A gente entende que Damien Chazelle não quer se repetir. Entendemos que ele quer contar histórias diferentes a cada filme, e tenta surpreender a cada proposta. Também compreendemos que nem sempre consegue isso. Mas… faltou alguma coisa em O Primeiro Home, que eu não consegui detectar o que é.

O filme mostra toda a experiência histórica do astronauta norte-americano Neil Armstrong (Ryan Gosling) para se tornar o primeiro homem a pisar na Lua em 1969, a partir do seu recrutamento no projeto Gemini até a missão do projeto Apollo.

O filme é muito competente em colocar o espectador dentro de uma narrativa onde desmistifica o glamour daquela missão. Conforme o projeto avançava com a Lua como destino final, Armstrong se dava conta que estava entrando em uma mortal corrida contra o tempo, se submetendo a sacrifícios diversos.

O longa também mostra como a NASA não estava sabendo direito o que estava fazendo ao colocar astronautas em geladeiras com motor para o espaço. Algumas decisões e soluções tecnológicas beiram ao amadorismo, e reforçam a ideia que a missão da Apollo 11 foi uma das mais perigosas da história das viagens espaciais.

Sem falar em todas as tramas envolvendo o complexo processo de desenvolvimento do projeto. As falhas, as perdas e em como a NASA estava muito pressionada a vencer a corrida espacial a todo custo. O filme mostra essa pressão, e como a mesma influenciou no sucesso da chegada do homem à Lua.

 

 

O Primeiro Homem é um filme muito bem produzido e ambientado. Chazelle mandou muito bem ao praticamente produzir um documentário daquela missão, com uma estética propositalmente envelhecida, e ângulos de câmera que colocam o espectador como testemunha ocular da história que é contada.

Tecnicamente, este é um ótimo filme. Eu particularmente adoro a forma imersiva de contar uma história, onde o envolvimento da narrativa me prende para acompanhar o que está acontecendo em tela. Porém, o meu conselho é que, ao assistir O Primeiro Homem, se esqueça completamente do que Damien Chazelle e Justin Hurwitz fizeram em La La Land, pois este é um filme completamente diferente.

Sua narrativa é mais lenta e detalhada. Como é centrado em Neil Amstrong, a ênfase é para que o espectador veja tudo com o olhar dele, ou o mais próximo possível de como ele olharia para os acontecimentos. Nesse aspecto, ou você abraça em si uma boa dose de paciência para acompanhar tudo em uma velocidade onde os detalhes precisam ser observados com atenção, ou você vai achar o filme bem sonolento.

Talvez essa narrativa acabou prejudicando dois que poderiam ser possíveis indicados ao Oscar 2019 em suas respectivas categorias: Ryan Gosling e Claire Foy. Por mais que ambos contem com competência comprovada em tela, a estrutura narrativa do filme não ajuda a nenhum dos dois. E os dois não estão ruim no filme.

O mesmo sentimento mais apagado vai para a trilha sonora de Justin Hurwitz. Se em La La Land a música (por motivos óbvios) ajudou a dar ritmo e sentimento ao filme, em O Primeiro Homem ele é um elemento tão discreto, que passa completamente desapercebido. E, de novo, aqui é uma questão de escolha pura e simples de Chazelle: a mecânica diferente para um filme com uma história diferente faz com que os elementos assumam um maior ou menor protagonismo nessa história.

 

 

No final das contas, O Primeiro Homem não alcançou os resultados esperados, mas ainda assim é um filme interessante. Para quem gosta de filmes que recontam a história, esse aqui é um prato cheio. O cuidado dado para a forma em como o evento de chegada do homem à Lua foi tamanho, que o tom de documentário entrega um resultado visceral e bem interessante.

Mas as chances da grande maioria que vai ao cinema empolgado com La La Land e Damien Chazelle dormir nesse filme são enormes.