Polícia Federal - A Lei é Para Todos

A corrupção é um câncer, que precisa ser extirpado do DNA do brasileiro.

A corrupção não é uma invenção do PT. Nem do PMDB, nem do PSDB, nem de nenhum partido da atual geração de políticos brasileiros. A corrupção está no DNA do brasileiro desde que trombaram com essa terra. Pedro Álvares Cabral e sua comitiva nada mais eram do que bandidos que não queriam cumprir pena em Portugal, e foram jogados ao mar para descobrir novas terras como “pena alternativa”.

Ao longo das décadas, tivemos tantos escândalos de corrupção, que são incontáveis em um post. De cabeça, é impossível lembrar todos. Mas todos, em comum, tinha como resultado o grande problema do Brasil. Um problema maior do que a corrupção: a impunidade.

O grande mal desse país é que ricos e poderosos faziam o que querem, e nada acontece. Que políticos criavam e ditavam as regras do jogo, se achando acima do bem e do mal. Que a justiça não era para todos. Era apenas para os pobres e abnegados que tinham que andar direito, pagando impostos, seguindo as regras… caso contrário, eram presos, e sem perguntas.

Fico feliz em ver que esse tempo de país da impunidade começou a acabar. Claro, o Brasil não vai mudar de uma hora para outra. É um processo lento até que a grande massa da população reaprenda valores e elimine de dentro de si conceitos folclóricos que só nos arrastam como povo. O tal “jeitinho brasileiro” começou a acabar, já que os crimes não passarão mais em pune.

Todo corrupto será investigado, julgado e preso. Ver donos de empreiteiras gigantescas e políticos prepotentes e arrogantes pararem atrás das grades é algo hollywoodiano. Tão hollywoodiano, que virou filme. Um bom filme.

 

 

Polícia Federal – A Lei é Para Todos é inspirado em fatos reais sobre a Operação Lava Jato, mostrando alguns dos principais acontecimentos entre 2014 e 2016, ou do momento em que o esquema que envolvia a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas em postos de combustível até a queda de Dilma Rousseff como presidente da República (apesar desse último fato não estar relacionado diretamente com a investigação, a nomeação do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva como ministro do antigo governo estava diretamente relacionada, já que Lula, como cidadão comum e sem foro privilegiado, seria investigado pela força tarefa de Sérgio Moro, por conta das conexões que ele tinha com a Odebrecth e a OAS).

O filme mostra o lado dos investigadores da Polícia Federal ao longo da investigação. Mostra suas motivações, aspirações e as principais decisões tomadas para que a operação fosse tão longe. Os principais acontecimentos dentro do período proposto no filme são retratados em tela, apesar de apresentar alguns detalhes fictícios, apenas para tentar deixar a narrativa mais envolvente e imersiva.

Mesmo assim, o filme consegue manter uma média dentro de sua proposta. Narra de forma efetiva os acontecimentos, tal e como na sua sequência de eventos amplamente narrada pela imprensa. Em alguns pontos, a narrativa segue à risca seus personagens, não deixando margem para que os envolvidos contestem determinadas afirmações feitas ao longo da investigação.

O filme não agrada a todos, obviamente. Quem defende o PT e seu “modus operandi” de governar vai se irritar profundamente com o filme, já que o mesmo acusa formalmente Lula de ser o grande chefe de todo o sistema de corrupção que envolve a Petrobrás (o filme tem o cuidado de não apenas apresentar as inúmeras evidências que apontam para um favorecimento das empreiteiras diretamente relacionadas com a presença de Lula em momentos pontuais do esquema, o que configura efetivamente o tráfico de influência por parte do ex-presidente) e acusa Dilma de tentar obstruir a justiça na tentativa de nomeá-lo como ministro (revisando o episódio do telefonema alertando sobre o envio do termo de posse).

Ou seja, o filme ilustra claramente porque PT, PMDB e PP são os partidos que lideraram um esquema que envolve 28 dos 35 partidos políticos existentes no Brasil. Só não vai entender isso quem é muito burro, ou quem não quer aceitar que toda a investigação tem um fundo de verdade.

 

 

Polícia Federal – A Lei é Para Todos é uma mega produção que não teve captação de recursos pela Ancine (jamais o governo liberaria a captação para um filme com essa proposta), e foi 100% custeado pela iniciativa privada. O que pode ser mais um motivo de protesto pelos defensores de Lula e Dilma, mas que não invalida a qualidade técnica do longa. Sua estética lembra em alguns momentos a mesma vista na série 24 Horas, em um triller policial com densidade e perspectiva de quem testemunha os fatos com visão jornalística, tal e como aconteceu ao longo de todas as temporadas na série da Fox.

Estamos diante de um bom filme, mas que também tem alguns problemas perceptíveis. Nem todos os escolhidos no elenco foram tão alinhados com uma proposta baseada em fatos reais. Muitos questionam a escolha de Ary Fontoura como Lula, mas… era o que tinha para hoje. Além disso, personagens secundários como Marisa Letícia foram escolhidos sem o mesmo cuidado que o elenco principal que, em compensação, mostraram uma entrega maior aos seus personagens.

Por fim, um ponto agridoce do longa. A escolha acertada em ser efetivamente um filme sobre o núcleo da força tarefa da Lava Jato e dos membros do Ministério Público Federal – o que deixou Sérgio Moro como parte de todo esse time, e não como protagonista dele, o que poderia dar aquela falsa impressão de “poderoso chefão”, “paladino da justiça” e “super herói da nação” -, porém, o filme acaba correndo demais nos últimos 30 minutos, saltando alguns acontecimentos relevantes até chegar no momento em que Lula e Dilma são envolvidos pela primeira vez no escândalo do Petrolão.

Entendo a importância em encerrar o filme com esse evento (e aqui está outro possível ponto de crítica dos defensores do PT, já que o longa deixa claro que os dois fazem parte do esquema até o pescoço), mas ao meu ver seria fundamental detalhar um pouco mais os acontecimentos que levaram a esse momento, para não deixar margem de dúvidas sobre o envolvimento dos dois no esquema e seus objetivos com a nomeação do ex-presidente como ministro.

 

 

No final das contas, Polícia Federal – A Lei é Para Todos é um filme que cumpre o seu papel. Mostra os fatos como eles aconteceram, denuncia mais uma vez os envolvidos, mete o dedo na ferida de muitos que não aceitam que alguém decidiu tentar fazer a coisa certa, e faz o registro da maior operação anti-corrupção da história. Sim, pois estamos falando do maior esquema de corrupção da história da humanidade.

E a melhor coisa que poderia acontecer para esse filme foi ele estrear na mesma semana em que o quadrilhão do PT foi denunciado por Rodrigo Janot para o STF, Antônio Palocci dedurar os benefícios de Lula e Dilma nos esquemas com a Odebrecht, e os benefícios da delação premiada de Joesley Batista serem anulados por omitir detalhes que podem fazer com que políticos graúdos e juízes do STF enfrentem problemas sérios.

E Polícia Federal – A Lei é Para Todos deixa bem claro para todos: só nós, votando direito e fiscalizando os eleitos, podemos mudar o Brasil.

E sim… eles mal começaram. Há muito para ser feito para tentar começar a mudar o Brasil.

E é por isso que precisamos de uma “parte 2” para seguir denunciando.