis que ampliam o imaginário feminista.

 

 

Killing Eve

Phoebe Waller-Brigde deu na mesa ao criar um dos melhores thrillers de espionagem da história da TV, protagonizada por Sandra Oh e Jodie Comer. Uma incrível obra de mestre. Uma série de mulheres fortes, inteligentes e surpreendentes. Revolucionária em muitos níveis.

 

 

Girls

A primeira série pós-feminina do século XXI. Lena Dunhan narra como é ser uma mulher com menso de 30 anos em uma cidade como Nova York, com pouca grana e poucas oportunidades. É a antítese do que Darren Star mostrou em Sex and the City no final dos anos 90, onde o empoderamento não vem do consumo ou jantares em restaurantes caros. Em Girls, as protagonistas superam os seus complexos, lidam com expectativas vitais com coragem e crescem através das relações interpessoais.

 

 

SMILF

Criada, produzida e protagonizada por Frankie Shaw, a série fala em como a maternidade afeta a vida profissional e pessoal das mulheres quando não existe conciliação. O pouco dinheiro e pouca ajuda faz com que a protagonista apresente o quão complicado é ser mãe solteira.

 

 

The Marvelous Mrs. Maisel

Amy Sherman- Palladino, roteirista de The Gilmore Girls, apresenta a história de uma mulher que, em plena década de 50, busca o seu espaço como stand-up comedy. É o mesmo que Betty Draper destruindo o seu papel de esposa perfeita para criticar as misérias do machismo e as contradições de sua própria vida. Ou toda a vida da Dercy Gonçalves.

 

 

Glow

Baseada no programa dos anos 80 ‘Gorgeous Ladies of Wrestling’, onde mulheres de todos os tipos lutavam corpo a corpo para que a classe média norte-americana se divertisse diante da televisão. Porém, a série apresenta personagens complexos, que podem estabelecer relações afetuosas fora do ringue. Apresenta um contexto misógino que leva as protagonistas a desejarem ser elas mesmas, e se unem com o objetivo de sobreviver à depreciação do chefe.

 

 

The Handmaid’s Tale

Escrita e produzida por Margaret Atwood, conta a história de uma terrível distopia onde as mulheres são meros elementos biológicos, utilizadas para repovoar a República de Gilead. As mulheres férteis são sequestradas para se transformarem em escravas sexuais dos comandantes do novo estado. Aqui, vemos como mulheres independentes lutam pela sua liberdade, tentando destruir a imposição de sua condição reprodutora.

 

 

Big Little Lies

Aqui, as protagonistas se definem através da imperfeição e dos seus erros. Não são os acertos ou os sucessos de suas vidas que contam, mas sim a capacidade de se equivocarem e de se apoiarem uma nas outras para aprender, se re-erguer e recomeçar. A série da HBO é uma mudança de paradigma, pois foi capaz de mostrar como mulheres com vidas e condições sociais muito diferentes se unem por um sentimento comum: a luta contra a violência de gênero através da solidariedade.