The Big Bang Theory chegou ao fim com um episódio duplo que apostou no lado emotivo como principal arma para agradar os fãs. Um acerto, uma vez que a temporada final quase não parecia ter um tom de despedida para a comédia mais assistida da TV norte-americana durante mais de uma década.

Pequenos detalhes indicavam o fim, como possíveis mudanças pontuais de alguns personagens. Mas o fio condutor de conclusão foi mesmo a possibilidade de Sheldon e Amy vencerem um Prêmio Nobel pela teoria da superassimetria, algo que foi explorado melhor com fins cômicos com as divertidas aparições de Sean Astin e Kal Penn. Mas o fim da série optou por ser consequente com tudo o que entregou até agora.

 

 

Nada muda, tudo se transforma

 

 

The Big Bang Theory começou como uma comédia sobre um grupo de cientistas nerds freaks não adaptados ao grande grupo para se transformar em uma série de humor sobre relacionamentos. A mudança foi paulatina, mas sem abrir mão de sua identidade primária, permitindo um maior destaque para o seu DNA quando a narrativa voltava a centrar nos nerds freaks.

Por isso, o series finale acaba centrado quase completamente em Sheldon, que foi o personagem que conquistou o grande público. E é também por causa dele que a série chegou ao fim, já que seu intérprete, Jim Parsons, não quis continuar na série. Logo, a decisão aqui é razoável.

A primeira parte do episódio final fala sobre as dificuldades em se adaptar às mudanças repentinas, especialmente quando elas chegam em forma de vários golpes. Na pratica, os conflitos em separado dos personagens foi uma forma do roteiro se esquivar de lembrar para a audiência que aquele ciclo estava chegando ao fim.

O fim de The Big Bang Theory serviu para que Sheldon finalmente se tornasse consciente da influência que os seus atos exercem sobre os demais e das formas ruins que ele tratou os seus amigos ao longo dos anos. É uma parte cômica essencial da série, ao mesmo tempo que é a consciência do indivíduo sobre o próximo. E é óbvio que esse “respeito” recém descoberto não elimina as piadas entre eles no futuro, mas essa é a verdadeira mudança que o final da série oferece.

 

 

Outros detalhes do series finale de The Big Bang Theory

 

 

Outras revelações aconteceram, pensando em entregar uma maior dose de emoção para o episódio, mas sempre abordando os temas no estilo que a série sempre fez, mesmo em uma situação que, ao longo da série, sempre foi dado a entender que não aconteceria. Mas… assim é a vida, e os finais de série sempre deixam pontas para que a audiência pense o que essas pessoas vão fazer no futuro com o novo cenário. Ah, sim, a única “falha” do roteiro foi se antecipar em comentar sobre o final de Game of Thrones, mas era inevitável. Ainda mais nessa semana.

A óbvia conclusão para Sheldon e Amy é, ao mesmo tempo, satisfatória para os dois personagens. Mesmo porque, como já mencionado, quase todos os arcos dos episódios finais se encaminharam para Sheldon. Inclusive para as referências de cultura pop.

 

 

De qualquer forma, em uma série tão estática como The Big Bang Theory, dificilmente teríamos um final melhor do que todo o grupo de amigos reunidos de novo em uma conversa enquanto jantam. Ou seja, tudo termina como começou. É uma despedida de uma série que poucas vezes foi brilhante (se é que algum dia realmente foi), mas conseguiu divertir um público enorme, como poucas séries conseguiram.

Não dá para dizer que The Big Bang Theory vai fazer falta, mas mesmo nos seus piores momentos cumpriu com a sua missão de divertir a audiência que normalmente estava comendo enquanto assistia aos seus episódios. Várias comédias foram muito melhores ao longo do últimos 12 anos, mas poucas deixaram tantos sorrisos quanto a série dos nerds.