Empire

Com Glee chegando ao seu final (agonizando na audiência), Kevin Reilly, ex-CEO da Fox, entendeu que o canal precisava de uma nova série musical. Para fazer link com American Idol na grade, e para capitalizar algum dinheiro nas vendas das canções originais executadas na série. Com tudo isso em mente, temos Empire, que até que não faz feio no seu piloto.

Funciona assim: Lucious Lyon é, hoje, dono da gravadora Empire, que está prestes a se tornar uma empresa de capital aberto, o que tornaria o seu império (sem trocadilhos) algo ainda maior. Bem sucedido e pai de três filhos, o mundo de Lucious seria perfeito, se não fosse dois ‘pequenos’ detalhes que mudam completamente o jogo das coisas.

O primeiro detalhe é que ele sofre de ALS (ou Esclerose Lateral Amiotrófica… sim, aquela doença do ‘Ice Bucket Challenge’), doença degenerativa e autoimune. Ou seja, ele está com os dias contados (na verdade, três anos). Logo, ele precisa encontrar o sucessor ideal para comandar os seus negócios. E entende que um dos seus filhos é capaz de fazer isso.

O mais velho, Andre, é o único que não é músico. É um executivo ganancioso, e vai tentar de tudo para assumir o poder. Mesmo que para isso precise passar por cima membros da família ou trapaceá-los. Jamal, o filho do meio, é considerado ‘a ovelha negra da família’ no entendimento de Lucious, pois apesar de ser o mais talentoso da família (e isso fica bem evidente), o pai o renega por ele ser homossexual.

O filho mais novo, Hakeem, é o favorito de Lucious. Mas é um vagabundo de marca maior, que não tem esse talento todo para o hip-hop.

Um dos três deve herdar o império do pai. Bom…. mais ou menos isso.

O segundo detalhe da vida de Lucious parece ser algo ainda pior do que a ALS: sua ex-mulher, Cookie, que foi presa por tráfico de drogas (ajudando Lucious) por 17 anos, saiu da cadeia por bom comportamento. Algo que ela não pretende manter para conseguir o que é dela de direito. Afinal, ela entende que ajudou o marido a construir a Empire, pois foi o dinheiro dela que permitiu que Lucious gravasse o primeiro álbum, que se converteu no início de tudo.

Agora, temos esse cenário relativamente complexo para ser destrinchado, ao longo de uma temporada.

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Com tudo isso, acho que o piloto de Empire tem créditos comigo. Tudo bem, eu sou suspeito para falar, já que eu gosto de praticamente tudo o que envolve música. Logo, não seria difícil me interessar pela série. Mas o que realmente entra no saldo positivo é que essa série repete a boa fórmula de Nashville, onde a música aparece quando ela realmente se faz necessária.

Na verdade, em Empire, a música é o elemento que conecta tudo. O que realmente importa na série é a trama construída, e os dramas que os personagens vão enfrentar ao longo dessa jornada. É bem a cara da Fox apostar em uma trama com ambiente urbano, falando de temas polêmicos, e com uma linguagem mais suja. Por outro lado, Empire se demonstrou no piloto uma série bem sólida e objetiva no que quer mostrar.

O texto é bom, o piloto não é maçante, está bem amarrado e segue uma coerência com os objetivos traçados pelos seus roteiristas. Se Empire vai se perder depois disso, eu não sei. Ela pode muito bem virar a série bagaceira, e afundar na audiência rapidamente (o que, convenhamos, na Fox não é algo muito difícil). Mas a primeira impressão que tive da série é boa. Não é algo que você diga ‘meu Deus, isso é maravilhoso, estou jogando dinheiro na tela do computador e o segundo episódio não vem’.

Mas é muito melhor do que, por exemplo, Forever.