O Massacre da Serra Elétrica

Aos poucos, o cinema foi se interessando pelos assassinos do mundo real, principalmente depois dos crimes de Charles Manson. O crescente descontentamento com a Guerra do Vietnã fez com que o cinema visse nos psicopatas os verdadeiros representantes dos monstros ocultos da América.

Tobe Hooper sobre refletir esse medo com excelência, em O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chain Saw Massacre, 1974).

O filme não só sublimizava esses medos, mas criava semelhanças com o mudo real que fez com que muita gente vibrasse com o gênero. O início do longa mostrava perfeitamente a tentativa de Hooper em alcançar o tom mais realista possível para o que estava por vir, entregando um efeito muito maior no espectador, com detalhes truculentos que davam o tom dos próximos acontecimentos.

 

 

O filme se centra em um grupo de amigos viajando em um furgão, que até lembra a inocência da turma do Scooby Doo, com exceção da presença de um jovem em uma cadeira de rodas no lugar de um cachorro falante. As coisas não ficam muito claras nesse primeiro momento, e os eventos violentos nunca caem no grotesco, uma preocupação que Hooper lidou desde o começo do longa.

O acabamento estético do filme é vital para sua história, e a proposta de fotografia de Daniel Pearl cria uma atmosfera suja, preparando o telespectador para o início da matança, que só aumenta até alcançar o seu ápice, em uma das cenas mais populares da história do cinema.

Porém, Hooper não se interessa tanto na carniceria como nos sentimentos que a mesma produz. A primeira aparição do Cara de Couro é tão repentina, que a primeira vítima literalmente tropeça em um monstro, quase desprovido de qualquer humanidade, e que só entende a linguagem da violência. Hooper se permite abrir o plano de cena para que o espectador veja como uma vítima morre, enquanto a outra testemunha tudo, agonizando.

 

 

O Cara de Couro é o primeiro grande assassino mascarado da história do cinema. E a máscara não é um mero recurso para ocultar a sua identidade, mas sim um reforço de sua identidade monstruosa. A motosserra se transformaria na sua arma mais característica, se tornando um personagem a parte no filme.

O protagonista não deixa de ser o resultado da voracidade do capitalismo, algo sugerido no roteiro em diversas oportunidades de forma muito acertada, conectando muito bem os demônios dos Estados Unidos com um assassino implacável.

 

 

O Massacre da Serra Elétrica é um dos melhores filmes de terror da história, virando tentência e oferecendo um filme praticamente redondo, que mantém a sua força até hoje. Além disso, inclui vários detalhes próprios do estilo slasher movie, se tornando praticamente um item obrigatório para os fãs desse gênero.