A luta contra o sistema continua.

Quando “This is America” de Childish Gamino foi lançado, eu pouco escrevi sobre esse videoclipe. Cheguei a compartilhar para os meus amigos nas redes sociais, pois entendia que o tema era importante e o discurso era forte. Porém, ninguém comentou ou compartilhou, pois o racismo era um problema que não os atingia.

Como nunca atinge, de fato.

Nos últimos meses, eu comentei em outros blogs sobre o racismo e a condição do negro na sociedade dominante. Porque senti isso na pele com certa força aqui em Florianópolis. Eu realmente estava cansado de discursos prontos de gente branca amiga dizendo que “o racismo não existe” ou que “eu deveria ignorar o racista”. Saibam vocês que é justamente o silêncio diante das agressões que propaga o eco daqueles que querem diminuir o diferente com um discurso de ódio e violência.

E isso não se aplica apenas contra o negro. O mesmo acontece com qualquer uma das diversas minorias que existem na sociedade, ou nas diferentes filosofias de vida existentes em qualquer cidade ou país.

Porém, a questão do racismo sempre foi tratada como o “grande elefante branco (sem ironias) na sala de cristal”.

Pois bem… “This Is America” é o elefante negro que decidiu atirar de volta. Contra tudo e contra todos.

Ver Childish Gambino (ou Donald Glover, como queiram) vencer o VMA de Melhor Videoclipe com uma Mensagem, ou o Vídeo de Luta Contra o Sistema é uma das melhores coisas que poderiam acontecer na decadente premiação musical da MTV. Mostra que a geração millennial ao menos está propensa a dar voz para as minorias, olhando todos como pessoas e não os gêneros, condições sexuais ou a sua raça. Fazem eco com o discurso de que algo pode mudar, e para melhor.

Já é uma geração que, naturalmente, se comporta diferente dos velhos, que se acovardam quando afirmam que “o racismo não existe, e que devemos deixar o racista falando sozinho”. Childish Gambino escancarou a realidade da situação nos Estados Unidos, em um recado claro para os mais conservadores.

Vamos ver se “eles” vão entender.

Parece que a geração millennial, por incrível que pareça, entendeu o recado do videoclipe. E isso é ótimo.

Que venha mais pauladas na cabeça do norte-americano médio como essa.