O Aprendiz voltou. Do jeito que era antes.

Quando estreou no Brasil em 2004, O Aprendiz já era um reality de muito sucesso. Um dos mais bem sucedidos da primeira grande geração de reality competition, ao lado de Survivor, The Amazing Race, American Idol e outros. Comandado por aqui por Roberto Justus, virou um sucesso instantâneo, com audiências gigantescas para a Rede Record, canal que exibiu dez temporadas do programa.

Com o passar do tempo e algumas alternâncias nas temáticas dos participantes (universitários, sócios, segunda chance, celebridades, etc), o programa foi se desgastando. A troca de apresentador (saiu Roberto Justus, entrou João Dória) também não ajudou, e a última temporada do programa foi exibida em 2014.

Cinco anos depois, Roberto Justus vai para a Band, abandona a função de publicitário para investir na sua carreira de apresentador de TV de vez (depois de ser demitido pela Record nessa função), e volta para o programa de origem, onde ele faz o que sabe de melhor: demitir pessoas.

 

 

O Aprendiz estreia a sua 11a temporada na Band (e a contagem é essa mesma; não é um revival nem um reboot), mantendo o mesmo formato que consagrou o programa ao redor do mundo. Na primeira parte, uma prova que testa a capacidade dos candidatos, onde o grupo vencedor recebe uma recompensa. Na segunda fase, a temida sala de reuniões, onde o grupo perdedor tenta defender o seu desempenho fracassado, e no final do processo, Roberto Justus demite o pior desempenho.

O campeão da temporada leva para casa R$ 1 milhão líquidos (em 2004, quando Viviane venceu o programa, o emprego em si – algo que ela mantém até hoje – era algo muito mais atraente, pois tem influenciador que ganha mais de R$ 1 milhão em apenas um mês de trabalho no youtube, por exemplo), mais um coaching para a sua atividade profissional (avaliado em R$ 200 mil). Pode não ser um baita prêmio, mas é muito melhor do que nada.

Até porque quanto mais tempo você fica em um programa como esse, maior será a sua exposição para o grande público, e isso também é importante para quem está participando do reality.

Uma das novidades de O Aprendiz em 2019 é a participação de influenciadores digitais. Muitos de vocês podem até se perguntar quem são essas pessoas, pois muita gente ali é qualificado como o ‘famoso quem?’, uma vez que o seu alcance está em um nicho que não alcança o grande público.

 

 

Porém, a escolha pelos influenciadores digitais é um dos acertos da produção do reality. Boa parte do público alvo da Band com o reality está na internet, ou comenta de forma ativa os acontecimentos do programa nas redes sociais, especialmente no Twitter. Por isso, oferecer um programa onde os influenciadores digitais estão participando faz a conversa perfeita entre as duas mídias, além de oferecer ao público uma nova perspectiva desses influenciadores.

Roberto Justus continua afiado na sala de reuniões, mandando até uma lição de moral nos tais influenciadores. Em uma parte da prova do primeiro programa, foram realizadas 10 perguntas de conhecimento geral para que os influenciadores respondessem, e o grupo perdedor só respondeu cinco perguntas. Logo, Justus manda a melhor frase desse primeiro programa:

– Não adianta serem influenciadores se vocês não sabem nada sobre o mundo ao seu redor.

É legal ver Justus alertando sobre a responsabilidade que esses influenciadores abraçam todos os dias, uma vez que, de alguma forma, eles são ferramentas para melhorar o mundo.

 

 

O Aprendiz voltou, e acho que é um grande acerto para a Band. Pelo menos o primeiro objetivo da volta do programa foi alcançado: a hashtag #OAprendizNaBand ficou na primeira posição dos TTs durante muito tempo na noite de ontem (18), o que indica que ao menos os internautas falaram sobre o programa. E tenho quase certo que os comentários positivos foram muito maiores que os negativos.

Quem sabe a Band já não renova o programa? Afinal de contas, as cotas de patrocínio foram vendidas, as parcerias com o Sheraton WTC retornaram e o programa mantém a sua dinâmica vencedora do passado. Tudo indica que esse reality, diferente de outros, é atemporal e soube se renovar, pelo menos no perfil dos candidatos.

Se você já era fã de O Aprendiz na Record, pode ir assistir sem medo ao programa da Band. É diversão garantida (e aprendizado para quem estiver aberto para isso).