Ross-and-Rachel-friends

Ei. Você! Quer namorar comigo?

Tá, eu sei, eu sou casado. Mas esse é só um post qualquer, de um blog qualquer, no famigerado Dia dos Namorados.

Quase todos os anos, fazemos aqueles posts de listas de casais da TV, só para você ficar relembrando como o mundo da TV é pródigo em colocar as pessoas juntas. Dessa vez, vamos fazer diferente: vamos tentar falar sobre como funciona essa história de colocar os namoros na TV, e meio que “discutir a relação” desse movimento dos apaixonados no ambiente televisivo. E como podemos utilizar isso em nosso favor no dia de hoje.

No começo, lá atrás, bastava você colocar um homem e uma mulher junto, em um contexto romântico, e pronto: você tinha um casal em cena. A primeira grande sitcom da TV norte-americana, I Love Lucy, se baseava nisso: o casal se amava, mesmo ela sendo uma esposa atrapalhada e ele um marido almofadinha. Mas tudo dava certo no final. Por que? Porque eles se amavam. E tal fórmula perdurou por muito tempo.

Aí, começamos a ter as pequenas variantes dessa fórmula. Peguemos o exemplo do Casal 20, nas décadas de 1970/1980. O casal Hart não era um casal normal: eles se amavam, tinham um casamento sólido, mas para “apimentar a relação”, eles viviam em aventuras das mais diversas espécies, vestindo mesmo a fantasia de detetives/agentes secretos, combatendo o crime, dando tiros e tudo. Podemos dizer que os Hart de Casal 20 são os avós de Sr. e Sra. Smith? Talvez. Do casal da fracassada série Undercovers? Com certeza.

Aliás, indo nessa premissa de “casal que usa a profissão para apimentar a relação”, temos A Gata e o Rato (Moonlighting). Maddie Hayes (Cybil Shepred) e David Addison (Bruce Willis) se descobriram um casal ao longo da série. Não só colocando a profissão de detetives para apimentar a relação, mas também para tornar essa uma relação “tapas e beijos”. Algo do tipo “te odeio, mas não te deixo”. Uma relação única na TV, que foi o sucesso da série.

Nem cito Ross e Rachel de Friends, que foi o casal problemático da TV. O lance do “estavamos dando um tempo” foi tão prolongado, que o que antes era considerado algo engraçado foi se tornando irritante e cansativo, e quase desanda de vez antes do final da série. Porém, esse casal deu a tônica para muitos relacionamentos amorosos que eu conheço hoje, pois fez com que muita gente por aí passasse a “defender o seu ponto” nas diversas seções de “discutindo a relação”.

Hoje, tem casal de tudo quanto é tipo: gays, lésbicas e simpatizantes, os extraterrestres se apaixonaram, desenhos animados, mauricinhos, patricinhas, blogueiros, nerds e até mesmo a confusa relação amorosa vista em The 100, onde OITO PESSOAS conseguiram se envolver em um mesmo relacionamento amoroso. É sério! Pergunte ao @fabiano_sjc que ainda assiste a série (nem sei por que direito).

Mas o namoro na TV clássico ainda existe por conta dos programas não roteirizados. Isso é amor raiz, meus amigos!

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Sílvio “Senor Abravanel” Santos, antes de sair jogando aviaozinhos de dinheiro e fazer anedotas onde a resposta é “o pinto”, já explorava esse filão romântico na TV, com um programa cujo nome é o título desse post: Namoro na TV. Depois disso, promoveu a evolução desse programa, o “Em Nome do Amor”, e depois disso, ainda apostou no “Quer Namorar Comigo?”. Ou seja, há pelo menos 30 anos, o dono do SBT apostava no romantismo e no namoro na TV brasileira.

Aí vem os canais lá de fora, e criam programas como The Bachelor/The Bacherollete, e vocês acham o máximo! OK, é tão freak que acaba sendo engraçado, mas nem chega perto do primitivismo amoroso apresentado pelo SBT na década de 1980.

E isso porque nem estou falando nos programas pensados em acabar de vez com relacionamentos que já não estão tão saudáveis assim, como Ilha da Tentação (simplesmente espetacular), Date My Mom (sério, como não?) e Papito in Love (quem não quer isso?). Todos tem o amor como mote principal, mas não que ele será necessariamente o motivo principal para o programa existir.

O amor na TV sempre foi motivo para que os canais buscassem índices de audiência elevados, eternizassem casais fofinhos ou detestáveis na audiência, e enchesse de esperança o coração das gordinhas encalhadas de difernetes gerações. E, por mais inacreditável que possa parecer, eles alcançam o seu objetivo. Então, nesse Dia dos Namorados, vamos nos deixar levar pelos programas ridículos do amor. Porque o amor é ridículo sim! Mas nós adoramos!

Mesmo que o amor produza casais terríveis como Leonard e Penny (The Big Bang Theory). É melhor o amor do que a guerra. É melhor o amor do que We Are Men. O amor, no final, sempre vence. Ainda mais se passa na CBS.

Um feliz Dia dos Namorados para todos vocês.