Não vi Perdidos no Espaço, a série original (no Brasil, ainda passa na TV Brasil). Mas sei que é uma das séries de ficção científica mais influentes da TV. Logo, sua atualização na Netflix era esperada por muita gente.

O remake que chega à Netflix hoje, 13 de abril, atualiza as aventuras da família Robinson a bordo da Jupiter 2, sua cápsula de evacuação, que despachou a família para o espaço até cair em um planeta próximo. Do pouco que sabemos, houve uma fissura no espaço/tempo, e eles estão a anos-luz do seu objetivo.

A família é composta pelo pai militar (Toby Stephens), a mãe cientista (Molly Parker) e seus três filhos (Taylor Russel, Mina Sundwall e Max Jenkins, onde um dos filhos encontrará um misterioso robô. Também caem no planeta Dr. Smith (Parker Posey), que fará qualquer coisa por sua sobrevivência, e Don West (Ignacio Serricchio), um dos trabalhadores da expedição.

 

 

O começo da série deixa a sensação que ‘é o bastante’, sem funcionar nem como drama de aventura, nem como drama familiar. Para o primeiro aspecto, falta força e emoção, mesmo com seus personagens passando por situações de vida ou morte. Acabamos não nos importando com isso.

A família Robinson também não é crível, com atuações medíocres e personagens insuportáveis. Sem falar que, para explorar a personalidade da família, o roteiro de Perdidos no Espaço está cheio de decisões questionáveis.

Por exemplo, o uso dos flashacks no primeiro episódio. É importante lembrar o passado, mas a série faz isso para desacelerar sua narrativa de propósito. Com exceção de dois ou três, os demais poderiam ser substituídos por frases soltas em uma conversa, com o mesmo efeito.

Enquanto testemunhamos como os Robinson ficam perdidos no planeta aparentemente deserto, o festival de flashbacks mostram cenas familiares desnecessárias, inclusive para explicar por que eles foram para o espaço.

 

 

Porém, mesmo com um piloto decepcionante, acho que vale a pena conferir pelo menos o segundo episódio. A trama começa a abastecer melhor os mistérios que envolvem os protagonistas, e pode funcionar melhor na sua narrativa.

Eu não pretendo continuar. Perdidos no Espaço peca pela falta de força e emoção necessárias para uma série de aventura. É um tanto quanto sem sal. E de sem sal já basta a comida que eu como.