A Netflix está fazendo de tudo para mostrar que podem fazer diferente, quebrar paradigmas e mudar toda uma indústria. Primeiro, com a venda/aluguel de DVDs a domicílio (foi assim que a empresa nasceu). Depois, com o serviço de streaming, com o lançamento de todos os episódios de uma série no mesmo dia, entre outras iniciativas.

Agora, querem reforçar esse conceito, com a ideia de comprar salas de cinema. A Netflix esteve negociando para adquirir as salas da rede Landmark Theatres, de propriedade de Mark Cuban. Mas retiraram a oferta pelo valor elevado solicitado.

Na verdade, a Netflix quer um espaço para exibir seus filmes, para assim abrir caminho para competir a sério nas principais premiações de cinema.

Seria um movimento genial por parte do serviço de streaming, e resolveria (em partes) os conflitos entre a Netflix e o Oscar/Festival de Cannes e outros grandes eventos da indústria cinematográfica.

O Festival de Cannes permitiu a entrada dos filmes da Netflix, desde que os mesmos ficassem de fora da competição da Palma de Ouro, algo que a Netflix não concordou, levando a se retirar do evento. No ano passado, os filmes The Meyerowitz Stories e Okja competiram na premiação sob forte reclamação dos presentes, que exigiam que esses filmes fossem projetados em uma sala de cinema.

Apenas em 2017, a Netflix investiu mais de US$ 8 bilhões em produções originais, e em 2018 vão estrear mais de 80 filmes originais. Ou seja, material para projetar nos cinemas existe, e de sobra.

E, se esse é o requisito para competir em determinadas premiações, comprar redes de cinema é a solução. Até porque prêmios como esses trazem o prestígio para a plataforma.

Mas o mais interessante de um ‘cinema Netflix’ são as possibilidades. A empresa pode ter o controle absoluto de exibição, podendo oferecer horários mais flexíveis, janelas de exibição mais prolongadas e presos mais competitivos.

Ou até mesmo não cobrar dos assinantes da plataforma que quisessem ver o filme em uma tela grande. Quem sabe oferecer horários especiais para séries, com estreias no mesmo dia que na plataforma VOD.

Por outro lado, promoções e funções especiais para assinantes podem ser criadas, atraindo que ainda não está na plataforma.

É uma ótima ideia, que faz todo o sentido. E que pode reinventar a forma como as pessoas aproveitam dessa experiência. Reinventando uma indústria como um todo.

 

Via LA Times, Variety