Eu sei que todo mundo tem direito a reclamar de tudo (apesar de achar pessoas com esse perfil na categoria de “chatas”), pois entendo que a livre expressão deve ser preservada (mesmo que isso resulte em mim insuportáveis dores de cabeça).

Também entendo que não dá para gostar de tudo. Apesar de abraçar para mim a filosofia que o novo sempre vem e que temos que receber o novo em nossa vida o tempo todo, não é possível abraçar todas as novidades da mesma forma, e não somos obrigados a receber e aceitar tudo o que é novo nessa vida.

Eu entendo tudo isso.

Agora, estamos em uma era onde as pessoas problematizam tudo, especialmente quando oferecem propostas novas para as coisas que já conhecíamos.

Recentemente, o Cartoon Network recebeu pedradas dos nerds chatos, que reclamaram da nova proposta de Thundercats Roar, reboot de Thundercats. Primeiro, essas pessoas não sabem o que quer dizer a palavra reboot (penso eu). Depois, elas não entendem que o novo desenho não foi feito para as gerações mais velhas, ou desconhecem que, lá fora (e no Brasil), o Cartoon Network é voltado para o público infantil e infanto-juvenil.

E você, que está reclamando disso, se esqueceu que cresceu.

 

 

Agora, o mesmo acontece com a Netflix, depois da divulgação das primeiras imagens de She-Ra and the Princess of Power, reboot de She-Ra. Todo mundo se esqueceu de novo que é um projeto claramente voltado para o público infanto-juvenil.

E, nesse caso, é pior, pois o chorume humano novamente se manifesta, com frases como “parece um menino travestido” ou o explícito desejo de ver uma personagem mais sexualizada.

Acho que as pessoas deveriam é agradecer pelo fato da Netflix dar mais ênfase à história do que ao sexismo implícito na mídia na década de 1990. Não quero ser politicamente correto. Eu assistia tanto ao He-Man como à She-Ra no passado, e isso não me tornou um tarado sexual em potencial.

Mas vivemos hoje novos tempos. O que era válido ou aceito no passado como ‘algo normal’ não é visto da mesma forma hoje. Você pode até dizer que o mundo ficou sem graça, mas entendo que é um movimento de evolução como um todo, onde outros valores são adotados com o objetivo final de termos adultos no futuro mais conscientes sobre como devemos olhar para o outro.

Outra coisa: as afirmações feitas em relação à nova She-Ra só reforçam essa necessidade de mudança de perspectiva das pessoas. Afinal de contas, estão dando muito mais ênfase ao fato da protagonista talvez ter virado uma SheBoy (algo muito preconceituoso, por sinal), do que para a trama do desenho ou em sua construção como um todo.

 

 

Logo, para os chatos que estão pedindo uma She-Ra mais feminina, tem toda a chance do mundo de ficar no passado. Ou até ir para 2002 e ver que o reboot do Cartoon Network de He-Man, com traços bem diferentes, foi igualmente criticado.

Mas jamais dando a entender que é um absurdo o fim da sexismo nos desenhos animados.

Lembrando: não é para você, e sim para as novas gerações.

Pense nisso.