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A gente sabe que Chuck Lorre tem problemas com drogas. Ou usa elas para escrever algumas de suas séries. Mas parece que, dessa vez, ele está usando as drogas ao seu favor. Mom estreou ontem (23) nos Estados Unidos, e foi considerada pelos críticos um dos melhores pilotos dessa temporada de séries. Vamos descobrir nesse post se concordamos ou não com eles.

Mom conta a história de Christy (Anna Faris), uma mulher de meia idade com dois filhos, abandonada pelo marido e com um passado totalmente bagaceira e irresponsável. Quando ela se vê no fundo do poço, tenta mudar radicalmente de vida: entra para o Alcoólicos Anônimos, procura um emprego, e tenta ser um bom exemplo para os seus filhos. É claro, ainda tem alguns deslizes na vida, como por exemplo ter um caso com Gabriel (Nathan Corddry), o dono do restaurante onde trabalha. Mas ela ao menos se esforça.

Na verdade, o que Christy mais deseja na vida (além de pagar as contas, oferecer um futuro seguro para os seus dois filhos e realizar os seus sonhos profissionais – que não é ser uma garçonete, com certeza), e ser uma mãe melhor para os seus filhos. Mais do que a sua própria mãe, Bonnie (Allison Janney), foi para ela. Quando ela se deu conta que ela estava ficando igual à sua mãe, ela decide virar a chave de sua vida.

Acontece que Bonnie foi mais bagaceira que Christy como mãe. E também está tentando mudar, para se reconectar com a filha. Assim como Christy está fazendo hoje com seus filhos (uma, na adolescência, e outro, ainda na infância). Bonnie também quer assumir um pouco mais o papel de avó, se aproximando dos netos. Para isso, ela frequenta o mesmo Alcoólicos Anônimos da filha, e virou uma viciada em chá (por causa da abstinência do álcool). É claro que ela também comete os seus deslizes, saindo com garotões. Mas ao menos ela está tentando.

E a série se centra na tentativa de Christy em tentar lidar com essa nova fase de sua vida, com o passado lhe batendo à porta de tempos em tempos. Mesmo que seja na forma do ex-marido, ou da filha jogando na cara dela que ela não é santa.

Pilot

Eu gostei do piloto de Mom. Não é aquela série incrível, mas é um piloto bem estruturado, com boas piadas. É uma forma de Chuck Lorre falar dos seus assuntos considerados “bagaceira”, mas dentro de uma estrutura amigável de comédia familiar. É até difícil imaginar essa série desandando como aconteceu com Two And a Half Men. Aliás, acho que nem é isso que Chuck Lorre quer (ele deixa isso meio implícito no card de um segundo no final do episódio).

Lorre quer tratar das questões polêmicas, que estão no cotidiano da família moderna norte-americana, mas com uma ótica que se propõe a ser mais voltada para a relação dessas pessoas que tentam mudar, que tentam ser melhor não só por elas, mas pelas pessoas que elas mais amam na vida. Esse processo de reaproximação de mãe e filha, em prol daqueles outros que já estão na família (e daqueles que ainda vão vir) deve ser a tônica da série. Se for assim, vai se dar muito bem.

Outro ponto positivo do piloto de Mom é a interação entre Anna Faris e Allison Janney. As duas estão muito bem no piloto, com diálogos bem interessantes, que rendem risadas espontâneas.

E, se você está preocupado em como essa série pode conseguir audiência logo de cara, olhe para a imagem abaixo e diga comigo: “Chuck Lorre, seu sacana!”.

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Particularmente, aprovei o piloto de Mom, e pretendo continuar. Se a série vai desandar depois disso, eu não posso fazer nada. Porém, as primeiras impressões foram boas. De novo: não é incrível, mas se você colocar lado a lado essa série com a proposta da Fox de mostrar a complicada relação entre pais e filhos (Dads), você dá um Emmy para Mom nos primeiros dez segundos do piloto.

Apenas porque Mom é muito melhor que Dads, em todos os sentidos.