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Essa é A grande aposta da NBC para a temporada 2013-2014 (ao lado de The Michael J. Fox Show). The Blacklist foi apontada pelos críticos norte-americanos como uma das séries mais promissoras da temporada. De fato, motivos não faltam para isso: uma grande produção, uma série policial com uma premissa intrigante, e James Spader como protagonista. A pergunta é: a combinação de tudo isso funciona na prática?

Um dia normal no prédio central do FBI. Até que Raymond “Red” Reddington (James Spader), o criminoso mais procurado do mundo, aparece, do nada, e decide se entregar. Afirma o paradeiro de um dos perigoso terrorista, com riqueza de detalhes. Se coloca à disposição para capturar esse cara (até porque ele tem até alvo escolhido, uma pequena garotinha), mediante algumas regalias, entre elas, a estranha exigência de trabalhar especificamente com uma agente novada do FBI.

Novata mesmo. Elizabeth “Liz” Keen (Megan Boone) se prepara para o seu primeiro dia de trabalho na agência, e já é recrutada para essa espinhosa e intrigante missão: conhecer Red, e saber como ele pode realmente ajudar a evitar aquela ameaça. O perfil de Liz é típico de uma novata: apaixonada pelo trabalho, com forte instinto investigativo, mas se deixa persuadir com facilidade. É basicamente tudo o que Red precisa.

Mas… para que? Quais são as motivações de Red em se entregar ao FBI? Sim, pois algo muito maior do que o dinheiro que ele roubou (e o FBI quer a todo custo) está por trás de sua rendição. Ele vai dedurar todos os mais procurados terroristas, assassinos e criminosos dos Estados Unidos, que fazem parte da tal Blacklist… a troco de quê? Qual é o objetivo final de Red com tal atitude? E… por que Liz? Logo ela, com um passado nebuloso e até problemático, com cara de boa moça, ingênua (nem tanto), mas manipulável…

Para descobrir essas e outras perguntas, só assistindo a série.

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O piloto de The Blacklist é bom, mas tem alguns problemas que me preocupam. Mas antes que você comece a me xingar, eu vou dizer que gostei do piloto… levando em conta que é a NBC. Faz tempo que o canal do pavão não tem um piloto mais “sério”, com uma trama que desperte minimamente o interesse do telespectador, seja pela trama que precisa ser destrinchada ao longo dos episódios, seja pela qualidade do piloto apresentado. E, tecnicamente falando, o piloto de The Blacklist é muito bom.

Porém, o roteiro dá umas leves escorregadas. Ou talvez vai para aquelas obviedades que a gente já viu em outras séries do gênero. Não quero dar muitos spoilers sobre o piloto (que estreia na semana que vem no Brasil), mas algumas soluções para certas situações apresentadas no episódio podem ser facilmente antecipadas com alguns diálogos e com uma atenção maior aos detalhes.

Outras soluções são apresentadas muito rapidamente, sem dar a chance para o espectador sequer se surpreender com algumas revelações. O plot twist do final do episódio é fraco e previsível (até porque é impossível alguém que não tenha nenhuma suposta conexão direta com outra pessoa saber praticamente tudo sobre ela), e até dá para desconfiar que Red e Liz são muito mais próximos que todos imaginam – pai e filha, talvez. Mas é só um chute. Afinal, pouquíssimas coisas em Liz interessariam para Red. Exceto é claro o seu olhar para buscar pistas e o fato dela ser altamente manipulável.

Fora isso, gostei da dupla James Spader/Megan Boone. Os dois funcionam bem juntos, e precisam funcionar. A série é completamente calcada nos dois personagens, e tem que ser assim. Não que os demais personagens sejam dispensáveis (pelo contrário: a partir de agora, Liz tem que escolher em quem confiar), mas a trama principal da série é dos dois.

O meu maior receio com The Blacklist é que, depois de uma experiência frustrada com The Following (que tem uma proposta semelhante), que a série vá para as soluções óbvias e previsíveis, como algumas que foram apresentadas no piloto. Ser a série “o bandido do dia da lista” não é tanto o problema. O maior problema é se os criminosos forem pegos (ou fugirem) com as soluções mais óbvias, jogadas à esmo no roteiro, sem surpreender o espectador em nenhum momento. Esse, talvez, seja o maior problema do piloto de The Blacklist: eu só me vi surpreso uma úncia vez (ao saber que Liz é capaz de matar por quem ama). E nada mais.

Vou continuar com The Blacklist para saber como a trama continua. É boa, mas não é espetacular. Bom, pelo menos é melhor do que muita coisa que a NBC estreou nos últimos anos. Mas confesso que fico com um pé atrás.