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Ontem, domingo, 01 de setembro, a Netflix Brasil estreou em sua plataforma online a primeira metade da quinta e última temporada da série Breaking Bad. E eles conseguiram fazer isso antes que o AXN estreasse a mesma primeira parte da quinta temporada na TV paga, algo que vai acontecer a partir do dia 4 de outubro. E novamente, temos iniciada a discussão sobre a validade de seguir pagando por TV por assinatura diante de casos como esse.

Deixando de lado o fato que isso só acontece um ano após a sua exibição original nos Estados Unidos (algo que, em tempos de internet, é considerado um absurdo), uma pergunta fica no ar: como a Netflix conseguiu isso? Aliás, seria mérito da Netflix? Ou uma bobeira absurda do AXN em simplesmente ignorar o desejo dos fãs de séries em ver no seu canal aquela que é hoje “apenas” a série de maior impacto na audiência?

Um pouco das duas coisas.

Antes de qualquer coisa, eu quero deixar bem claro que… não. Eu não sou burro. Eu sei que existem entraves que impedem que algumas produções cheguem ao Brasil de forma mais rápida, que acordos entre os estúdios e distribuidoras de conteúdo precisam ser feitos, e que políticas comercias acabam provocando certos atrasos nas estreias das séries no Brasil. Sei de tudo isso.

Porém, certas coisas beiram ao absurdo.

Alguns canais pagos exibem séries em temporadas recentes com um atraso gigante, em horários ridículos, sem uma regularidade que permita ao assinante acompanhar aquela série de forma minimamente aceitável, e em alguns casos, novas temporadas levam UM ANO para chegar ao Brasil. Por aquilo que o assinante brasileiro paga por TV por assinatura, o mínimo que se espera dos canais de séries é uma esforço para que tais produções cheguem o  mais rápido possível em nosso país. Mas nem isso alguns canais conseguem fazer.

De novo: eu sei que a Netflix possui um acordo de distribuição de séries diferente daquele utilizado no Brasil para os canais de TV paga. Em via de regra (e isso pode variar de estúdio para estúdio), a Netflix pode disponibilizar a última temporada de uma série exibida nos Estados Unidos após 12 meses de sua exibição original. Utilizando esse expediente, a primeira metade da quinta temporada de Breaking Bad, que estreou em 12 de julho de 2012 nos Estados Unidos, já foi disponibilizada no serviço de streaming de vídeos, ou seja, um mês antes do AXN exibir esse conteúdo na TV paga brasileira.

Resumindo: quem não ficou de #mimimi na internet por causa de R$ 2 a mais na mensalidade e não tem saco (ou não sabe) baixar os episódios por torrent, já pode conferir, no conforto do sofá da sala, esses primeiros oito episódios, podendo assistir na hora que quiser, e tudo na sequência.

Já os assinantes do canal AXN terão que esperar até o dia 4 de outubro para começar a ver essa mesma temporada final, e sendo obrigado a assistir um episódio por semana da série.

Perceberam a diferença?

Tá, eu sei que quem baixa por torrent vai dizer “eu já estou quase no final da série, e você vem me falar de Netflix e TV paga, seu atrasado?”. Beleza. O texto não é para você. E você não entendeu o ponto onde quero chegar. Então, vou desenhar a questão para você.

Alguns canais de TV paga no Brasil (e, por tabela, algumas operadoras de TV por assinatura) ainda acreditam que eles estão como hegemônicos na preferência do consumidor na hora de consumo de conteúdo televisivo. Acreditam que, pelo fato do assinante pagar pelo serviço, dará preferência à plataforma tradicional. E, com esse pensamento em mente, acham que podem fazer o que quiserem. Inclusive agir com certo descaso com os assinantes, nos produtos ofertados e nos serviços prestados.

Ledo engano. Antes, a TV paga estava perdendo audiência para serviços de aluguel de DVDs (como o Netmovies) e para a própria compra de DVDs e Blu-ray. Agora, com os sites de streaming (YouTube, Netflix, Netmovies, Crackle, etc), a fatia de mercado da TV por assinatura está sendo drenada lentamente. E, pelo andar da carruagem, não há nada que eles possam fazer. Estão indo para um caminho sem volta de declínio gradativo de audiência.

E um dos motivos pelos quais as pessoas pararam de assistir suas séries na TV paga brasileira é esse: essa falta de esforço por parte dos canais em agilizar a chegada dessas produções.

Eu tiro por mim. Eu tenho TV paga basicamente para ver qualquer outra coisa, menos as séries regulares. Não dá mais. Salvo as suas exceções (a HBO, com suas produções originais – que são exibidas no Brasil no mesmo dia de sua exibição nos Estados Unidos, a Fox, com The Walking Dead – que tem dois dias de atraso com os EUA, e a Sony – com alguns casos isolados, como as finais de temporada de American Idol e The X Factor ao vivo e agora com Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D., que será exibida com dois dias de diferença de sua exibição original), a grande maioria dos casos são um amontoado de reprises e temporadas com grande atraso em relação aos seus países de origem.

Mas não vejo apenas pela minha perspectiva. Eu escrevo sobre séries, e preciso ver as produções assim que elas estreiam nos Estados Unidos. Fora que eu tenho recursos para ver antes. E acredito que você, que está lendo esse post, também tem (e utiliza) tais recursos.

Mas… e os demais assinantes? Que se danem?

Não é por aí.

Eu pago TV por assinatura. Eu quero ver as séries na TV paga TAMBÉM porque eu pago. E caro. E para aqueles que pagam e não sabem nem o que é EZTV na vida, merecem ter um serviço de melhor qualidade. É um absurdo pagar o que se paga para ver TV para que canais e operadoras continuem vendo a situação com uma mentalidade obsoleta, atrasada, e pior: sem prestar atenção para aquilo que os próprios fãs de séries dão de feedback na internet.

Caramba, todo mundo sabe que Breaking Bad é hoje uma das séries mais amadas pelos fãs de séries brasileiros. Observar isso e não fazer nada para tentar capitalizar em cima disso é, no mínimo, muito estranho (e estou sendo educado na minha forma de expressar meu pensamento).

Logo, fica a dica para os canais pagos. Vocês dormiram tanto no ponto, que até a Netflix, que não tem um acordo tão vantajoso assim, está dando olé em vocês. “Parabéns” para a Netflix, e para quem assina o serviço. Pode ver (se quiser) a série em um final de semana. Repito: está longe de ser o ideal nos dois casos. Mas se levarmos em conta que tanto os canais pagos quanto as operadoras de TV paga olham para os serviços por streaming com maus olhos, entendo que passou da hora deles falarem menos e trabalharem mais pelos assinantes.

Que pagam muito caro para ter um serviço abaixo do ideal.

Para mais informações, acesse a página de Breaking Bad na Netflix Brasil.