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Alguém tinha que fazer o trabalho sujo pelo SpinOff. Pois bem, lá fui eu, com vontade zero, assistir ao polêmico piloto de Dads, que foi duramente criticada pelos grupos de defesa dos asiáticos, pelas piadinhas ditas preconceituosas. No final das contas, nem me importei muito com isso, pois passei os 20 minutos do episódio desejando que o mesmo acabasse. Ou que eu dormisse no meio. O que viesse primeiro.

Dads conta a história de dois grandes amigos, Warner e Eli, que são sócios-fundadores de uma empresa desenvolvedora de games. Os dois começam a receber destaque no mercado, com a empresa conseguindo cada vez mais visibilidade. A vida dos dois era perfeita. Sim, era.

Por motivos totalmente aleatórios e avulsos, os seus pais decidem morar com os filhos bem sucedidos. O problema é que os pais de Warner e Eli são completamente malucos (cada um do seu jeito), e com elevado potencial para tornar a vida dos dois um verdadeiro desastre. O pai de Warner, Crawford, é um otimista desajustado, se vê como um empreendedor, cheio de ideias revolucionárias, e volta para a vida do filho para ajudá-lo a tornar a sua empresa uma potência mundial.

Pois é, no primeiro dia onde Crawford aparece no meio de uma reunião de investidores asiáticos, sem ele sequer entrar na sala, ele consegue arruinar o acordo que o filho estava fechando com os chineses.

Já a relação de Eli com o seu pai, David, é mais complicada. Eli guarda diversas mágoas do passado em relação ao pai, uma vez que o mesmo não foi presente durante a sua infância e adolescência. Esse foi o incentivo para que Eli procurasse a independência mais cedo. Agora, David volta a morar com o filho porque perdeu tudo: esposa, emprego, propriedades e dinheiro. O pai segue sendo um escroto, mas o filho resolve dar mais uma chance para os dois tentarem coexistir no mesmo apartamento. Até porque se ele não fizer isso, não tem série.

Para completar, tem os dois personagens “estereotipados”: a empregada de Eli (uma latina) e a funcionária mais inteligente do escritório (uma asiática). E temos um piloto.

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Antes de qualquer coisa, tenha em mente que Dads é uma comédia fraquíssima como comédia. A série se vale pelas caras e bocas do Seth Green (que sabe fazer isso bem), e nada mais. Independente de qualquer leitura que as pessoas vão fazer das piadas “segmentadas” apresentadas no piloto, em termos de comédia, é totalmente dispensável. O episódio piloto dá uma leve melhorada nos quatro minutos finais (mas por causa, de novo, de Seth Green), mas não é o suficiente para me fazer voltar para o próximo episódio. Não por vontade própria. Mais para frente explico isso.

Os personagens não são carismáticos, você não se identifica com nada, algumas piadas são muito óbvias (toalha caindo no meio da cozinha, na frente da nora, por exemplo… isso não é piada, é pesadelo), e no final das contas, você não se importa com nenhum dos personagens e suas “barras de vida”. De novo: Dads, por si, é uma grande perda de tempo.

Sobre as piadas racistas e preconceituosas contra gays e asiáticos… os dois lados exageraram. Fizeram muito alarde por causa das piadas, mas tudo é tão ruim na série, que isso foi o de menos. As piadas existem sim, e muita gente vai achar (e com razão) que colocar a secretária asiática como a estudante oriental gostosinha dá mesmo a entender que a dupla de empresários coloca a menina em uma condição inferior. Porém, não acredito que os roteiristas serão tão burros em seguir apostando nessa proposta. Ainda mais depois de levar tanta porrada dos críticos.

E lembra do “por vontade própria” um pouco acima nesse post? Pois é, pode parecer sadismo da minha parte, mas eu confesso que estou curioso para ver como será o segundo episódio dessa naba, apenas para ver se eles vão continuar a estereotipar empregadas domésticas latinas, asiáticas gostosas e gays (já que todo escritório tem um gay – e é verdade, não adianta negar).

Por fim, Dads começou muito mal. Pode melhorar? É claro que pode. Eles podem investir na apresentação de uma história de pais e filhos de forma excêntrica (que é a ideia inicial da série), mas melhorando no texto e, principalmente, nos argumentos para as situações acontecerem. Pelo menos no piloto, tudo acontece à esmo, apenas para tirar o riso fácil. O problema é que, pelo menos comigo, nem isso eles conseguiram.