MASTERS OF SEX (SEASON 1)

A fall season 2013 começo, e um dos “vazamentos” da semana é justamente de uma das séries mais promissoras da temporada, segundo os críticos norte-americanos. E, no final das contas, Masters of Sex surpreende. Não por entregar uma proposta promissora (pois isso era algo que já esperávamos), mas por tratar o universo do sexo com naturalidade, e não indo para a bagaceira explícita, como os tarados de plantão esperavam.

A série é uma adaptação do livro “Masters of Sex: The Life and Times of William Masters and Virginia Johnson”, de Michelle Ashford, que faz um relato do trabalho de William Masters (Michael Sheen) e Virginia Johnson (Lizzy Caplan), dois cientistas que resolvem desenvolver uma pesquisa sobre o comportamento sexual do ser humano. Ok… mas isso, na década de 1950, quando o tema era considerado tabu para a maioria das pessoas.

Masters é um cientista com uma vida complicada. Sua esposa, Libby (Caitlin Fitzgerald), não consegue engravidar, e é infeliz ao seu lado por causa disso. O chefe do hospital onde ele trabalha, Barton (Beau Bridges), não quer que ele realize os seus estudos no hospital, por motivos óbvios (todos vão acreditar que o que ele está fazendo é qualquer coisa muito pervertida, e não um estudo sério). E não é só isso.

A sua secretária, Miss Horchow (Margo Martindale) é velha demais para participar do estudo (que envolve uma abertura total de relatos sexuais, desde as preferências até a sensação do orgasmo) – e é por conta disso que Virginia é contratada, e para completar, o médico que deveria ser o seu parceiro nos experimentos, Ethan Haas (Nicholas D’Agosto), mas atrapalha do que ajuda, querendo pegar Virgínia, que só quer uma “amizade colorida” com Ethan.

No final das contas, a principal motivação de Masters é compreender como uma mulher se vê em relação ao sexo. Em um tempo onde o prazer feminino era totalmente ignorado, com os homens pensando em si, ele sequer se dava conta que as mulheres fingiam o orgasmo para que os seus parceiros alcancem o orgasmo mais rapidamente. A partir daí, ele começa a aprofundar os seus estudos, com o objetivo de compreender as diferentes facetas do sexo no ser humano.

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Eu achei o piloto de Masters of Sex simplesmente muito bom. Sim, esperava muito da série, mas como disse no começo do post, ela me surpreendeu. Tem o sexo, tem a pegação, tem os peitinhos… mas de forma quase que inacreditável, as cenas de sexo aparecem porque o tema da série é falar de sexo, e não aparecem à esmo, de forma gratuita. Elas servem para ilustrar a situação emocional, comportamental e até mesmo os elementos de pesquisa de Masters e Virginia. Resumindo: a série não se vende pelo sexo na tela.

O mais legal de Masters of Sex é a proposta de tratar de um tema considerado tabu na década de 1950, mas com o olhar compenetrado para a ciência. Tudo bem, parte das motivações de Masters é por perceber que sua esposa não é sexualmente satisfeita ao seu lado. Porém, tem as ambições de fazer história, procurando compreender algo que, na época, nem se pensava em ser imaginado pelas próprias mulheres: o prazer feminino.

Por que as mulheres fingem o orgasmo? Como as mulheres enxergam o orgasmo? Como elas o descrevem? Por que as mulheres não se masturbam? Algumas dessas questões são tabus até hoje, e é no mínimo intrigante ver esse tema sendo abordado em um período da história onde tudo era mais velado. Até mesmo as experiências de Masters são interessantes: afinal de contas, combina o melhor de dois mundos (para os geeks) – sexo e tecnologia.

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É cedo para dizer, mas Masters of Sex entrega o que os promos prometem, o que os críticos falaram, e deixa a sensação de que será uma série, no mínimo, promissora. Não me arrisco a dizer que pode ser uma das melhores séries novas da temporada, uma vez que a fall season 2013 começou hoje. Mas se você tem um olhar mais maduro sobre o mundo do sexo, acho que vale a pena ver o piloto. A Showtime parece ter acertado na proposta.

Fico na torcida para que a temporada toda seja linear, como o piloto foi.