Nikita 219

Não vou negar: eu me divirto fazendo bullying com a CW, e não escondo isso de ninguém. Vocês podem gostar das séries do canal, é direito de vocês. Podem até dizer que as séries da CW “são boas” (algo que, obviamente, não vou concordar com você, pois a lista de séries que desmente essa afirmação é bem longa). Mas o fato é que a CW pede por isso. Até mesmo os jornalistas norte-americanos fazem o tal bullying com a novata da TV aberta.

A CW tem a menor audiência em média das grandes redes norte-americanas (ABC, NBC, CBS e Fox… porque a CW é o “café com leite” dessa lista). Alguns motivos explicam isso. Fora o fato do canal ser altamente segmentado (claramente voltado ao público jovem nos EUA, que cada vez menos assiste TV, pois vive na internet), a CW não é uma rede que está presente em todo o território nacional.

O canal está presente em muitos estados norte-americanos, mas não em todos. Ela só está presente no país todo por causa de serviços de TV por assinatura como Dish e DirecTV. Logo, a sua audiência é naturalmente menor.

Além disso, diferente dos demais grandes canais da TV aberta, a CW só possui produções originais no horário de primetime (horário noturno), com suas séries. Durante o dia, o canal vive basicamente de reprises de séries do passado e do presente de outros canais, pelo sistema de Syndication. Na maioria dos casos, reprises de séries com produções da própria Warner Bros. (você sabia que Friends é reprisada na CW nos Estados Unidos?).

Mesmo assim, os seus ratings em grandes cidades dos Estados Unidos (Nova York e Los Angeles, principalmente) são simplesmente “ridículos” (estou colocando entre aspas por uma questão de respeito; não é algo pejorativo, acreditem). Séries como Cult (já encerrada) e Nikita (com sua temporada final confirmada) tentam sobreviver com demos 18-49 anos de 0.2 ou 0.1, e uma audiência geral inferior a 1 milhão de expectadores. Essa é uma audiência que é menor que muitos canais de TV paga por lá.

E, no caso da CW, nem o DVR (gravadores digitais de programação) salva essa audiência.

Então… qual é a mágica, CW?

Recentemente, o jornalista James Hibberd, do Entertainment Weekly, decidiu fazer um pouco de bullying no evento do Television Critics Association (TCA) com o CEO da CBS Corp., Les Moonves, que é responsável pela CW (uma vez que o canal é fruto de uma joint-venture entre CBS e Warner Bros.). Hibberd fez a pergunta de US$ 1 milhão: “como a CW consegue sobreviver com uma audiência tão baixa?”

Les Moonves respirou fundo, e admitiu que a CW “perde algum dinheiro” ao ficar no ar. É, Les… esse é o preço de manter um empreendimento segmentado no ar, não é mesmo?

Mesmo assim, a CW se mantém por um único motivo. Motivo esse lucrativo para a CBS/Warner: as suas séries. Sim, amigo leitor. Essas mesmas séries que tanto são alvos de polêmica e comentários pouco respeitosos de nossa parte. Elas dão muito lucro para a CBS/Warner, e acabam pagando a sobrevivência da CW. De novo: mesmo com a CW em si causando prejuízo.

Séries como Supernatural, The Vampire Diaries, Nikita, as já finadas Smallville e Gossip Girl, e a novata Arrow rendem lucros para a joint-venture justamente na negociação dos direitos de exibição nas plataformas digitais, como Netflix e Hulu. Plataformas essas que estão muito mais próximas do público-alvo da CW do que o próprio canal de televisão. Logo, acabam gerando mais dinheiro na sua exibição online do que, por exemplo, Mad Men (por motivos óbvios).

Além disso, essas mesmas séries (que pertencem ao grupo Warner Bros., que é gigante) são exibidas no mundo todo, levantando lucros expressivos para os dois grupos de mídia. É por causa das distribuições internacionais (e pela ganância da CBS/Warner) que séries como Supernatural podem ter, por exemplo, 19 temporadas (estou falando sério; isso foi dito durante a última edição da Comic-Con 2013 – falamos disso no podcast dessa semana).

Resumindo: a CW é o pequeno “laboratório de testes” da CBS/Warner para os seus negócios futuros. Por conta disso, não deve morrer tão cedo. Afinal de contas, é lá que eles vão testar novos formatos de séries para um público com grande potencial de consumo, e que no futuro terá o poder de compra nas mãos. Aliás, já possui esse poder de compra hoje, seja pagando a mensalidade do Netflix ou Hulu, comprando episódios no iTunes ou comprando os boxes de DVD e Blu-ray de suas séries.

Aliás, uma coisa que falo brincando no podcast, mas que pode se tornar uma realidade bem plausível é sobre o crescimento da CW nos próximos anos. A Fox, que em 2013 completou 25 anos de vida nos EUA, quando começou, era a mesma coisa: um canal com uma programação voltada mais para o público jovem, com visão jovem. Até porque só eles levariam ao ar séries como 21 Jump Street (Anjos da Lei), Beverly Hills 90210 (Barrados no Baile) e Melrose Place (primeira versão).

Por isso, amigo leitor/membro da “família CW”… não fique triste quando eu fizer bullying com o seu canal. Se bobear, daqui a 15 anos, será esse canal que vai MESMO exibir o Emmy Awards, com remakes de Reign recebendo a maioria das indicações.

Até lá, fico torcendo para que esse futuro demore ao máximo para chegar.

Com informações do EW.com