Orphan Black

Se despedir de uma série é sempre um momento tenso. Tem gente que nem quer ver o último episódio, apenas para ter aquela ilusão que a série nunca acabou. Mas o fim é o fim, e estamos aqui para falar sobre o fim de Orphan Black.

A BBC America encerrou a série Orphan Black, depois de cinco temporadas de lutas de Sarah, Cosima, Allison, Helena e companhia contra os planos de controle genético de grandes corporações. E seu episódio final resume bem o que a série foi.

A quinta temporada da série começa com os clones na ilha, um lugar remoto onde aparecem as maiores inovações dos vilões da série. Sarah e Cosima, cada uma do seu lado, tentam sair dali sem ter certeza sobre quem elas poderiam confiar.

 

 

Durante os episódios da quinta temporada, nos aprofundamos sobre a origem do Dr. Westmoreland e da Dra. Virgina Coady. Reunindo o time original da década de 60, eles iniciam o próximo passo de um plano que inclui Kira, filha de Sara, e uma nova geração de clones.

Uma coisa incomoda nesse ponto: as claras referências à Ilha do Dr. Moreau e as múltiplas obras desse período. Por mais que tudo se justifique com a visão de ficção científica que Orphan Black sempre contou, tudo isso não é suficiente para sustentar as aspirações de Westmoreland, que mais parece uma caricatura do que uma ameaça real.

O problema é que os fãs se acostumaram com a personalidade complexa de Susan, Rachel e os demais da companhia. Nesse sentido, Westmoreland e Coady são apenas pessoas más, com expressões faciais fechadas. Felizmente, Orphan Black vai além do confronto entre o bem e o mau.

 

 

Olhando para as primeiras temporadas da série, vemos como muita coisa mudou. De como a trama tomou um caminho imprevisível para nós e desesperante para as protagonistas. A evolução é percebida quando os alívios cômicos e o sarcasmo de alguns personagens são deixados de lado.

E, mesmo assim, essas características ainda estão na série. Os roteiristas fizeram que, de algum modo, em algum momento da temporada, cada um dos protagonistas estaria em algum plano de destaque.

E, se existe algo que podemos constatar no final de Orphan Black é a sua irmandade. Os melhores momentos desses personagens estão nas suas interações entre si. Tanto, que dedicaram o primeiro terço do episódio em resolver logo a guerra, para que o restante mostrasse a vida de todos em novos tempos de paz.

A conversa no jardim dos Hendrix onde Sarah, Cosima, Alison e Helena dissertam sobre os desafios impostos pela vida depois de tudo o que aconteceu é muito significativa. Pela primeira vez em muito tempo elas são donas delas mesmas, e conseguem ver esse novo momento com otimismo. Até mesmo Rachel, antagonista por boa parte da série, parece abrigar dentro de si um pequeno rastro de esperança em sua vida a partir daquele momento.

 

 

Por fim, Orphan Black se despede de forma exemplar. Com uma temporada final e altos e baixos, com momentos que funcionaram perfeitamente e outros que não funcionaram, vimos uma trama mais coesa do que nas temporadas anteriores.

Os fãs agradecem. Foram conduzidos por uma viagem violenta, desagradável e emocional. Sentirão saudades das clones.