Parece que a DC finalmente aprendeu como contar as suas histórias.

Não quero me deixar levar pelo hype dos últimos lançamentos, mas é fato que a Warner Bros. e a DC estão mais acertando do que errando nos últimos tempos. Tudo começou com Mulher-Maravilha, que é um baita filme de apresentação de personagem (mesmo com aquele terceiro ato deixando a desejar). OK, no meio do caminho tivemos Liga da Justiça e Esquadrão Suicida. Mas depois disso…

Aquaman foi um grande acerto. Não apenas no lado comercial, mas principalmente no lado conceitual. O primeiro filme da DCEU a alcançar a superar a marca de US$ 1 bilhão nas bilheterias globais apresentou uma forma divertida e convincente de apresentar um personagem que era de difícil aceitação até mesmo entre os fãs da DC.

Depois, temos Shazam!, mostrando uma mudança de paradigma e perspectiva até inesperada por muitos. Temos o filme Sessão da Tarde que todos amam, a comédia de adolescente retardado e, ao mesmo tempo, um filme de ação muito alinhado com a personalidade do seu protagonista.

O próximo passo dessa nova fase da DC nos cinemas vai se materializar em Joker, o filme que vai contar ao mundo como Coringa, um dos maiores vilões da história, se transformou nesse monstro do crime sem precedentes. Alguns mais empolgados já estão clamando pela indicação de Joaquin Phoenix para o Oscar 2020. Eu ainda acho que é muito cedo para afirmar qualquer coisa, mas não considero algo tão absurdo ou impossível a sua eventual indicação ao grande prêmio do cinema mundial.

Se Joker der certo, podemos então cravar que a Warner Bros./DC finalmente compreendeu qual deve ser a sua estratégia para contar as histórias de seus personagens no cinema. Está bem claro que a tentativa de universo compartilhado da DC não deu certo, por mais que a mecânica me agrade. Por outro lado, eu fui um dos defensores que a DC deveria contar as suas histórias do seu jeito, sem tentar seguir os mesmos passos da Marvel.

Por outro lado, o tom mais sombrio de alguns dos seus filmes também não funcionou. Aliás, vamos combinar de uma vez por todas que Zack Snyder não funcionou na DC. É mais fácil ver o mundo dessa forma.

De qualquer forma, nos últimos cinco filmes, temos mais acertos do que erros, e isso é ótimo. Ter uma DC acertando nos cinemas é bom para todo mundo, e Joker pode ser a resposta que falta para confirmar ou desmentir essa teoria. E sepultar de vez a DCEU como conhecemos.

Eu confesso que gostaria de um dia ver a reunião de todos esses heróis de novo na tela, em um ambiente mais estruturado e mais empático para os personagens. Faltou para a DC também fazer com que as pessoas se importassem mais com cada um deles. Construir o universo compartilhado é também criar afinidade dos seus protagonistas com o público.

Mas se os filmes isolados forem a melhor solução… melhor assim. Eu prefiro ver filmes que entregam boas histórias e boas atuações. Abro mão da minha individualidade para que o bem comum prevaleça. E, nesse caso, o bem comum quer bons filmes de personagens da DC, e nada mais.

E isso porque eu nem falei na ousadíssima e bem sucedida proposta de Teen Titans GO! nos cinemas, já que esse eu considero o melhor filme da DC desde O Homem de Aço. Mas isso é história para outro post.