rogéria

Astolfo Barroso Pinto. Um dos homens mais criativos, sensuais e desejados do Brasil.

Rogéria foi virar estrela no céu porque ela não podia mais brilhar em um mundo onde seu talento era visto de forma preconceituosa. Por outro lado, foi brilhar em um lugar onde todos aqueles que a amavam poderão vê-la de forma reluzente, resplandecente. De forma digna. Do tamanho da grandeza que ele trazia dentro dela.

Rogéria não foi apenas um homossexual que se vestia de mulher, cheia de trejeitos e gírias típicas do grupo LGBT. Foi uma artista completa. Tão completa, que fez alguns homens ditos machões se apaixonarem por ela.

Na verdade, toda pessoa de bem se apaixonou pela forma que Rogéria apresentava a sua arte. Em como vivia a vida. Em como via o mundo como um grande palco, onde aqueles que o rodeavam eram testemunhas de seus sonhos concretizados.

Rogéria sempre deixou claro que sempre foi Astolfo. Mas foi como Rogéria que ela se mostrou ao mundo. Tão boa atriz, que fez mulheres mais fortes, decididas e determinadas que muitas mulheres que conheço. Não só era talento, mas era força.

Foi a primeira travesti a vencer no preconceituoso mundo do entretenimento brasileiro. Abriu as portas para talentos como Nany People e Isabelita dos Patins, sem falar nos homossexuais que ganharam espaço diante das câmeras e nos palcos.

De forma discreta, defendeu os direitos desse grupo de pessoas, quebrou paradigmas, e prevaleceu pela sua capacidade de cantar a vida e interpretar personagens que todos poderiam se identificar de forma imediata e definitiva. Foi como qualquer outra pessoa, mas especial por ser diferente de todos.

Astolfo Barroso Pinto não tinha o pinto com P maiúsculo só no nome. Era um homem bem dotado, não só fisicamente, mas espiritualmente.

O Astolfo faleceu, aos 74 anos. Já a Rogéria foi virar estrela no céu, para entrar para a eternidade, como uma das artistas mais completas que o Brasil já viu.

Não existirá outra Rogéria. Fato.