Como é possível não rir em um filme de comédia em 103 minutos?

Os Farofeiros conta a história de quatro casais que, por não ter qualquer outra opção melhor, tiveram que passar juntos as festas de virada de ano. Todos esses casais contam com personalidades diferentes, o que garante os conflitos óbvios que um filme desses naturalmente propõe.

Todos os homens de cada casal trabalham na mesma empresa, e a sugestão de viverem essa roubada vem de um deles. Porém, para complicar as coisas, o protagonista da trama, Alexandre, consegue uma promoção no trabalho, e tem que demitir um dos outros três funcionários que o acompanham nesse final de ano bizarro até o ano novo.

A viagem em si mostra os conflitos de todos eles, sob a ótica do filho mais novo do protagonista. É claro que a experiência acaba revelando as personalidades e os segredos da cada um, modificando a vida deles para sempre.

 

 

Sério. Eu não ri de absolutamente nada em Os Farofeiros.

Não que eu tenha problemas com humor do tipo Zorra Total (o velho Zorra, não o novo, que é muito melhor). Não tenho problemas com personagens estereotipados, muito menos com piadas machistas e preconceituosas. Até porque o filme faz certo humor disso, deixando claro que estão contando a história que boa parte dos brasileiros poderiam protagonizar todos os dias.

É a velha tática de fazer o público se reconhecer nas situações e rir de si mesmo. Isso mesmo. Comédia de situação. Sitcom. No seu formato mais direto.

Porém, é muito difícil para mim criar uma identificação com esse tipo de humor. Eu confesso que eu já tenho o meu ‘guilty pleasure’ dentro desse segmento: Vai Que Cola. E, ainda assim: eu só considero assistir por conta do texto ágil e pela liberdade de quebra de quarta parede oferecida pelo programa do Multishow.

Já no caso de Os Farofeiros, tudo é muito previsível e óbvio. Não existe o fator surpresa em nenhum momento, com um final absurdamente previsível (pois é óbvio que precisa ter o final feliz, no estilo ‘novela do Manuel Carlos’). Os personagens caricatas também são outro ponto negativo, com Cacau Protásio e Danielle Winits apenas fazendo as repetições de personagens que elas já interpretaram em outras oportunidades.

Com uma narrativa linear, o filme cansa ao se repetir em situações apenas para que os personagens se coloquem no lugar do outro, ou que passem pela mesmo constrangimento que alguém já passou. Eu entendo que a ideia geral do longa é fazer com que o espectador consiga rir de si mesmo, se enxergando nessas situações conflitantes. Mas isso é feito de forma tão displicente, que o resultado final é o pior possível.

O grande problema do filme está mesmo em um roteiro que beira ao inexistente. Tudo é muito espalhafatoso e sem qualquer tipo de ironia, nem mesmo em situações onde a ironia tenta se fazer presente. E o seu texto é um dos piores que já vi entre as comédias nacionais.

E olha, que eu realmente não tenho problemas com filmes ou comédias nacionais.

 

 

Os Farofeiros foi uma extraordinária perda de tempo. Um dos piores filmes de 2018, sem sombra de dúvida. Mas, de forma quase bizarra, pode ter o seu sucesso garantido por alguns fatores: nomes globais, uma distribuição eficiente, e a identificação da grande massa com as situações bizarras que eles passam.

Eu não sei como sobrevivi, mas não recomendo para o meu pior inimigo. Nem ele merece essa bagaceira.