Eram muitos que esperavam, mas não com tanta força: ‘Roma’ não só destruiu – merecidamente – nas indicações para o Oscar 2019 que acontecerá em 24 de fevereiro, mas fez história com dez indicações, quebrando recordes e colocando o cinema em língua espanhola no centro das atenções.

Tudo isto não teria sido possível sem Alfonso Cuarón, que a moldar o que sem dúvida é seu trabalho mais pessoal até agora, já que não só ocupou o assento do diretor. Ele também atuou como roteirista, produtor e diretor de fotografia. E falar tudo isso não significa nada. Os resultados desse trabalho todo falam por si.

 

 

Os registros dos feitos de Cuarón

Podemos começar a discutir os marcos que marcaram ‘Roma’ nas indicações ao Oscar referentes precisamente à condição de Cuarón como cineasta, cujo trabalho é tão impecável como a escala de cinza em que o filme é apresentado. Até hoje, a Academia nunca indicou um cineasta que tenha trabalhado de forma tão independente.

Mas isso não é tudo, porque o vencedor do Oscar por seu trabalho em ‘Gravidade’ se tornou o cineasta que acumulou o maior número de indicações com um único filme em um ano (cinco: melhor fotografia, melhor direção, melhor roteiro original, melhor filme e melhor filme estrangeiro).

Além de Cuarón, apenas duas pessoas conseguiram tantas indicações em um único ano – com alguma trapaça -, sendo o recorde pertencente a Walt Disney, que acumulou seis indicações em 1954 com seis filmes em disputa; algo que só Francis Ford Coppola conseguiu chegar perto, que em 1972 recebeu três indicações para ‘The Godfather: Part II’ e dois para ‘The Conversation’.

 

 

O grande ano da Netflix

Porém, independentemente das façanhas pessoais de Alfonso Cuarón, se ‘Roma’ marcar um antes e um depois no Academy Awards é por causa do seu status como um filme distribuído em uma plataforma de streaming, tornando-se o primeiro filme da Netflix (fora da seção de documentários) a conseguir uma indicação ao Oscar pelo melhor filme, com chances reais de vencer nessa categoria.

Vale a pena lembrar que, em 2016, ‘Manchester à Beira-Mar’, produzido pela Amazon Studios, já alcançou a mesma honra. Porém, nesse caso, o modelo de negócio da empresa Santa Monica implica uma distribuição que respeita as vitrines tradicionais em cinemas. Por isso não dá para comparar com a situação da Netflix nesse momento.

Como seu diretor mencionou, respondendo pela enésima vez a pergunta sobre o debate cada vez mais absurdo que o video on demand enfrenta com a exposição tradicional, ‘Roma’, um filme em preto e branco filmado em espanhol, não seria possível sem um grande estudo por trás, já que apenas empresas grandes podem pagar os riscos que uma produção com essas características normalmente corre.

De qualquer forma, ‘Roma’ é um ótimo filme, independentemente do tamanho da tela em que ele é projetado. Um fator circunstancial, como vimos no caso desse filme, que não é incompatível a todos para se aplicar e levar todos os grandes prêmios do ano.