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Hostages é uma minissérie, e não uma série regular. Vai ter apenas 12 episódios, e será exibida de setembro a dezembro. E talvez seja isso que garanta que ela seja exibida na íntegra. Se fosse uma série regular, eu não apostaria na sua sobrevivência. Vamos explicar com calma o porquê dessa afirmação.

A série mostra o drama da Dra. Ellen Sanders (Toni Collette), que vai fazer uma cirurgia relativamente séria em ninguém menos que o Presidente dos Estados Unidos, Paul Kincaid (James Naughton). Fora isso, Ellen tem uma vida normal. Aliás, normal até demais para quem tem a vida de um dos chefes de estado mais poderosos do mundo nas mãos. Mas falo mais sobre isso mais para frente.

Ellen é casada com Brian Sanders (Tate Donovan), executivo que vive um casamento frustrado, e faz da sua secretária a sua peguete. Com ele, a Dra. Sanders teve dois filhos, Morgan (Quinn Shephard), que com pais tão ausentes, tem tempo para transar com o namorado e engravidar, e Jake (Mateus Ward), que está envolvido com drogas (compra e venda, não consumo). Mas não tem problema: dizem que as tragédias unem as famílias, não é mesmo?

Na véspera da tal cirurgia, o Agente Especial do FBI, Duncan Carlise (Dylan McDermott), que está com a sua esposa doente, cheio de dívidas por causa do tratamento dela (ou com alguma outra motivação escondida dentro do alto escalão do governo), acaba tomando a decisão mais “sensata” do mundo: sequestrar toda a família Sanders, e fazer com que Ellen mate o presidente dos Estados Unidos durante o procedimento cirúrgico.

Se Ellen salvar o presidente, não tem problema: toda a sua família morre.

E temos aqui o novo drama da CBS.

Pilot

Eu tentei, mas Hostages não me agradou. Para começar, a série não tem nada de especial. Você pode até imaginar que a situação limite de “ou salvo o presidente ou salvo a minha família” fosse mais que suficiente para que o espectador que escreve esse post ficasse mais preso à série, mas não foi isso o que aconteceu. Pelo contrário: você não se importa com os dramas e as motivações de nenhum dos envolvidos, e algumas coisas simplesmente acontecem sem o menor sentido.

Por exemplo: quando a equipe tática de sequestradores liderados por Duncan tira as máscaras, a filha de Ellen logo diz: “ele tirou as máscaras! Ele vai matar a gente!”. Isso era meio evidente até para a personagem, que dirá para quem está assistindo. Logo, se você é um sequestrador com uma das missões mais absurdas do mundo, por que você tira uma máscara, dando a menor chance de ser reconhecido e dedurado?

Sem falar que toda a família de Ellen tem segredos. E por conta desses segredos, os membros da família começam a COLABORAR EFETIVAMENTE com os sequestradores. Ou seja, o risco de morte que se lasque! Sair vivo dessa situação? Quem se importa! Só não deixe minha mulher saber que eu tenho uma amante! Sério?

Sem falar que, obviamente, Duncan não está fazendo isso porque quer. E também não pode ser só problemas financeiros. Deixando de lado que um “Agente Especial do FBI” ganha muito mal no mundo de Hostages, está mais ou menos claro que existe uma pressão externa na vida dele para que ele cometa esses crimes. Talvez o único motivo de seguir vendo a série é esse: quem está por trás de Duncan, que quer ver o presidente morto?

Então… eu não vou continuar com Hostages. O piloto é fraco, com alguns momentos que chegam a ser risíveis, mas do tipo “sério que eles colocaram essa cena aí?”. É quase surpreendente que Jerry Bruckheimer assine a produção executiva da série. A ideia até é bem pensada, mas muito mal executada. Não será surpresa se, ao final dos 12 episódios, ela saia da programação da CBS para não voltar mais.