Ainda estamos sofrendo o luto pela eliminação do Brasil contra a Bélgica na Copa do Mundo FIFA 2018. Apesar da tristeza do resultado, não podemos reclamar. Afinal de contas, não foi um 7 a 1. E nada pode ser pior que um 7 a 1.

Mas… vamos falar de entretenimento. E justamente das emoções que um jogo de futebol transmite que o cinema não consegue replicar.

Perceba que não temos um grande filme sobre futebol. E não é porque Hollywood é composta por norte-americanos que entendem que football é aquele da bola oval (e, mesmo assim, temos filmes ótimos usando a NFL como plano de fundo). Alguns fatores explicam por que o cinema não é capaz de entregar um bom filme sobre o nosso futebol.

O primeiro deles é a dificuldade em reproduzir a emoção das partidas nas tramas desenvolvidas por mentes brilhantes. Por mais que roteiristas preparados e criativos saibam como criar um cenário de dramaticidade, jamais será capaz de causar o mesmo efeito emocional de uma torcida ao testemunhar um pênalti, a comemoração espontânea de um gol, a celebração de um título, entre outros momentos que são únicos no esporte. E capturar tudo em 90 minutos tem um timing diferente de várias horas filmadas e editadas em diferentes ângulos.

Se bem que a NFL Films faz isso, e sempre entrega resultados espetaculares.

O segundo fator é a dramaticidade. O futebol é repleto de jogos inesquecíveis e momentos espetaculares, e poucas vezes esses elementos históricos são utilizados nos enredos de Hollywood para os seus filmes. Talvez o que os fãs de futebol esperam é justamente um olhar mais cinematográfico de, por exemplo, um Brasil 4 x 1 Itália (final da Copa do Mundo de 1970) ou Manchester United 2 x 1 Bayern Munich (final da UEFA Champions League de 1999).

O terceiro fator é escolher um personagem, um grande protagonista. A partir de que ponto podemos começar a contar a história de Pelé ou Maradona, ou o quanto estamos interessados em ver essa narrativa pelo lado pessoal ou profissional. Aqui, puxo pelo aspecto do item anterior: o personagem poderia ser um jogo histórico, mostrando tudo pela perspectiva dos jogadores e/ou envolvidos.

Além disso, um bom filme sobre futebol precisa retratar a crueldade em campo. Não a virilidade dos jogadores, mas o quão o futebol é cruel com os resultados. Mostrar que, nesse esporte, nem sempre o herói (ou o melhor time) vai vencer, e que talvez o herói é mesmo o time azarão, que luta contra tudo e contra todos para alcançar a vitória.

Por fim, é preciso ter atores em campo (e não estou falando apenas no Neymar), que passam a credibilidade na questão física e plástica do esporte, representando com convicção os bons dribles e defesas. Nada de Stallone ou outros que Hollywood tentou sem sucesso.

E, finalmente, um narrador para contar essa história. Não apenas um Galvão Bueno empolgado para traduzir em palavras e sentimentos o que estamos vendo, mas também a personalidade que vai mostrar o esporte mais popular do mundo para os seus fãs, com uma perspectiva singular, para ampliar a perspectiva de tantos outros.

Não estou aqui dando de graça a receita de sucesso para um bom filme sobre o futebol, mas isso é tudo o que eu imagino que um filme que usa esse esporte como pano de fundo precisa ter para prosperar. Com esses itens, acredito que qualquer fã de futebol vai sair da sala do cinema no mínimo satisfeito.

Ou doido para ver um jogo na televisão pela empolgação.