O videoclipe da canção ‘Video Killed the Radio Star’ da banda The Buggles foi o que estreou as transmissões da MTV nos EUA em 1 de agosto de 1981. Ali, começava a era do videoclipe, como um ato profético. Profecia que aconteceu.

Diferente do universo da tecnologia de imagem. O VHS superou o Betamax de forma dominante. Hoje, o Video On Demand (VOD) pode ser considerado o responsável por matar o DVD e o Blu-Ray.

Hoje, ninguém mais compra DVDs e Blu-rays. O mercado doméstico é dominado pela Netflix, e o tempo mostrou que a pirataria não seria a responsável pelo fim das mídias físicas.

As pessoas cada vez mais consomem material videográfico diretamente da internet, e essa mudança de comportamento fez com que as pessoas parassem inclusive de baixar conteúdos pela internet. Eu mesmo não consigo mais assistir séries baixadas via torrent, pois o streaming me poupa um trabalho enorme.

Tal mudança de comportamento provocado pelo VOD começou em 2013, ano em que começou a se registrar uma queda nas vendas das mídias físicas em diferentes mercados internacionais, com uma queda mais acentuada em 2015, ano em que a Netflix se consolidou de vez.

Coincidência? Estou duvidando.

Mera casualidade? Menos ainda.

O mercado de DVD e Blu-ray vive hoje uma situação de fragilidade. As vendas ainda acontecem, mas hoje são uma fração do que se vendia há uma década. Porém, em determinados países da Europa, ainda é um mercado lucrativo e com boa saúde.

A cultura de ter os títulos em formato físico ainda perdura para muita gente. O orgulho de ter o filme na estante é algo que satisfaz a muita gente. Hoje, temos que administrar a abundância de conteúdo online, os filmes e séries que precisamos ver antes, e até aceitar o fato que não somos capazes ou competentes para ver tudo.

Ter acesso a tudo parecia o paraíso, mas não é algo humanamente possível de ser desfrutado na íntegra. Sem falar que não temos acesso a tudo. A Netflix não oferece o mesmo conteúdo para todos os mercados, o que leva a alguns a se valer do VPN para obter acesso a esses conteúdos alternativos.

E, para os colecionadores, não é a facilidade de acesso ou o fato do formato físico ser melhor ou pior que streaming, ma é um tipo de consumo que vai além da qualidade. É a experiência. Agora, esse grupo vai ter que se adaptar aos novos tempos. Lenta e gradativamente.

 

 

Os novos tempos de consumo entregam algumas conclusões. Hoje, o streaming transformou muita gente em cinéfilos devoradores de conteúdo. É claro que isso também é reflexo de uma pressão social e cultural que nos obriga a estar em dia das séries mainstream.

É claro que o fator financeiro também influencia. O preço de um ingresso de cinema paga um mês de mensalidade da Netflix, que possui hoje mais de 4 mil filmes e 1.500 séries e documentários. Aí, fica difícil competir.

O mesmo acontece com o preço do DVD ou do Blu-ray. A última vez que comprei DVD ou Blu-ray na vida eu me lembro que paguei no máximo R$ 39,90, e em uma época em que a mensalidade da Netflix (que estava começando) custava R$ 7,99.

Isso ajuda a responder a pergunta “quem ainda compra DVD ou Blu-ray hoje em dia?”

Logo, tanto o DVD ou o Blu-ray são hoje objetos de colecionador, como um plus na experiência de assistir um filme. Para quem só quer assistir aos conteúdos, o streaming está aí para isso. Mas para quem quer extras, uma edição bem cuidada ou alimentar a necessidade humana de tocar e manusear aquilo que se admira, só o formato físico pode oferecer tal experiência.

O DVD e o Blu-ray se tornaram o novo vinil.

E, por causa desses e de outros fatores, todo mundo ainda ouve Video Killed the Radio Star até hoje.

E tal profecia não se concretizou.