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Mais uma aposta de comédia da Fox. Antes de sua estreia, Brooklyn Nine-Nine foi considerada por muitos críticos norte-americanos como “a mais promissora estreia de comédia da temporada”. E, depois de ver o piloto da série, temos mais uma prova que o conceito de bom ou ruim é tão subjetivo quanto o gosto das pessoas. Ou seja, gostar de algo é uma coisa. Dizer que isso é bom, é algo bem diferente.

A série mostra o dia a dia da 99ª delegacia de polícia de Nova York, onde todos – eu disse TODOS – os policiais que lá trabalham reforçam a teoria que essa é uma das piores delegacias de polícia da cidade. Os funcionários mais excêntricos, estranhos e desajustados acabaram se concentrando em uma única delegacia de polícia, e para tentar fazer com que esse grupo seja mais eficiente, o Departamento de Polícia envia para lá o Capitão Ray Holt (Andre Braugher).

Ao chegar na 99ª DP, ele começa a conhecer o material humano com o qual vai ter que lidar. Do grupo todo, dois se destacam: a Detetive Amy Santiago (Melissa Fumero), que aparenta ser uma policial séria, dedicada e eficiente, mas não passa de uma puxa-saco, e o Detetive Jake Peralta… sério, Fox… um trocadalho no nome para os latinos? (interpretado por Andy Samberg). Os dois começam a série disputando qual dos dois é o mais eficiente em solucionar casos, utilizando métodos diferentes para isso. Mas todo mundo sabe que essa rivalidade responde por um nome: tensão sexual (podem me cobrar depois).

Amy acredita que o trabalho sério e o puxa-saquismo aos superiores são os segredos para solucionar crimes. Já Jake acredita que sua intuição infantil e suas soluções inusitadas são ferramentas mais eficientes. De fato, Jake é mais talentoso que Amy, mas é um moleque de 10 anos de idade preso em um adulto de 30 anos. Isso complica as coisas, e a missão do Capitão Ray é fazer com que Jake fique ainda mais eficiente.

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Brooklyn Nine-Nine é bem intencionada, mas mal executada. Confesso que dei algumas risadas de algumas piadas da série, e achei uma grande sacada o “grande mistério” do novo Capitão (não comentarei sobre isso aqui, mas será uma combinação interessante dele com Jake), mas não é essa Coca-Cola toda. Se baseia muito mais nas caras e bocas de Samberg do que em ter um bom roteiro, ou boas soluções para os casos apresentados.

A sua estreia ontem (17) na Fox rendeu uma audiência razoável (6 milhões, 2.5 na demo 18-49 anos), sendo melhor do que a estreia de Ben and Kate no ano passado. Porém, resta saber se as pessoas vão ficar pela série em si, porque gostam de Samberg, ou se nem vão ficar. Acho que vai ser o tipo de série para a audiência do segundo grupo. Em algumas situações, Brooklyn Nine-Nine quis ser um combinado de Loucademia de Polícia (lembra do filme?) com The Office, e não sei se as pessoas vão comprar esse tipo de premissa.

O piloto não é um desastre. Só é fraco e pouco atraente. Confesso que há uma estranheza da minha parte em relação aos jornalistas norte-americanos em afirmar que essa é uma das comédias mais promissoras. Talvez seja pelo aspecto “popularidade de Andy Samberg nos EUA”, uma vez que ele não faz algo muito diferente daquilo que ele fazia no Saturday Night Live. Tá, confesso que posso até continuar a ver, porque parte do meu cérebro gosta desse “humor retardado” de Samberg, mas não acho que isso seja suficiente para dizer aqui no blog que “essa série é boa”.

Enfim, Brooklyn Nine-Nine precisa apresentar mais para se firmar. Levando em consideração que as estreias da CBS e, principalmente, que Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. ainda não estreou, é bom a série se preparar para lidar com uma audiência mediana. Ou melhorar um bocado para surpreender.