O rei do show

“A arte mais nobre é fazer os outros felizes”.

O Rei do Show é a melhor coisa que eu poderia ter feito por mim em uma tarde de 25 de dezembro. Eu já estava interessado no filme por ser um musical (me julguem, pois eu gosto), mas ao sair da sala de cinema, me senti transformado com tudo o que eu vi.

O filme tem um recado claro pensado nas diferenças. No respeito às diferenças, e na unidade do diferente em uma filosofia de iguais. Mostra o tempo todo que o diferente é o que chama a atenção, e que nem todos se sentem confortáveis com isso, algo que até hoje é aplicado. Mas o faz combinando com o lúdico que todo musical precisa ter.

Porém, vai além de contar histórias de pessoas bizarras que, juntas, montam um circo. É um filme que fala de sonhos. De alguém que viveu a vida inteira acordado com vários sonhos em mente, e conseguiu realizá-los. Em nome do amor de uma vida toda por uma mulher. Pelos filhos que teve com essa mulher. E em nome do amor por ele mesmo.

O Rei do Show também mostra como podemos nos perder em função dos nossos sonhos, ou quando perdemos o foco deles. Muitas vezes, na tentativa de dar passos maiores na vida, nos desviamos do caminho que é destinado para nós, nos esquecendo do que é o fundamental em nossas vidas.

Nesse momento, temos as consequências disso. Ao mesmo tempo em que nos projetamos e nos colocamos em evidência, limitamos nossa visão para o que realmente queremos. Para o que mais queremos.

A necessidade de se auto afirmar e provar alguma coisa para alguém é uma das maiores prisões que podemos nos impor. Liberdade é acreditar nos nossos sonhos, e ser fiel à eles, independente da opinião alheia. Liberdade é viver esses sonhos e nada mais. E, em função deles, ser feliz, de forma plena.

 

 

O Rei do Show passa essa e outras lições em um filme ágil, que não cansa. Uma produção simplesmente impecável, com efeitos de CGI que convencem bem (especialmente o anão, que beira à perfeição). Seu roteiro é linear e até previsível em determinados momentos, sem grandes inovações ou viradas revolucionárias, o que o torna acessível para a maioria das pessoas. E isso é ótimo, pois é o tipo de filme que deve ser visto por pessoas de todas as idades.

As músicas são contagiantes. Aliás, saiba que toda a parte musical foi feita pelo mesmo time que cuidou da trilha sonora de La La Land, o que ajuda e muito. Mas dessa vez, a aposta foi diferente: é possível perceber as referências de cultura pop utilizadas nas músicas, indo de Despacito a Taylor Swift. Também podemos ver referências claras a outros musicais de grande sucesso no cinema, o que ajuda na ambientação desse filme. Os mais atentos nessas referências vão gostar do que vão ver.

E o elenco é muito bom. Zac Efron, Zendaya e Michelle Williams emprestando o seu talento de forma singular. E Hugh Jackman mais uma vez mostrando por que é um dos melhores atores de sua geração. Canta, dança (muito, um absurdo nesse aspecto) e interpreta na melhor de sua forma. É um cara que se entrega a todo papel que faz. E merece o status que hoje possui em Hollywood.

O Rei do Show é um filme mais do que recomendado para este final de ano. É filme para a gente se lembrar por que devemos ter sonhos na vida, e por que devemos lutar por eles. Uma história que também mostra o orgulho que devemos ter por sermos diferentes, e que as diferenças nos complementam. Aliás, mostra que ser diferente não é nenhum crime ou absurdo. Pelo contrário: ser diferente é o máximo, pois quem é diferente é especial.

Um filme excelente para esse final de 2017.