Um filme MA-RA-VI-LHO-SO!

Um Dia de Fúria é um filme que passa com facilidade pela tal ‘regra dos 15 anos’. É bem feito o suficiente para oferecer uma narrativa envolvente, que te prende à trama até o último minuto. Ao mesmo tempo, antecipou em 25 anos aquilo que nos tornaríamos em função da modernidade e da cultura de consumo.

O personagem interpretado por Michael Douglas tinha transtornos psicológicos e emocionais, e só queria tomar o seu café da manhã de forma sossegada. A frustração em não alcançar esse objetivo resultou em um dos maiores derramamentos de sangue que vimos no cinema norte-americano em todos os tempos.

Curiosamente, os massacres da vida real se tornaram nesse momento algo corriqueiro, infelizmente. Não vou discutir nesse post a questão da legalização das armas, mas o filme é tão apurado, que até nesse ponto ele aborda como era fácil já naquela época para qualquer pessoa adquirir uma arma de médio porte.

Mas o mais importante tema que Um Dia de Fúria aborda é: como estamos nos transformando em monstros por causa da rotina cotidiana.

 

 

É um filme muito pontual para o seu tempo, uma vez que mostra o absurdo cenário de ‘Michael Douglas contra o mundo’, antecipando o que veríamos nos Estados Unidos duas décadas e meia depois. Hoje, nos deparamos com pessoas igualmente transtornadas e com pensamentos vazios diante de suas próprias perspectivas de realidade.

Por outro lado, Um Dia de Fúria é diversão pura. O sarcasmo do protagonista, que manifesta o tempo todo o seu humor negro diante de todo aquele cenário gerado por ele mesmo reforça a ironia da vida e das pessoas. E isso é engraçado, de um certo modo.

Sem falar que é um filme bem produzido e de final um tanto quanto incerto até os seus momentos finais.

Por fim, é um filme que leva o espectador a torcer pelo cara mau, pelo bandido, pelo assassino. Você entende as aspirações dele, se identifica com tais frustrações, e tem vontade de fazer o mesmo que ele um dia, mesmo sabendo que isso é errado.

Apenas as grandes histórias são capazes de criar pontos de contradição no ser humano, questionando o que estamos fazendo como pessoas.

Em Um Dia de Fúria, acabamos torcendo para o bandido que atira em todo mundo. Porque um dia a gente já quis fazer o mesmo que ele.

E é exatamente isso que o filme quer de você!

Logo, os 25 anos desse maravilhoso longa devem ser comemorados e muito. Inclusive assistindo o filme mais uma vez, algo que é sempre bem vindo.