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Lá vem a MTV, aquele ex-canal de música, lançar a seguinte questão: ‘os aplicativos sociais podem matar?’ Poderíamos resumir o plot de Eye Candy nessa pergunta, mas tem tanta coisa acontecendo nesse piloto, que não podemos deixar você com um post de apenas um parágrafo (tem que ter pelo menos uns seis para que seja algo razoavelmente decente). Por isso, vamos aos fatos.

A série tenta pegar de jeito aquela audiência que curte ficar na internet e nos aplicativos de namoro online (que é a grande ferramenta narrativa da série), os stalkers (pois isso está na moda) e jovens com habilidades no computador (já que todo mundo que sabe fazer um post no Facebook é ‘gerente de mídias digitais’…), mais precisamente os hackers. Aqui vemos uma MTV atirando para todos os lados, e eles não estão errados nisso.

Porém… a história tem conteúdo para se segurar uma temporada toda (e ser renovada?).

A moça Lindy Sampson está curtindo uma liberdade condicional, depois de ter cometido alguns crimes cibernéticos. Teve sua irmã recentemente sequestrada, mas isso não a impede que ela siga com a sua vida, indo para baladas e sendo convencida por sua melhor amiga a se cadastrar (ou ser cadastrada) em um aplicativo de namoro online, no estilo do Tinder (mas não com esse nome), que busca os pretendentes através da geolocalização.

Depois de conhecer algumas figuras, ela começa a se envolver com alguns malucos que apareceram nos seus resultados. Até que uma série de mortes começam a acontecer, e ‘coincidentemente’, essas mortes estão associadas ao uso do aplicativo.

Lindy (que de boba não tem nada, a não ser ouvir conselhos dos amigos errados), começa a usar suas habilidades para fazer o serviço que a polícia de Nova York não consegue: investigar. E descobre o óbvio: o assassino em série usa o aplicativo para identificar pessoas e matá-las.

Paralelo à isso, Lindy tem que lidar com o seu stalker particular. O mesmo que sequestrou sua irmã, matou o carinha que ela estava pegando, e quase põe fim na vida de sua amiga. O camarada segue os seus passos, tem a voz sinistra, e está disposto a cortar a garganta da nossa protagonista a qualquer momento.

Só não faz isso logo por motivos de: 1) ele certamente é um tarado que sente prazer em ver Lindy em pânico, e 2) se ele matar ela, não há motivos para ter série.

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E sim… eu já acho que o stalker de Lindy é o seu colega de trabalho latino e gordinho. Me xinguem, mas não será nenhum absurdo se no final isso acontecer.

O piloto de Eye Candy é um tanto quanto confuso. Não, eu não sou burro. O piloto é que é meio mal estruturado mesmo. Existe o plot principal, o plot secundário, o crime que ficará esquecido ao longo da temporada (o sequestro da irmã de Lindy), mas tudo na série grita um ‘eu não me importo com nada do que eu estou vendo nesse piloto’. Victoria Justice não está a moça mais carismática do mundo, e convenhamos: que sorte ela encontrar uma divisão inteira de policiais que são modelos de cuecas Calvin Klein, não?

Talvez o maior problema do piloto de Eye Candy seja a obviedade. Não imagino essa temporada com um final surpreendente, e ao que tudo indica, teremos uma série policial na MTV no estilo ‘caso do dia’ para o público adolescente. Sem fazer com que eles se concentrem muito no que está acontecendo, deixando os mesmos entretidos com as cenas onde computadores e smartphones aparecem para se conectar com os elementos dessa jovem geração de telespectadores.

Deixo aqui dois registros do piloto. O primeiro é um erro de continuidade grotesco logo no minuto 7 (cena do sequestro da irmã de Lindy), e o segundo é apenas a melhor cena do piloto: o morto com um celular entalado na boca. Mais: o celular começa a tocar. GE-NI-AL! :D

Por fim, vou passar batido por Eye Candy. Pode até convencer o público-alvo da MTV na tentativa de ser a série mais sombria já lançada pelo canal, mas corre o sério risco de cair na galhofa completa por não saber conduzir direito a trama. Não é um plot confuso, mas não cativa logo de cara.

Tem gente que vai achar o piloto incrível, e eu entendo que é justamente esse público que a MTV quer: aquele que se impressionou facilmente com o fato de ser uma série do serial killer do Tinder. Ou do stalker da hacker.